Mesmo com Sérgio Cabral preso e com Garotinho e Rosinha em liberdade vigiada, respondendo a vários processos, Pezão se arriscou em comandar mais um esquema de corrupção
A cara de pau do governador do Rio de Janeiro
  1. A população do Rio de Janeiro está incrédula. Desde 1988, todo governador que foi eleito no estado é acusado de falcatrua. A conta que você fez está correta. Durante 20 anos os cofres públicos cariocas foram saqueados pelos gestores fluminenses. Não é atoa que o estado tem uma dívida pública gigante. Segundo o site do Banco Central, ao final do mês 9 (setembro), os valores exatos eram de R$ 93.917.186.614,29 (leia-se bilhões). Só São Paulo e Minas Gerais deviam mais. Se os quatros governadores devolvessem tudo o que eles carregaram não pagaria nem 10% do que o falido Rio tem a saldar, mas se os acusados se preocupassem com a saúde financeira do estado os salários de servidores estariam em dia, milhões poderiam ter sido investidos em saúde pública, educação, segurança e programas de moradia ao invés de estarem em contas privadas desses larápios. Mais inacreditável ainda é ver que os antecessores se deram muito mal com a justiça e, mesmo assim, o atual governador embarcou na onda de enfiar a mão em uma grana que não era dele. 

Luiz Fernando Pezão não tem sobre si a acusação de ser o que mais roubou no Rio de Janeiro. A proeza dele foi a de se tornar o primeiro governador da história carioca a ser preso durante o mandato. A Pezão ainda é imputada a denúncia de ser o sucessor de Sergio Cabral, preso em Bangu, no comando da organização criminosa que fazia todo tipo de trapaça. Os números ainda são preliminares, mas já se fala na casa de 40 milhões de reais. 

No Legislativo Fluminense a barra é igualmente pesada. Os três últimos presidentes da Alerj já passaram um tempo em cadeias. Também estão encarcerados dez dos atuais 70 deputados estaduais, cinco dos seis Conselheiros do Tribunal de Contas do Estado e o procurador-geral do Ministério Público carioca, Cláudio Lopes. Mas a prisão de Pezão poucos por lá esperavam. 

 

O menino de pé grande que virou governador 

 

Luiz Fernando de Souza nasceu em Piraí, uma cidade do interior do Rio de Janeiro, no dia 29 de março de 1955. Ganhou o apelido de Pezão por causa dos grandes sapatos que sempre precisou usar desde a infância. Hoje ele calça 47. Foi goleiro de futebol nas peladas e se diverte quando conta a atuação dele no gol: "Eu era goleiro, e as pessoas falavam que eu agarrava com o pé. Diziam que era só eu abrir os pés que já fechava o gol". 

Nos estudos se formou em economia e administração de empresas pela Universidade Estácio de Sá. O começo na carreira política foi como vereador em dois mandatos. Depois se tornou prefeito de Piraí e se reelegeu uma vez. O grande salto na vida pública veio com a nomeação para subsecretário estadual de Governo e de Coordenação da governadora Rosinha Matheus em 2005. 

Juntou-se a Sergio Cabral Filho na eleição para governador em 2006. Pezão era o vice na chapa. Ganharam e se enfiaram em dois mandatos consecutivos. Esteve à frente de vários projetos quando ocupou também a Secretaria Estadual de Obras. É desse desempenho que veio a popularidade para assumir algo maior. 

No final de 2014, ganhou no segundo turno a eleição para o Governo Estadual com mais de quatro milhões de votos, derrotando Marcelo Crivella. Estava aberta a porta para o Rio conhecer o verdadeiro Pezão. 

  

Operação Lava Jato pegou mais um

 

A primeira bronca com o nome de Pezão surgiu em março de 2015. O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou, em depoimento de delação premiada, que o ex-governador Sérgio Cabral Filho e Pezão teriam recebido 30 milhões de reais de caixa 2. 

Escapou ileso porque a Polícia Federal pediu o arquivamento do inquérito, mas outras revelações não pararam de surgir. 

Em dezembro do mesmo ano, o doleiro Alberto Youssef reafirmou que a campanha de Cabral recebeu 30 milhões de reais desviados de obras da estatal. Pezão continuou negando ter recebido qualquer auxílio de Paulo Roberto Costa.

