O excessivo destaque aos matadores encoraja outros jovens a cometerem a mesma barbaridade
Assassinos de Suzano podem inspirar outros matadores

É uma loucura pensar assim, mas estudos mostram o quanto os gestos desses loucos servem de terrível inspiração para muitos jovens e psicopatas. A fama que os doentes executores de inocentes conseguem, alimentam a insanidade de homens que sofrem com o sentimento de falta de atenção por parte de familiares, amigos, colegas e da sociedade. A teoria foi explicada pela professora americana Jaclyn Schildkraut, que há vários anos estuda massacres em escolas e universidades nos Estados Unidos.

Quem trouxe à tona o tema inquietante foi o site da BBC Brasil. Um dia depois do massacre em Suzano, a jornalista Alessandra Corrêa conversou com a professora de Justiça Criminal da State University of New York (Universidade Estadual de Nova York), em Oswego. A teoria defendida por Schildkraut é no mínimo preocupante, muito preocupante.

Para chegar a formulação da hipótese defendida por ela, Jaclyn estudou o comportamento característico dos autores de vários atentados desde que dois matadores protagonizaram um massacre em uma escola no Colorado, em 1999.

No dia 20 de abril, os alunos seniores Eric Harris e Dylan Klebold entraram atirando na Columbine High School. A carnificina resultou na morte de um professor e 12 estudantes. Vinte e uma pessoas ainda ficaram feridas.

Os autores planejaram um meticuloso plano que contou com o emprego de bombas para afastar os bombeiros, explosivos de propano, muita munição, armas branca e de fogo e até carros-bomba.

O desfecho da matança terminou na biblioteca da escola, que estava cercada por policiais. A dupla acabou cometendo suicídio. Mas o massacre perpetrado por eles ainda hoje é um dos mais comentados no mundo.

A covardia e a brutalidade de Eric e Dylan se tornaram, incompreensivelmente, inspiração para dezenas de autores de ataques que sucederam ao terror em Columbine. A afirmação é de Jaclyn Schildkraut.

Mas o que leva pessoas como os matadores das escolas do Colorado ou de Suzano a praticarem tantos assassinatos indiscriminadamente?

Não existe um único motivo que explique as atitudes de desvario dos matadores. Mas é possível seguir uma linha com o perfil psicológico dos atiradores. Para Schildkraut e alguns especialistas, os assassinos das escolas buscam chamar a atenção, fama e notoriedade ao promoverem os massacres.

Por outro lado, a mídia tem ajudado a alimentar a fantasia doentia dos psicopatas ao dar larga divulgação sobre quem são esses dementes.

Jaclyn lembra que no episódio da escola Columbine "foi a primeira vez em que realmente houve ampla cobertura de um tiroteio. A rede CNN interrompeu a programação diária para cobrir o evento ao vivo".

Pior ainda é constatar que "nos últimos 20 anos, a cobertura da mídia transformou os dois autores em heróis. De muitas maneiras eles se tornaram mártires, deuses para outras pessoas que querem cometer atos semelhantes. Jovens que nem haviam nascido na época estão hoje cometendo massacres e citando os autores de Columbine", afirma a professora americana.

Schildkraut entende que o foco da cobertura é um grande erro. "Tipicamente, a cobertura da mídia é centrada no atirador, em vez de focar nas vítimas ou nos heróis que responderam ao ataque. Isso recompensa essas pessoas por matar outras pessoas e incentiva outros ataques semelhantes. Você está dizendo àqueles com ideias semelhantes que também serão recompensados com fama se fizerem algo parecido, ou até pior", disse à BBC.

Autora do livro Mass Shootings: Media, Myths and Realities ("Tiroteios em massa: Mídia, Mitos e Realidades"), ela afirma que os matadores de Columbine e de outros ataques que ficaram famosos são citados até hoje por atiradores de vários países.

Jaclyn sugere que as postagens desses mentecaptos em redes sociais não mereçam destaque. As fotos dos matadores e os nomes deles também não devem ocupar grandes espaços. "Obviamente, é informação que está circulando e que o público sente que tem o direito de saber. Então, deve ser publicada, mas não gratuitamente".

No massacre em Suzano, oito pessoas foram mortas por dois jovens. Não foi o ataque que contabilizou o maior número de vítimas em uma escola no Brasil. A fúria de um ex aluno de uma instituição de ensino em Realengo, em 2011, levou a morte de 12 estudantes e deixou 13 feridos. O autor da barbárie se matou. Em Janaúba, no norte de Minas, o incêndio em uma creche em 2017, teve outro resultado horripilante. O vigia que ateou fogo no local cheio de crianças provocou a morte de 10 meninos. Três professoras também vieram a óbito. O funcionário que provocou a matança suicidou-se.

Em Suzano o mundo assistiu a algo bem parecido. Resta esperar que a teoria da propaganda de débeis heróis não se torne uma realidade por aqui. Afinal, de admiráveis eles não têm nada. Todos não passam de covardes assassinos que executam inocentes sem nenhuma chance de defesa.

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gessi simoes

gessi simoes

Infelizmente o brasileiro gosta de copiar tudo dos estrangeiros do primeiro mundo, ainda mais se tratando de insanidades. Agora coisas boas quase ninguém gosta de copiar.
★★★★★DIA 15.03.19 20h14RESPONDER
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José Maria Silva

José Maria Silva

Isso nem deveria ser tratado como gente, isso é lixo, lixo humano, fezes. Isso que estes dois indivíduos são, dois inúteis pra sociedade. Covardes!
★★★★★DIA 15.03.19 16h44RESPONDER
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Geanine Dornas

Geanine Dornas

Concotdo plenamente
★★★★★DIA 15.03.19 16h31RESPONDER
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Priscila Prado

Priscila Prado

Exatamente, a mídia não deveria fazer matérias sobre a vida desses assassinos.
★★★★★DIA 15.03.19 14h08RESPONDER
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