Quando o Irã fez uma série de ataques a bases americanas, o governo Trump tinha dito que ninguém havia se ferido. A verdade não é bem assim
34 soldados americanos sofreram lesão cerebral com mísseis iranianos. Mas o que causa esse traumatismo?

Há décadas americanos e iranianos têm se enfrentado em uma guerra de nervos. Desde que a embaixada dos Estados Unidos foi invadida em Teerã, no dia 4 de novembro de 1979, com 52 funcionários sendo mantidos reféns por 444 dias, os dois países vivem se estranhando. O último episódio desse conflito começou a desenrolar no final do ano passado.

O presidente Donald Trump vinha acusando o Irã de financiar grupos terroristas para atacar alvos americanos na região do Golfo. A gota d’água para a retaliação dos Estados Unidos foi a invasão da embaixada do país em Bagdá, na capital iraquiana, no dia 31 de dezembro.

Na versão de Trump, quem estaria à frente das ações seria o general da principal força militar do país persa, Qasem Soleimani. Nas primeiras horas do dia 3 de janeiro de 2020, utilizando drones, o exército americano acertou em cheio a comitiva do comandante das Forças Quds.

O Irã jurou vingança à morte de Soleimani. O contragolpe veio com as tropas do aiatolá Ali Khamenei, que miraram bases americanas no Iraque e despejaram um monte de mísseis. "Ontem à noite, nós demos um tapa na cara deles", afirmou o líder supremo.

Em meio aos ataques e a crescente tensão na região, o exército iraniano se equivocou e derrubou um avião ucraniano com 176 pessoas a bordo, imaginando se tratar de uma aeronave militar do inimigo.

As mortes de civis eram até a semana passada as únicas baixas contabilizadas pelo Pentágono. Os americanos garantiam que nenhum de seus oficiais havia sido atingido pelos ataques do Irã porque a maioria se abrigou em bunkers enquanto choviam mísseis.

Nem quando vazou a primeira informação que soldados dos EUA tinham sofrido problemas cerebrais, Trump admitiu a séria situação. Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, o presidente respondeu assim às perguntas dos jornalistas sobre o assunto: "Ouvi dizer que eles tinham dores de cabeça e algumas outras coisas, mas eu diria e posso relatar que não é muito sério. Não os considero ferimentos muito graves em relação a outros ferimentos que já vi", disse quando foi questionado.

Na verdade, a situação de saúde dos militares não é tão simples assim. Dias após as explosões próximas as bases, dezenas de soldados apresentaram várias queixas que foram se agravando com o tempo. O que eles estavam sentindo eram lesões cerebrais traumáticas, que os especialistas chamam de TCE.

De acordo com autoridades americanas, os TCEs são comuns em zonas de guerra. A causa mais comum que provoca o trauma é uma "grande explosão", observa o Centro de Lesões Cerebrais de Defesa e Veteranos dos EUA.

Os TCEs são classificados como leve, moderado, grave ou penetrante. Um TCE leve também é conhecido como concussão e pode ser causado pela "sobrepressão atmosférica de uma explosão seguida por subpressão ou vácuo".

O vácuo do ar pode penetrar até em objetos sólidos. Os soldados nem sempre têm traumas bruscos, mas estão sujeitos a uma lesão cerebral invisível.

Segundo o relatório do Departamento de Defesa, que inicialmente falava em "zero feridos", atualmente diz existir 34 soldados que relataram dores de cabeça, tonturas, sensibilidade à luz, náuseas e outros sintomas após o ataque à Base Aérea de al-Asad. A informação foi confirmada pelo porta-voz do Pentágono, Jonathan Hoffman, na sexta-feira. "Muitos desses sintomas estão se desenvolvendo tarde", explicou. "Eles se manifestam ao longo de um período de tempo", concluiu.

Do total de afetados com TCEs, 16 soldados foram tratados no Iraque, um foi transportado para o Kuwait, enquanto 17 foram transferidos para as instalações dos EUA em Landstuhl, na Alemanha.

Na manhã de sexta-feira, oito oficiais retornaram para casa, para serem tratados no Centro Médico Militar Nacional Walter Reed, em Bethesda, Maryland, ou nos hospitais base de seus postos de serviço, segundo acrescentou Hoffman.

O porta-voz garantiu ainda que o secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, não teve conhecimento imediato dos feridos nos dias seguintes ao ataque. "Os relatórios não foram divulgados até que eles estivessem realmente evacuado a área e levados para a Alemanha", disse Hoffman sobre as vítimas de al-Asad.

Os Veteranos do Iraque e Afeganistão da América, uma organização sem fins lucrativos, criticaram o governo Trump por levar tanto tempo para revelar a extensão das baixas. "Isso é grande coisa", tuitou o fundador Paul Rieckhoff. "O povo americano deve poder confiar no governo para compartilhar informações sobre nossos filhos e filhas de maneira prejudicial. Nada é mais sério e sagrado", escreveu.

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Edson Luz Pinto

Edson Luz Pinto

em zona de guerra voceis querem o que.?????
★★★★★DIA 26.01.20 14h01RESPONDER
N/A
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