Estatal tenta terminar o governo Temer vendendo uma imagem de empresa limpa, livre de saqueadores que assaltaram os cofres da estatal

Um dia depois das eleições do segundo turno a empresa lançou a campanha na mídia. As imagens são simples, mas dizem muito. Um carro está sendo lavado com uma câmera a bordo enquanto as letrinhas aparecem na tela mostrando as dez medidas que foram tomadas pela estatal para evitar ser vilipendiada por novos oportunistas. O veículo segue devagar é ao fim da lavagem sai em uma porta com uma imensa claridade, singelamente mostrando que tem uma luz no fim do túnel.

O filme é bem bolado. Foi produzido pela agência DPZ&T. A mensagem, sem nenhuma gritaria, dá o recado para a população. Segundo a própria Petrobras divulgou, serão ao todo três comerciais institucionais, dois a serem exibidos em TV e um nos cinemas. A campanha chamada de "Confiança" vai abranger ainda jornais e internet. Além das medidas anunciadas de prevenção e combate à corrupção, a estatal fala ainda que já conseguiu recuperar 3 bilhões de reais do dinheiro que os ladrões do patrimônio público carregaram.

A empresa colocou a seguinte mensagem em seu site próprio para explicar o que pretende. Fica tranquilo que o texto deles é curto:

"Conheça nossas 10 principais ações anticorrupção

Enfrentamos uma crise sem precedentes na história da companhia e, após um trabalho árduo de aprimoramento dos nossos controles internos, podemos nos posicionar perante a sociedade e dizer que viramos esta página.

Para isso lançamos uma campanha intitulada “Confiança” com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre as medidas que a companhia vem implementando para aprimorar a prevenção e o combate à corrupção.

As medidas, que reforçam nossas ações anticorrupção, foram sintetizadas em 10 mensagens:

Colaboramos ativamente com as investigações;
Responsáveis por irregularidades foram punidos e estão respondendo na Justiça;
Recuperamos mais de R$ 3 bilhões do dinheiro desviado;
Criamos um canal de denúncias independente;
Contratamos especialistas reconhecidos pelo combate à corrupção;
Tornamos mais rigorosos o controle e a prevenção;
Nenhum executivo contrata mais nada sozinho;
Todo fornecedor passa por uma análise de integridade para fazer negócios conosco;
Contamos com alta liderança mais técnica e respeitada pelo mercado".

 

A suja Petrobras

 

A justificativa da Petrobras para adotar a campanha foi baseada em pesquisas que mostraram que a maioria das pessoas não tem conhecimento sobre as ações de governança e conformidade realizadas pela empresa nos últimos anos.

Já era para os filmes estarem sendo exibidos. Eles foram feitos no primeiro semestre, mas por causa da lei que impede veiculação de publicidade institucional em época de período eleitoral, a empresa precisou guardar nos cofres para que ninguém visse antes da hora.

 

Petrobras, um sonho brasileiro 

 

A ideia de se criar uma empresa que explorasse o petróleo brasileiro surgiu após a Segunda Guerra Mundial. Duas correntes defendiam ideias opostas. Havia os que achavam que a exploração deveria ser da iniciativa privada, aberta também a empresas estrangeiras, e a turma que pensava diferente, com aquela história de que o petróleo é nosso. Portanto, só o governo brasileiro poderia arrancar o ouro negro do sub solo e nas bacias oceânicas.

 

A suja Petrobras  Campanha para o petróleo ser explorado só pelo Brasil

 

A polêmica acabou em 1953 com uma lei federal assinada pelo presidente Getúlio Vargas. Mas os primeiros anos foram de total frustração. Os poços abertos não tinham petróleo de qualidade para ser explorado ou não valiam comercialmente. Só no fim dos anos 60, com a construção da primeira plataforma em alto mar, em Sergipe, e em 1974, com a descoberta da Bacia de Campos, o negócio andou.

Uma mudança significativa da exploração do petróleo ocorreu em 1997, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou uma lei colocando fim ao monopólio brasileiro. Empresas estrangeiras foram autorizadas a fazer exploração por aqui, mas tendo que obedecer a legislação brasileira.

 

A suja Petrobras Plataforma de exploração do pré sal

 

Dez anos depois o país anunciou a descoberta do pré-sal, na Bacia de Santos. O Brasil enxergava finalmente a chance de ser auto suficiente na produção de petróleo, sem necessidade de importação no futuro.

 

A corrupção que manchou a Petrobras

 

Tudo parecia que ia muito bem quando em 2014 estourou o escândalo da Petrobras e a corrupção na empresa. De lá para cá, foram encarcerados vários executivos e ex executivos da empresa acusados de surrupiar bilhões em transações que envolviam dinheiro de obras e de negócios escusos com o intuito de encher seus próprios bolsos e de políticos.

A empresa entrou em uma grave crise moral que, juntamente com as oscilações do mercado de petróleo mundial e negócios mal feitos, levaram a estatal a um rombo de mais de 70 bilhões de reais em suas contas, sendo 40 bilhões em corrupção.

 

Pasadena, uma vergonha sem explicação

 

O escândalo mais propalado envolve a refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. A história é assim:

Em 2005, 100% da refinaria foi comprada pela empresa belga Astra Oil por US$ 42,5 milhões. Um ano depois a Petrobras resolveu fazer parte do negócio e adquiriu 50% de Pasadena pagando US$ 360 milhões. O pior ainda estava por vir. Anos depois os sócios se desentenderam e devido a uma decisão judicial a estatal brasileira foi obrigada a comprar os outros 50% da participação da empresa belga. No final das contas, Pasadena acabou custando US$ 1,18 bilhão à Petrobras.

 

A suja Petrobras  Refinaria de Pasadena, no Texas

 

Em delação premiada, o ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, confessou ter havido pagamento de propina na compra da refinaria.

O ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e Pedro Barusco, ex-gerente de serviços da estatal, são alguns dos poderosos da companhia que foram presos com as investigações.

Em 194 acordos de colaboração premiada firmados pelo Ministério Público de Curitiba, Rio e Brasília, o total a ser recuperado pela operação será de R$ 13,4 bilhões.

 

 A suja Petrobras Nestor Ceveró, ex diretor da área internacional da estatal

 

A campanha lançada ontem traz a seguinte assinatura que diz muito: “Não existe caminho fácil. Existe o caminho certo”.

E esse ainda é um longo caminho a ser passado a limpo.

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