Fechada a apuração do primeiro turno das eleições gerais no Brasil, os institutos de pesquisa saíram tão desprestigiados quanto tradicionais políticos que "morreram" muito antes de chegar na praia
Primeiro turno: o fracasso dos institutos e de governadores

Os primeiros resultados da eleição para Governador do Rio de Janeiro e de Minas Gerais deixaram os institutos de pesquisa na maior saia justa. Isso para ser elegante com a imagem deles.

Vamos começar pela vida dos cariocas. De ponta a ponta dos levantamentos, Eduardo Paes sempre apareceu em primeiro. Quem poderia alcançá-lo seria o ex-jogador Romário. 

Mas o resultado das urnas nem de perto confirmou os números do Ibope e do Datafolha. O eleitor fluminense jogou suas fichas em peso em Wilson Witzel, do PSC. Eduardo Paes, do DEM, ainda conseguiu chegar em segundo lugar. Mas o antes favorito Paes teve menos da metade dos votos de Witzel, enquanto o ex craque Romário foi pulverizado nas urnas. Terminou em quarto lugar com uma votação pífia. 

Primeiro turno: o fracasso dos institutos e de governadores
Romário, candidato do Podemos


Em Minas Gerais o vexame das pesquisas foi igual. A briga sempre esteve restrita a Antônio Anastasia, do PSDB, e Fernando Pimentel, do PT. Mas quem fechou o primeiro turno em primeiro, finalizada a contagem de votos, foi Romeu Zema, do Novo, com um milhão e trezentos mil votos a mais do que Anastasia. Pimentel ficou fora da disputa. 

As previsões para o senado, então, beiram ao ridículo. A ex-presidente Dilma Roussef tinha quase o dobro da preferência do eleitor sobre o segundo colocado, conforme assinalavam os institutos, mas ficou em um reles quarto lugar. 

A derrota do Governador Fernando Pimentel foi certamente uma das grandes decepções do PT. Pimentel, que nunca esteve na frente das pesquisas, foi atropelado, na última hora, por Romeu Zema. Nem um mandato de quatro anos, com a máquina nas mãos, ajudou Pimentel. Resta saber se a rejeição do eleitor foi em função do desgaste da imagem do partido ou a reprovação da administração do atual Governador.

Primeiro turno: o fracasso dos institutos e de governadores
Fernando Pimentel - Governador de Minas Gerais


São Paulo também tem uma contribuição considerável nesse "show de trapalhadas" das pesquisas quando o assunto é o senado. O petista Eduardo Suplicy era o líder até ontem. Hoje, quando os votos foram conhecidos, ele ficou em terceiro. 

Ainda sobre São Paulo, vale analisar o desempenho de Geraldo Alckmin, outro que sofreu uma derrota arrebatadora em 2018. O tucano foi reeleito em 2014 como governador do estado com 57,31% dos votos válidos. Em números exatos: 12 milhões, 230 mil, 320 votos. Agora, na disputa pela presidência da república, Alckmin e o PSDB mal ultrapassaram de 5 milhões, ficando em um modesto quarto lugar na corrida ao Palácio do Planalto.

Primeiro turno: o fracasso dos institutos e de governadoresGeraldo Alckmin - Governador de Sao Paulo

Agora vêm as explicações dos institutos:

O eleitor oscilou na vontade de votar; o número de indecisos era grande e as pessoas que se decidiram na última hora fizeram a diferença; quem venceu já vinha em um viés de crescimento nos últimos dias

Quem viu os analistas desses institutos de pesquisa, na véspera da eleição, com ar de profundos entendedores de tendências, e os viu depois da votação tentando encontrar palavras para explicar os resultados, no mínimo, se assustou com essa turma.

Em nenhuma das análises, a tal "margem de erro" serviu para amenizar os erros extravagantes que estes institutos cometeram. Datafolha e Ibope não só falharam feio. Eles saem do primeiro turno tão derrotados quanto os políticos que naufragaram nas urnas. 

Ou acertam no segundo turno ou vão perder, de maneira irreversível, o que lhes certa de credibilidade junto ao eleitorado país afora.

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