O caso da namorada que apanhou do companheiro por causa de um telefone celular nos Estados Unidos, pasmem, é uma situação muito mais comum do que se possa imaginar
A brasileira Melissa engrossa a absurda estatística de violência contra a mulher

As imagens da mineira Melissa Getz com o olho roxo de tanto apanhar do namorado são revoltantes. Só de ver as fotos já seria mais do que suficiente para ter certeza de que se trata de mais uma barbaridade contra uma mulher. O sentimento de compaixão pela vítima se torna imensurável quando se ouve o relato da estudante que mora em Tampa, nos Estados Unidos. 

Melissa conta que o namorado Erick Bretz a empurrou várias vezes durante uma briga, prendeu sua cabeça entre as pernas dele, pegou um vidro de soro fisiológico e virou no rosto da companheira. O "motivo" que gerou toda essa brutalidade foi a resistência da garota em não deixar que Erick lesse as mensagens que estavam no telefone celular dela. 

“Ele apertava o meu rosto, chutou o meu rosto, me puxou pelos cabelos pelo apartamento. Ele bateu a minha cara no chão. Para eu me livrar dele, eu entreguei o celular e saí correndo para a portaria do prédio”, contou

Infelizmente, os casos noticiados pela imprensa, como o da Melissa Getz, compõem um montante irrisório perto da quantidade de ocorrências registradas nas delegacias do país afora.

Todos os dias, só no Brasil, 606 mulheres apanham de um homem, segundo levantamento do 12º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. 

Se você se assustou com esse número, saiba que ele, com certeza, é muito maior. Com medo de ser agredida novamente, por dependência financeira ou afetiva, ou por qualquer outra razão, muitas mulheres se calam e escondem não só da sociedade, mas também das autoridades, as agressões sofridas. 

A omissão dos relatos, além de não permitir qualquer tipo de auxílio ou de socorro às vítimas, não favorece também que medidas legais possam ser adotadas conforme previsto na Lei Maria da Penha.

Outro fator que limita um estudo mais aprofundado do tema é a ausência dos números do Distrito Federal, Espírito Santo, Tocantins, Mato Grosso e Roraima, que não informaram seus dados ao Anuário.  

O Brasil trabalha também, mas de forma capenga, na tarefa de caracterizar os homicídios que devem ser tratados como feminicídios (crimes de ódio motivados por causa da condição de gênero). A alegação é a falta de padronização dos registros policiais.

A lei 13.104, que especifica os crimes de "violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação a condição da mulher", foi sancionada no dia 9 de março de 2015, mas até hoje alguns estados ainda não separam os dados dos homicídios comuns dos cometidos por violência de gênero. 

Ceará, Rondônia e Tocantins colocam num mesmo cesto todos os assassinatos de mulheres. 

Mesmo com números limitados as estatísticas são de deixar o queixo caído. Você consegue imaginar que a cada duas horas uma mulher é morta em nosso país? 

Em 2017 foram contabilizados 4.539 homicídios dolosos, sendo 1.133 considerados feminicídios. Houve um crescimento de 6,1% dessas ocorrências em relação ao ano anterior. 

O feminicídio só perde nas estatísticas para um dado ainda mais chocante. Segundo as autoridades de segurança o tráfico arrasta uma fatia muito maior para a morte. Grande parte das mulheres que se metem nesse ambiente acaba executada.

Segundo a Organização Mundial da Saúde o Brasil ocupa o sétimo lugar no absurdo ranking de homicídios femininos entre 83 países.

O homicídio é muitas vezes o fim de um longo ciclo de violências. Geralmente as crises começam com assédio físico até que vem os espancamentos. Esse é o pior sinal rumo ao último ato. 

O que se vê nas tevês é muito pouco perto da cruel realidade, mas tem que ser considerado um importante alerta para se evitar o trágico fim de milhares de outras histórias de violência contra a mulher. 
  
                                 A brasileira Melissa engrossa uma das mais absurdas estatísticas de violência contra a mulher

 

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Cláudia Romualdo

Cláudia Romualdo

Parabéns por abordar um tema tão importante! Precisamos por um fim nas agressões às mulheres! Chega de impunidade! Durante meus anos de trabalho, vi inúmeros casos como esse, mas o quê doía muito era ver que, grande parte das vítimas, ao perceberem que seus agressores seriam levados para a Delegacia, quase implorava para que seus agressores não fossem presos, que tudo aconteceu porque "ele estava com a cabeça quente" ou, ainda pior, diziam: "ele me bateu mas a culpa foi minha". Muito triste!
★★★★★DIA 03.10.18 16h07RESPONDER
Guilherme Mendes
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Claudia, muito obrigado por estar presente em nosso blog sempre. 

★★★★★DIA 03.10.18 20h55RESPONDER
N/A
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