A prática envolve a remoção ou o corte dos lábios e do clitóris. A Organização Mundial da Saúde considera "um procedimento que fere os órgãos genitais femininos sem justificativa médica"
As mulheres que tem parte da vagina decepada à força para serem “puras”

É tradição em cerca de 30 países na África e no Oriente Médio. Na Ásia e na América Latina também tem adeptos. Até entre populações imigrantes que vivem na Europa Ocidental, América do Norte, Austrália e Nova Zelândia as mulheres se mutilam. A remoção parcial ou de todos os órgãos sexuais externos femininos faz parte de um ritual para "preservar a virgindade, aceitação social, religião, desinformação sobre higiene, tornar a mulher 'casável' e ampliar o prazer masculino".

Pelos cálculos da Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 200 milhões de mulheres e crianças hoje já passaram pela mutilação genital feminina (MGF).

A técnica é conhecida também por circuncisão feminina. Através de uma lâmina de corte, muitas vezes sem anestesia, a "talhadora" remove parcialmente, ou total, o clitóris e a pele no entorno. Os pequenos e os grandes lábios também são retirados ou reposicionados.

Geralmente, depois é feita uma costura para deixar uma pequena abertura para que a mulher possa urinar, permitir que passe o fluído menstrual, mantenha relação sexual e até o parto.

 

As mulheres que tem parte da vagina decepada à força para serem “puras”

 

Como começou a MGF

 

A origem da MGF é totalmente desconhecida. Existem algumas teorias a respeito. Uma delas sustenta que a prática teria começado no reino de Kush (actual Sudão) no 1º ou 2º milênio aC.

Outras apontam o Egito como o berço das circuncisões de homens e mulheres.

Uma teoria muito difundida é a de que a infibulação (operação que consiste em fechar os orifícios genitais por uma sutura) tenha crescido bastante durante o período da escravidão. O motivo para "costurar as fêmeas" era torna-las incapaz de concepção, o que tornava as escravas mais caras.

Já na Europa do século XIX e nos Estados Unidos, muitos médicos psiquiatras defendiam a retirada do clitóris para tratar a loucura e a masturbação. Alguns acreditavam que a masturbação ou "irritação não natural" do clitóris, causava histeria, dor na espinha, convulsões, idiotice, manias e até morte.

 

As mulheres que tem parte da vagina decepada à força para serem “puras”

 

Métodos arcaicos e dolorosos

 

A prática até hoje é extremamente dolorosa e com vários riscos de infecção.

Como a abertura que fica após a MGF é muito pequena, as mães costumam ter sérias complicações durante o parto.

Problemas físicos e mentais ainda afetam as mulheres ao longo da vida, como explica ao site da BBC News Bishara Sheikh Hamo, da comunidade Borana, do Quênia.

"Fui submetida à mutilação quando tinha 11 anos. Minha avó me disse que era uma exigência para todas as meninas, que nos tornaria puras".

A cultural arcaica, que sobrevive a milênios, pode trazer sérios problemas à saúde. Ciclo menstrual irregular, problemas na bexiga, infecções recorrentes e a necessidade de cesárea estão entre as mais comuns.

"Você é um cubo de gelo. Não sente nada, não ama, não tem desejo", afirma Bishara.

Ela afirma que sua comunidade a ensinou "que um corpo significa sexo e que sexo é pecado. Na minha opinião, meu corpo se tornou uma maldição".

"Eu costumava me perguntar sempre: eu odiava sexo porque fui ensinada a ter medo dele ou realmente não importo com isso?"

Bishara relatou como foi a experiência dela. "Eu estava vendada. Depois eles ataram minhas mãos para trás, minhas pernas foram abertas e prenderam meus lábios vaginais".

"Depois de alguns minutos, comecei a sentir uma dor aguda. Gritei, gritei, mas ninguém podia me ouvir. Tentei me soltar, mas meu corpo estava preso".

"É um dos tipos de procedimentos médicos mais severos, e não há higiene. Eles usam o mesmo instrumento cortante em todas as garotas".

O único analgésico disponível era feito a partir de uma planta. "Há um buraco no chão e uma planta nesse buraco. Então, eles amarraram minhas pernas como um cabrito e esfregaram a planta em mim. E depois na próxima garota, e na seguinte, e na seguinte..."

Em alguns países, a MGF é considerada um rito de passagem à vida adulta e um pré-requisito para o casamento, mas quase sempre contra à vontade da mulher.

 

As mulheres que tem parte da vagina decepada à força para serem “puras”

 

Na Europa também

 

No Reino Unido, a mutilação é ilegal, mas a jurista Charlotte Proudman afirma que a prática tem crescido em bebês e é "praticamente impossível de ser detectada", já que as crianças não estão nas escolas ou não têm idade suficiente para denunciar isso.

Recentemente, uma mãe de Uganda se tornou a primeira pessoa no Reino Unido a ser condenada por ter mutilado sua filha de três anos. A sentença dela sairá no dia 8 de março.

No Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, lembrado neste 6 de fevereiro, o secretário-geral da ONU pediu o fim dessa "horrenda violação dos direitos humanos". Antônio Guterres afirmou que se algo não for feito de forma urgente contra essa barbaridade, mais 68 milhões de meninas e mulheres poderão ser mutiladas até 2030.

"A cada ano, quase 4 milhões de meninas estão em risco (sujeitas à mutilação)", acrescentou Guterres.

 

As mulheres que tem parte da vagina decepada à força para serem “puras”

Veja também

Olá, deixe seu comentário para As mulheres que tem parte da vagina decepada à força para serem “puras”

Enviando Comentário Fechar :/