As autoridades sanitárias do país tentam descobrir quantas marcas de bebida foram adulteradas
19 pessoas morrem na Costa Rica com metanol misturado na bebida

Os primeiros casos foram registrados no início de junho. De lá para cá, quase duas dezenas de consumidores tiveram um fim trágico depois de ingerirem destilados.

Entre as vítimas, 14 eram homens e 5 mulheres, com idades que variavam de 32 a 72 anos. O perfil da maioria era de alcoólatra ou indigente.

Os óbitos ocorreram em cinco das sete províncias da Costa Rica: San José, Cartago e Heredia (região central), Limón (Caribe) e Guanacaste (Pacífico).

A estatística estarrecedora, que deixou o país em alerta, pode ser bem maior. A contagem dos casos de intoxicação com álcool adulterado com metanol chegou a 36 no final de semana, conforme relataram as autoridades sanitárias no sábado, dia 20 de julho. Mais duas pessoas, que ainda não tiveram as mortes esclarecidas, podem engrossar a lista dos intoxicados.

Segundo o Fundo de Seguridade Social da Costa Rica (CCSS), responsável pelos centros médicos públicos, os pacientes apresentaram sintomas que variam de cegueira parcial ou total até o coma. As vítimas tinham ainda quadro de náuseas, diminuição da pressão arterial e dor abdominal.

O chefe do serviço de emergência do hospital Calderón Guardia de San José, Donald Corella, explicou ao jornal La Nación que as bebidas receberam uma mistura entre 30% e 50% de metanol. Apenas no hospital em que ele trabalha, dez pessoas deram entrada com os sintomas, seis morreram.

Os outros quatro pacientes "foram deixados para trás", com casos de "cegueira total não reversível" e lesões cerebrais que causam tremores semelhantes aos da doença de Parkinson.

O Ministério da Saúde costa-riquenho explicou que a quantidade de metanol para uma pessoa ter consequências mortais ao ingerir bebida contaminada varia de acordo com a concentração. Também são fundamentais o peso do consumidor e se ele é um consumidor habitual.

"Em termos gerais, uma dose de 0.2 mililitros de metanol por quilo do indivíduo, teoricamente (supondo uma absorvição de 100%) resultaria em uma concentração tóxica de metanol", observou o ministério em uma em nota.

Por precaução, na última semana o governo apreendeu um total de 30 mil garrafas de 6 marcas suspeitas em lojas localizadas em todo o país. Ficaram fora das prateleiras as bebidas Guaro Montano, Guaro Gran Apache, Aguardiente Timbuka, Aguardiente Molotov e Aguardiente Barón Rojo.

Todas as marcas têm registros legalizados na Costa Rica, o que fez as autoridades concluírem que muitas garrafas foram falsificados.

O Ministério da Saúde registrou ainda uma queixa junto às autoridades judiciais. Uma investigação busca encontrar os responsáveis pela adulteração dos produtos.

O CCSS informou que uma equipe composta por especialistas em epidemiologia, emergências, farmácia e laboratório está de plantão para examinar os pacientes que aparecem nos serviços de emergência com suspeita de intoxicação por metanol.

 

Um caso famoso na Grécia

 

A Costa Rica não é o primeiro país a sofrer com a falsificação de bebidas. Em 2016, na Grécia, a jovem inglesa Hannah Powell perdeu a visão depois de ingerir vodca misturada com metanol.

Hannah, que mora na cidade britânica de Middlesbrough, estava passando férias longe de casa. Uma noite ela saiu com amigos para uma balada em Zakynthos.

A jovem de 23 anos começou a passar mal em pouco tempo. Ela vomitou muito, mas não era por causa de ressaca. Quando acordou no quarto do hotel onde estava hospedada, Powell já não enxergava mais.

Exames feitos no hospital confirmaram que Hannah havia ingerido metanol. Os rins dela entraram em colapso e a inglesa ficou cega.

"Eu não entendia porque não conseguia enxergar. Eu pensei que fosse alguma coisa (tampando) meu olho ou na minha cabeça. Lembrava remotamente de falar com meu pai ao telefone", contou ao site da BBC.

Os amigos de Powell, que tomaram a mesma bebida, chegaram a passar mal com dores no estômago, mas os sintomas sumiram.

"Aparentemente, gangues fazem as vodcas clandestinamente e vendem aos bares por preços mais baratos. E os bares abastecem seu estoque com essas bebidas", explicou Hannah.

"Então, se você é um consumidor, acha que está comprando vodca Smirnoff, mas não é. Eles colocam os líquidos em garrafas verdadeiras de Smirnoff", disse a jovem.

Hannah ficou três semanas em um hospital da Grécia antes de retornar ao Reino Unido para continuar o tratamento. Como os rins pararam de funcionar, ela teve que passar 18 meses fazendo hemodiálise, até receber um órgão doado pela mãe.

Powell conta que, no início, via tudo "completamente preto". Depois de um tempo, começou a enxergar "muito embaçado".

Com a ajuda da ONG RNIB, dedicada a pessoas com deficiência visual, Hannah voltou a trabalhar. Ela utiliza um equipamento especial para atuar como recepcionista de uma clínica médica.

Três anos depois das férias na ilha grega, a britânica ainda aguarda alguém ser responsabilizado. Ela acredita que bebidas falsificadas são amplamente vendidas em locais turísticos, como Zakynthos. "Eu já não esperava que fossem punidos, mas acho que alguém deveria. Ou o bar sabia que tinha álcool manipulado ou alguém fez essa mistura. De qualquer forma, eu não tive nada a ver com isso. Eu nunca teria bebido se soubesse", concluiu.

 

19 pessoas morrem na Costa Rica com metanol misturado na bebida

 

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