 

Cassação e delação

 

Em fevereiro de 2017, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro cassou o mandato de Pezão e do seu vice Francisco Dornelles por abuso de poder econômico e político na eleição. A votação foi apertada, 3 a 2. Mas o Tribunal Superior Eleitoral acolheu o recurso da chapa e anulou a decisão do TRE-RJ sob a alegação de que faltaram os votos de dois juízes ausentes no julgamento do Rio. O tempo seguiu até que a Polícia Federal apareceu no Palácio das Laranjeiras para prender o governador por mais um monte de acusação. 

A casa do governador Pezão começou a cair quando o operador financeiro de toda a roubalheira de Sérgio Cabral deu com a língua nos dentes. Enrolado até o pescoço, Carlos Miranda topou fazer a tal deleção premiada. O conhecido "Homem da Mala" abriu o bico no Ministério Público e contou muito do que sabia e fez. Foi aí que o atual governador se estrepou. Até então, os cariocas se perguntavam como podia logo um secretário de obras de um governo tão corrupto como o de Sérgio Cabral não ter participado de nada? 

Pezão não só tinha mordido o osso como assumido o comando de todo o esquema ao se tornar o número 1 do Rio.

 

O que já se sabe

 

Não foi só Miranda que entregou o apetitoso governador. Essa semana, em uma audiência na Polícia Federal que durou nove horas, três deputados estatuais que estão presos (Paulo Melo, Jorge Picciani e Edson Albertassi) teriam confirmado crimes do colarinho branco que o governador fez parte. O maior suspeito de ter entregado Pezão é Paulo Melo. 

A Operação que trancafiou Pezão foi batizada de Boca de Lobo por causa de tamanha sujeira. O Ministério Público Federal e a Polícia Federal usaram revelações da delação de Carlos Miranda como motivos para pedir a prisão do governador. Miranda revelou que o chefe do executivo carioca recebia uma mesada de R$ 150 mil quando foi vice de Cabral. A propina incluía pagamento de 13º e dois bônus de R$ 1 milhão como prêmio. Pezão ainda mordia 5% de contratos administrativos. 

Para o MPF, Pezão sucedeu a Sergião no Palácio Guanabara e no esquema de corrupção que já existia, mas foi ainda mais ousado articulando a sua própria organização criminosa. Ao padrinho Cabral, mesmo atrás das grades, mandava todo mês 400 mil como agradecimento. 

Quando é perguntado se não se sente incomodado por ser chamado de Pezão, o político costuma dar a seguinte resposta: "Nunca me importei com o apelido. Hoje, ninguém sabe quem é Luiz Fernando".

Mas agora todo mundo sabe quem é o verdadeiro Pezão.

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Magui Só

Magui Só

Parece até complô para acabar com o senso de humor carioca que ficou tão forte que esqueceu da realidade e deixou rolar a seriedade
★★★★★DIA 30.11.18 16h56RESPONDER
Guilherme Mendes
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

O Rio de Janeiro é um estado fantástico, que tem muito trabalhador correto, gente que luta muito, que vive em precárias condições e que mereciam gestores no mínimo mais responsáveis. Magui, abraço e bom final de semana para você. 

★★★★★DIA 30.11.18 20h09RESPONDER
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ALEX MACHADO QUINTINO SANTOS

ALEX MACHADO QUINTINO SANTOS

A impressão e certeza que fica é que os políticos cariocas buscam se eleger unica e exclusivamente para se enriquecerem ás custas do estado. A ineptocracia e cleptocracia são as bases da administração publica carioca. O RJ deveria ter sido olhado mais de perto, pela Justiça, a 20 anos atrás.
★★★★★DIA 30.11.18 12h21RESPONDER
Guilherme Mendes
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Alex, parece que criou raiz essa praga. Abraço e bom final de semana para você. 

★★★★★DIA 30.11.18 20h12RESPONDER
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Bolsonaro Moro

Bolsonaro Moro

desde 88 roubam os cofres públicos no RJ...este sistema político do Brasil tem que ser repensado.
★★★★☆DIA 30.11.18 11h02RESPONDER
Guilherme Mendes
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Infelizmente, enquanto se trabalha por um lado para punir os faltosos na outra ponta a Presidência da República cria um indulto de Natal para diminuir a pena dos culpados. Obrigado pela visita ao blog. Venha sempre participar desse espaço com a gente. Abraço 

★★★★★DIA 30.11.18 11h13RESPONDER
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