O escândalo envolvendo o Bispo de Formosa, em Goiás, só reforça como as instituições brasileiras atravessam a maior crise da nossa história
Até Bispo vira caso de Polícia no Brasil

“Quem não deve não teme.” Desde que o mundo é mundo esse provérbio funciona como uma espécie de código de ética das civilizações. Os mais crentes ou religiosos convictos emendariam a esse ensinamento outro tão antigo que funciona como uma espécie de intimidação aos destemidos: aqui se faz, aqui se paga.

É muito comum ouvir fiéis da igreja católica recitarem em verso e prosa esses ensinamentos a cada situação em que alguém parece transgredir os padrões de ética, de moralidade ou se comete uma falta grave.

Mais ameaçador ainda é lançar sobre os pecadores a ameaça de que “Deus está vendo tudo”. Bom, pelo menos era assim que imaginávamos que a humanidade caminhava sobre a face da terra até que, nos últimos anos, religiosos de diversas crenças e doutrinas passaram a ocupar as páginas policiais envolvidos em todo tipo de escândalo. Desde pedofilia a homicídios e desvio de dinheiro padres, pastores, irmãos, rabinos, médiuns, pais de santos e uma renca de líderes religiosos são acusados de vários delitos.

O último caso que virou assunto no mundo inteiro aconteceu em Formosa, no estado de Goiás, que fica no entorno do Distrito Federal. O Bispo Dom José Ronaldo e mais cinco padres foram acusados de terem desviado cerca de dois milhões de reais de dízimos da Diocese local, que reúne trinta igrejas. A sustentação para a incriminação de todos inclui de gastos absurdos até ameaças a um padre que investigava as suspeitas. Do dia para a noite as despesas da casa paroquial saltaram de 5 mil para 30 mil reais por mês. O Bispo é acusado ainda pelo Ministério Público de desviar dinheiro destinado a crisma para outros fins sem querer prestar contas. Uma parte da grana teria sido usada para se comprar uma fazenda de gado, uma casa lotérica, joias e carros de luxo. A casa destinada a Dom José Ronaldo também virou moradia para jovens que eram conhecidos como “filhos do Bispo”.

No último dia 19 de março, uma operação do Ministério Público de Goiás e das Polícias Militar e Civil daquele estado chamada Caifás prendeu nove pessoas, dentre elas o Bispo José Ronaldo Ribeiro, clérigos, funcionários da Cúria e dois empresários. Mas a reclusão da patota durou pouco e um mês depois todos foram liberados graças a um habeas corpus, que no Brasil é distribuído igual senha de banco em agencia lotada.

Mas o escândalo foi parar no Vaticano e o Bispo de Formosa enviou ao representante máximo da Igreja Católica uma carta de renúncia. Já imaginando o pior, na madrugada de terça-feira, dia 11 de setembro, Dom José Ronaldo reuniu todas as suas tralhas em uma van e deu no pé, escondido da população. No dia seguinte o Papa Francisco aceitou o pedido de renúncia e a Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) não perdeu tempo para divulgar logo o anúncio publicado pelo Vaticano.

Se o direito de defesa é sagrado, imagina então, para os sacerdotes? Se o Bispo é inocente, como ele mesmo diz, porque correu e jogou a batina no telhado? O Brasil, que já ocupava as piores manchetes no mundo com escândalos e mais escândalos de corrupção, roubalheira e atentados contra políticos, agora vê a fé do povo do nosso país ainda mais abalada com a história de Formosa.

Só resta esperar que Deus realmente esteja vendo tudo. Amém!

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