Dirigentes trabalharam mal a reformulação para a temporada 2019, e tricampeão da Europa corre risco de afundar sem um comandante a lá Zizou
A nau sem rumo do Real Madrid em águas de bacalhau

Time que está ganhando não se mexe, correto? Esse ditado antigo do futebol poderia ter sido a fórmula perfeita para o poderoso Real Madrid continuar enchendo as prateleiras do estádio Santiago Bernabéu de troféus. Poderia se o clube merengue não tivesse um presidente de personalidade forte. Ao trombar com as escolhas do técnico Zinedine Zidane e não aceitar dar aumento ao craque Cristiano Ronaldo, Florentino Pérez se meteu em um mar de ondas gigantes que ameaçam afundar o Titanic de Madri.

 

A nau sem rumo do Real Madrid em águas de bacalhauFlorentino Pérez, presidente do Real Madrid

 

Os dias na capital da Espanha no final de maio pareciam perfeitos. O Real conquistara pelo terceiro ano consecutivo a Liga dos Campeões da Europa, o mais cobiçado título dos clubes do Velho Continente. Céu de brigadeiro e águas tranquilas para o gigante madrilenho continuar navegando.

Mas quem disse que time vencedor também não tem problema? E bota dor de cabeça nisso quando o barco ameaça virar por causa de vaidades. 

 

Florentino x Zidane

 

As apurrinhações internas começaram com a interferência de Pérez no início do ano. Florentino queria comprar mais um goleiro, mas Zidane foi contra. Nos bastidores, o buxixo era de que o treinador estava tentando defender seu filho Luca, o terceiro arqueiro do time.

 

A nau sem rumo do Real Madrid em águas de bacalhauLuca Zidade, terceiro goleiro do Real Madrid

 

O manda chuva passou, então, a falar na contratação de um novo centroavante para o lugar de Benzema, mas de novo Zidane meteu o pé no freio das vontades do presidente.

 

A nau sem rumo do Real Madrid em águas de bacalhauBenzema e o ex técnico do Real Madrid, Zinedine Zidane

 

O terceiro ponto de discordia entre eles diz respeito a saída do craque Cristiano Ronaldo. Fã do gajo, Zizou disparou: “Não vejo o Real Madrid sem Cristiano Ronaldo. Cristiano tem de ficar de qualquer jeito”.

 

A nau sem rumo do Real Madrid em águas de bacalhauCristiano Ronaldo em um dos últimos jogos pelo Real Madrid

 

A gota d'água foi uma reunião realizada três dias depois da conquista da Champions. O presidente voltou a insistir na aquisição de um novo dono para a camisa 1 e Zidane perdeu a paciência.

 

Águas de bacalhau

 

A despedida do técnico em uma coletiva abalou Madrid. Poucos dias depois, Ronaldo também anunciou que estava indo embora. O maior ídolo do Real queria ter seu salário elevado ao topo dos mais bem pagos do mundo, como Messi e Neymar. Florentino não concordou em dar uma grana a mais e o português se tornou a segunda baixa.

Para entender melhor a queda de braço de Pérez com Ronaldo, veja como o site português Record narrou os últimos capítulos:

"A história conta-se assim: após a final da Liga dos Campeões da época passada (2016/17, na qual o Real Madrid venceu a Juventus), Florentino Pérez garantiu que iria renovar o contrato de Cristiano Ronaldo (cujo atual vínculo expira em 2021) por valores mais próximos da conjuntura atual, colocando o melhor jogador do Mundo no patamar dos seus ‘rivais’ Messi e Neymar.

Esse aumento foi acertado e, sabe Record, confirmado posteriormente através e um telefonema direto de Florentino para Cristiano. Acontece que o tempo foi passando e... nada. A promessa não passou ao papel. O presidente merengue não cumpriu a sua palavra.

Houve avanços e recuos durante este último ano, mas ficou tudo em águas de bacalhau".

Depois de nove anos na Espanha, o astro português partiu em direção a Juventus, da Itália.

 

A era Lopetegui

 

Sem treinador e sem uma grande estrela no time, Florentino investiu primeiro no técnico e convidou o comandante da seleção espanhola para assumir o posto depois da Copa do Mundo.

Julen Lopetegui aceitou, mas o acordo entre as partes vazou e criou um enorme mal estar. A Federação Espanhola se sentiu traída porque tinha acabado de renovar contrato com o "professor". Indignado, o presidente da entidade máxima do futebol espanhol mandou Lopetegui arrumar as malas e sumir da Rússia nas vésperas da estreia da Fúria na Copa.

Desolado, Julen correu para Madri e foi apresentado pelo novo clube em uma coletiva com uma generosa dose de emoção do treinador.

 

A nau sem rumo do Real Madrid em águas de bacalhauJulen Lopetegui em seu primeiro dia no Real Madrid 

 

O passo seguinte de Pérez foi a sondagem para ter Neymar com a camisa 10 do Real, mas a negociação morreu logo nos primeiros dias. O brasileiro teria descartado uma volta a Espanha naquele momento, ainda mais para o grande rival do Barcelona.

Depois de muitas temporadas o Madrid ficou sem uma mega estrela da bola. O croata Luka Modrić, eterno coadjuvante nos tempos de Ronaldo no Real, foi eleito o melhor jogador da Copa do Mundo e passou a carregar a obrigação de ocupar a lacuna de grande ídolo madrilenho.

 

A nau sem rumo do Real Madrid em águas de bacalhauLuka Modrić comemorando o título da Champions League em 2018

 

Mas desde que começou o Campeonato Espanhol e o Real estreou na Champions a bola não tem corrido bem por lá. Com apenas 8 rodadas na La Liga o Madrid está em quinto lugar, somente a dois pontos do líder Sevilla, mas com atuações que não convencem.

Neste sábado o time recebe o Levante. Uma otima chance para voltar às vitórias (nas últimas três rodadas perdeu 2 jogos e empatou 1) e acabar com a secura de gols que já dura 409 minutos.

Os merengues estão muito perto de igualar o pior jejum da sua história. Em 1985, o Real ficou 464 minutos sem assinalar um gol. Um resultado ruim no confronto de daqui a pouco pode custar o cargo de Lopetegui, segundo anda especulando a imprensa espanhola.

É nesse maremoto que ressurgiram os rumores de uma nova investida de Pérez no craque brasileiro. Até aqui, Neymar crava que não tem nada.

Enquanto isso, Cristiano Ronaldo segue fazendo seus gols, agora na Itália (foram 4 com a camisa da Velha Senhora em 9 partidas).

 

A nau sem rumo do Real Madrid em águas de bacalhau

 

Talvez agora o presidente, que adora dar palpites e não mede palavras, entenda que mexer em time que está ganhando nunca foi um bom negócio. Como aprendi com os lusos, o mar pode ficar em águas de bacalhau.

 

A nau sem rumo do Real Madrid em águas de bacalhau 


* Ficar em águas de bacalhau é uma expressão portuguesa utilizada para algo que não foi para frente, que não saiu do lugar ou não deu em nada.

* No jogo contra o Levante, o Real sofreu nova derrota, mesmo jogando em casa, pelo placar de 2 a 1. O lateral Marcelo marcou o gol dos madrilenhos no segundo tempo, quando o time já tinha completado 480 sem balançar as redes. Um novo recorde negativo na história do campeão europeu.

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