Se você pensa que o Brasil ainda tem muito conservadorismo, é porque não conhece o que se proibi lá fora até hoje
Na Turquia mulher não pode chupar sorvete e na China homem é proibido de usar brinco

A primeira notícia veio de um município do lado europeu da Turquia. Uma mulher foi contratada para fazer um levantamento sobre os bons modos das senhoras e senhoritas da cidade de Bagcilar. Arzu Arda causou um debate caliente na cidade ao dizer, entre outras coisas, que as donzelas pecam pela "falta de elegância" ao deglutirem os gelados. E teve mais. Ela aponta a postura equivocada das mulheres nas ruas ao tomarem condução. Mascar chicletes, então, nem pensar. Na China a censura deu um puxão de orelhas nos homens que usam brincos nos canais de Tv. As imagens de quem se atreve a desobedecer são desfocadas.

 

A Turquia de Erdogan quer ensinar bons modos

 

Um bom começo para entender essas bizarrices devemos ir direto para o lado europeu da Turquia. Talvez alguns não saibam que o país fica localizado em dois continentes. Tem um pedaço do território que é europeu e outro asiático.

O lugar é muito bonito e tem uma cultura bem diversificada por causa da sua formação. A maioria dos habitantes fala a língua turca, mas 18% se comunicam em curdo.

A capital é Ancara, mas a maior cidade é Istambul, com 13 milhões de habitantes. Essa megalópole foi erguida com uma parte em cada continente.

A maior fatia da população turca mora na banda asiática do país. Mas foi do lado europeu que surgiu a polêmica que vem ocupando a curiosidade do mundo ocidental. Tudo começou com um estudo encomendado pela câmara municipal de Bagcilar. A ideia era conhecer um pouco melhor o comportamento das mulheres e o que elas deveriam fazer para melhorar seus padrões.

A dona da pesquisa é uma mulher chamada Arzu Arda. A fina senhora listou alguns pontos que poderiam tornar mais glamourosa a postura das belas turcas em público.

Os cursos foram abertos em meia a uma avalanche de críticas em redes sociais.

"Falamos (no curso) de como nossas mulheres devem se comportar de maneira correta", comentou ao jornal "Milliyet" a criadora da atividade.

Arzu começa criticando o que considera uma falta de elegância do comportamento das mulheres nas ruas: "Nem sequer sabem entrar e sair do transporte público", queixa-se.

O curso dura duas semanas e parte do princípio que é importante identificar "atitudes indecorosas" das mulheres como mascar chiclete e falar ao telefone sobre coisas íntimas em público.

Um capítulo é dedicado as maquiagens. A "doutora" desaconselha terminantemente a usar cores e tons fortes e publicar imagens bebendo nas redes sociais.

Mas o que tem causado o maior rebuliço são os aconselhamentos para as mulheres não tomarem sorvete em público.

Ah! tem dicas sobre como abordar assuntos com homens desconhecidos. Jamais se deve perguntar se são casados ou se têm filhos.

Dona Arzu Arda tem um grande respaldo no curso que ela tem dado. É que o islamita Partido de Justiça e Desenvolvimento (AKP), é o mesmo do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. O AKP é também o que comanda a câmara municipal de Istambul (entre muitos outros municípios e regiões), e é um forte defensor do papel tradicional da mulher.

Para Erdogan, "uma mulher é, acima de tudo, uma mãe" à qual "não se pode dar independência e liberdade", pois, isso "destruiria o conceito de família". Palavra de presidente.

 

Na Turquia mulher não pode chupar sorvete na rua e na China homem é proibido de usar brinco na TV. Recep Tayyip Erdogan - presidente turco

 

Na China "macho" não usa brinco na TV

 

Se você se assustou com o preconceito turco, espere para ler o que vem de outro país asiático.

A população começou a perceber que muitas imagens de homens nas TVs estavam parecendo parcialmente desfocadas.

Os borrões são sempre na altura das orelhas dos atores.

 

Na Turquia mulher não pode chupar sorvete na rua e na China homem é proibido de usar brinco na TV.

