As autoridades não admitiram publicamente que era uma forma de amedrontar o grupo radical, mas para a imprensa internacional foi uma resposta clara a ameaça de novos atentados
Arábia Saudita executa 37 condenados por terrorismo depois de um frustrado ataque do Estado Islâmico

A Arábia Saudita é um dos maiores países islâmicos e também um dos mais severos na punição a condenados. Recebem a sentença de pena de morte que foi culpado por terrorismo, homicídio, estupro, roubo armado e tráfico de drogas.

Só no ano passado 149 criminosos foram executados por carrascos. Esse ano a tendência é que o número seja muito maior. Apenas nos primeiros quatro meses de 2019, cerca de 100 condenados já tiveram suas penas capitais cumpridas.

As execuções dessa semana aconteceram em Riad, Kassala, Al Qasim, Asir e
nas cidades santas de Meca e Medina. De acordo com o Ministério do Interior todos os 37 condenados eram cidadãos da Arábia Saudita. As execuções aconteceram depois que o Tribunal de Apelação, o Tribunal Supremo e um decreto real confirmaram as penas.

"O Ministério do Interior reitera que este país não desistirá de dissuadir qualquer um que possa pensar em ameaçar a segurança ou a estabilidade assim como os sauditas e os residentes em seus territórios, acrescentando que continuará resoluta e firmemente a buscar a Justiça por meio da aplicação das regras da sagrada Sharia a qualquer um que cruze os limites impostos por Alá", explicou o governo.

Ainda segundo a nota divulgada pelo Ministério, as pessoas executadas foram condenadas por crimes como adoção de ideologia extremista, formação de células terroristas, desestabilização da segurança, assassinato de soldados, traição por colaboração com entidades hostis ao reino, ataques com explosivos a instalações de segurança e a cooperação com "organizações inimigas".

A nota do Ministério terminou com frases ameaçadoras as pessoas que aabraçarem as causas dos grupos radicais: "Também alerta qualquer um que cometa atos de terrorismo e criminosos que a Sharia prescreve punições".

Diferentes formas foram usadas nas execuções. A maioria foi decapitada por golpe de cimitarra ou fuzilamento. Dois deles ainda tiveram os corpos presos no alto de postes para servir de exemplo.

A execução mais brutal foi a de um homem chamado Khaled Abdulkarim Saleh Al-Tuwaijri. Ele foi crucificado, mas o Governo não explicou o motivo para tal sentença. Normalmente, a pena por crucificação é aplicada em crimes considerados extremamente graves e não tem sido uma modalidade muito comum no país nos últimos anos.

As execuções pareceram uma resposta rápida ao atentado do último domingo a um edifício das forças de segurança sauditas na província da Al-Zulfi, que fica 260 quilômetros ao norte de Riad. Os autores teriam sido integrantes do grupo jihadista Estado Islâmico do Iraque e da Síria. No atentado, três agentes foram feridos e os quatro terroristas acabaram mortos. No dia seguinte, as autoridades anunciaram ainda a prisão de 13 suspeitos de "atos terroristas".

As últimas execuções em massa na Arábia Saudita tinham acontecido em janeiro de 2016, quando 47 pessoas condenadas por "terrorismo", incluindo o líder religioso xiita Nimr Baqir Al-Nimr, foram executadas no mesmo dia.

A morte do religioso provocou fortes reações no Irã. Várias representações diplomáticas sauditas foram atacadas no país.

Na sequência, os sauditas romperam relações diplomáticas com os iranianos, acusando os vizinhos de "desestabilizarem" o Golfo Pérsico e de interferirem nos assuntos internos dos países da região.

 

A rigorosa legislação

 

As execuções dos 37 acusados de terrorismo, essa semana, reforçam a teoria de que a Arábia Saudita está entre os países que mais aplicam a pena de morte no mundo. Organizações internacionais rotulam os sauditas como um dos povos mais distanciados do conceito de direitos humanos.

Em 2017, a justiça ordenou a execução de 146 condenados. No ano passado, as autoridades executaram 149 presos.

O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman chegou a prometer empenho para reduzir o número de pessoas sujeitas a pena máxima no reino. Mas, ao mesmo tempo em que tenta passar uma imagem menos dura do país com seus sentenciados, a governo repete sempre que está em guerra contra "todas as formas de terrorismo".

A forte campanha do reino contra o terrorismo se deve ao fato da Arábia Saudita ter sofrido uma onda de atentados no início do século por parte de grupos jihadistas.

Para a organização Anistia Internacional (AI), a Arábia Saudita tem dado uma interpretação rigorosa as leis islâmicas e hoje aparece entre os que mais aplicam a pena capital.

No relatório mundial sobre as penas de morte em 2018, a AI informou no dia 10 de abril que as nações que recorreram mais vezes às execuções foram Irã (253), Arábia Saudita (149), Vietnã (85) e Iraque (52). A China também adota as execuções em grande número, mas o país asiático não divulga suas estatísticas.

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