A última carimbada na imagem do corrupto político foi dada por Fernandinho Beira-Mar e Marcinho VP
Até por traficantes Sérgio Cabral é chamado de canalha

O calvário de Sérgio Cabral parece não ter fim. O político carioca que usou e abusou de surrupiar grana do estado com cobrança de comissões e diversas outras falcatruas, agora passou a ser achincalhado pelos maiores chefes do tráfico fluminense.

Em entrevista ao programa Câmera Record, Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, abriu a caixa preta de uma relação das mais escusas que se poderia imaginar. Segundo o presidiário, os acordos entre o tráfico e os políticos são muito mais comuns do que os ingênuos cidadãos de bem conseguem imaginar.

Para conseguir milhares de votos nas comunidades, alguns candidatos criam vínculos de "amizade" garantindo em troca melhoria nas favelas. Mas nem sempre o "acordo" entre eles é cumprido. Basta passar a eleição para os candidatos eleitos desaparecerem do mapa.

O ex-governador Sérgio Cabral, um dos maiores símbolos da corrupção recente no estado do Rio, é um desses "canalhas", de acordo com Beira-Mar. Guardado a sete chaves no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, o político teria traído a confiança da comunidade do Complexo do Alemão quando se elegeu deputado estadual em 1996.

Fernandinho conta que não conheceu Sérgio pessoalmente. Os relatos são de companheiros do mundo da droga. "Diversos amigos nossos tiveram contato com Cabral. Ele entrou em diversas comunidades", afirmou Beira-Mar. Um deles teria sido o parceiro Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP. Antes de ser preso há pouco mais de 20 anos, acusado de ser um dos líderes do Comando Vermelho, principal facção criminosa do Rio de Janeiro, VP subiu em palanque com Sérgio.

O fato aconteceu em um showmício com a participação do grupo Molejo. Cabral teria ainda bebido com o pessoal do tráfico, abraçou VP e fez vários elogios ao homem procurado pela polícia. Em entrevista ao mesmo programa da Rede Record, Marcinho contou detalhes do dia no Complexo do Alemão e revelou ainda que estava armado com um fuzil e duas pistolas. "Foi num showmício do Molejo, ele subiu no meu camarote, comeu, bebeu, me elogiou para caramba, me agradeceu. Consegui 50 mil votos para ele", afirmou.

Graças ao comício, Sérgio Cabral teria conquistado votos importantes na comunidade que o ajudaram a se eleger, mas depois de ser empossado na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), o deputado nunca fez nada das promessas aos eleitores.

Palavras de Marcinho VP ao definir quem é o presidiário Cabral: "Maior Judas que conheci na minha vida. Vira as costas para quem ajuda ele. Ajudei na campanha dele. Centenas de pessoas apoiaram ele. Foi la no meu palanque e me enganou direitinho, confesso". A bronca continuou ao falar do parceiro do crime: "Daqueles que cospe no prato em que comeu. Virou as costas para aqueles que o ajudaram um dia". Marcinho explica que a "parceria com o político" foi feita em troca de melhorias para a comunidade, que nunca chegaram a se concretizar.

Por fim, VP afirma que fez tudo por Cabral sem cobrar um real do político.

Fernandinho acabou tomando ódio de Cabral por "tabela" por causa do que eles chamam de traição. Mas se não chegou a ter contato com Sérgio, Beira-Mar garante que em 30 anos no mundo do crime ele teve relacionamento pessoal com diversos outros políticos.

Para o mais conhecido traficante do Brasil, não é preciso fazer parceria com o crime para crescer na carreira política, mas é preciso "ter jogo de cintura", se mostrar aberto ao diálogo e, principalmente, honrar a palavra. "Se o cara falou e não cumpriu, acabou. Se não tem palavra, não tem conversa", sentenciou Beira-Mar.

Ainda de acordo com Fernandinho, ele tomou aversão ao ex-governador que se elegeu posando de "paladino da justiça", enganando os eleitores cariocas, enquanto os traficantes já sabiam que Cabral era "um pilantra".

Sérgio Cabral foi condenado até aqui em cinco processos da Lava Jato. As penas por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e organização criminosa, ultrapassam a 100 anos de prisão.

Se você ficou curioso para saber o que Cabral tem a dizer sobre mais essa borrada na reputação dele, saiba que o advogado do político negou que seu cliente jamais o conheceu VP.

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Ana Maria

Ana Maria

Cabral enganou o eleitorado fluminense e não apenas o carioca, já que foi governador e não prefeito!
★★☆☆☆DIA 02.05.19 18h20RESPONDER
Guilherme Mendes
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