 

Vamos começar entendendo um pouco sobre como funciona a comunicação de massa na China. Primeiro é importante dizer que as emissoras de televisão do país são estatais. Todas são fortemente reguladas e sujeitas à censura do governo.

Antes de os programas serem exibidos, o gabinete local do Partido Comunista analisa com meses de antecedência cada produção para aprovar oficialmente o que vai ser veiculado para os telespectadores.

Tudo precisa ser rigorosamente documentado. Se for conteúdo estrangeiro, esse processo pode levar mais tempo. A regulação não se enquadra só para as televisões. O conteúdo de internet passa pelo mesmo crivo.

O que agrava a questão é o enraizado sentimento machista na China. Celebridades que apresentem características "femininas" se tornam tema de grande controvérsia no país. Isso já dura há muitos anos.

Sem nenhum pudor, as tvs chinesas passaram a borrar parte das orelhas dos atores para disfarçar o uso dos adereços. A população percebeu logo que tinha alguma coisa errada e correu para as redes sociais afim de protestar.

Na rede Weibo, um usuário tratou a maquiagem das imagens com ironia. "Os homens que usam brincos são afeminados. Genghis Khan era afeminado. Temos que tirá-lo dos nossos livros de história", escreveu, em citação ao grande conquistador mongol do século XIII.

Os mais críticos lembraram que "há dois pesos e duas medidas", já que as atrizes podem mostrar as orelhas com brincos.

"Quem pode afirmar que isso não é sexismo? Por que só os homens não podem mostrar as orelhas com brincos? Retrocedemos 100 anos", escreveu um usuário da rede social.

O que não falta é argumento questionador. Uma pessoa escreveu que a medida é uma "discriminação sexual tácita".

Mas não se iluda pensando que é voz corrente as condenações dos asiáticos. Muitos saíram em defesa da censura e escreveram que assinam embaixo a decisão conservadora. "Concordo que o governo deve se envolver nessa questão. Os homens devem parecer homens", escreveu um internauta.

Os mais agressivos dispararam dizendo que homens que usam brincos são "esquisitos" e "afeminados". Um usuário do Weibo questionou por que usar brincos se converteu em algo tão polêmico.

"Algumas pessoas dizem que isso influenciaria negativamente as crianças. Se isso é algo capaz de causar influência negativa numa criança, que tipo de sistema educacional vulnerável temos neste país?"

O tema se espalhou pela China e tem todo tipo de argumento de prós e contras às medidas do governo. A maioria condena o que eles chamam de "censura" do governo.

O problema é que o time do presidente Xi jinping tem uma dificuldade enorme em vigiar os aplicativos que exibem conteúdo próprio, com transmissões ao vivo e sem nenhum controle das autoridades.

Enquanto isso, nas redes sociais aumenta cada dia mais a enxurrada de pauladas no governo. A internet está lotada de debates acalorados sobre o assunto. Para viralizar a questão foi criada uma hashtag em chinês que diz: "Os atores podem usar brincos". Mais de 88 mil pessoas já publicaram o símbolo da campanha.

A alimentada controvérsia sobre a exibição ou não das orelhas de atores só fez aflorar a questão do controle governamental sobre os conteúdos de programas de televisão na China.

Tudo o que se refere à cultura hip hop, as tatuagens e símbolos da comunidade LGBT tem sido bloqueado dos meios de comunicação.

Centenas de chineses recorreram às redes sociais para dizer que a censura é impulsionada pelo desejo do governo de "proteger papéis de gênero tradicionais".

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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tião medonho

tião medonho

outro dia no corredor do shopping fui surpreendido por um tiozinho de uns 50 anos vindo em direção contrario lambendo um enorme picolé de chocolate...confesso que aqui foi meio chocante...sou preconceituoso?
★★★☆☆DIA 20.01.19 12h27RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Tião, aí você me derrubou. Eu to com 55 e virei Tiozão a essa altura. Abraço. Rs

★★★★★DIA 20.01.19 15h12RESPONDER
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