O mundo pouco conhecimento tomou dessas mortes, mas na Ásia elas são muito mais frequentes
Atentados em escolas e locais públicos matam dezenas de pessoas na China

Quase todos os meses os chineses tem registrado pelo menos um ataque de psicopatas pelo país afora. A escalada cresceu assustadoramente no ano passado, e em 2019 pode bater todos os recordes negativos de violência. Normalmente, os crimes são perpetrados por solitários homens com graves problemas emocionais. Nem as leis do país, que proíbem a venda de armas de fogo, são suficientes para conter os marginais. Um dos pontos mais chocantes é que eles escolhem as vítimas em escolas e saídas de colégios. Com o emprego de facas ou atirando carros contra multidões, os assassinos se tornaram uma grande ameaça à sociedade indefesa. 

Nessa sexta-feira, dia 22/03, pelo menos seis pessoas morreram e sete ficaram feridas na cidade de Zaoyang, na província de Hubei, quando um homem jogou o veículo que dirigia contra uma multidão. Na sequência, o motorista foi morto à tiros pela polícia. 

Parte da cena horripilante pode ser vista em um vídeo publicado pelo site de notícias Thepaper.cn. Diversas pessoas estão estiradas no chão aguardando por socorro. Dá para ver ainda o momento em que chega uma ambulância. A investida do motorista contra a aglomeração aconteceu às 6 horas da manhã. 

O que teria levado o assassino a cometer o ato de tamanha covardia ainda não se sabe. Mas uma conclusão as autoridades nacionais já tiraram: acontecimentos como esse estão crescendo assustadoramente. 

Preocupada com a repercussão na mídia internacional dos atentados em locais públicos, a China tenta esconder as ocorrências ou não dar demasiada importância. Pouca diferença a estratégia dos chineses tem feito. 

Exatamente há um mês, um homem de 33 anos feriu onze pedestres com uma faca na cidade de Ji'an, que fica na província de Jiangxi, no sul do país. Entre as vítimas algumas eram estudantes, segundo informou a polícia local. Felizmente, os cortes e ferimentos não apresentavam risco de morte para nenhum deles. 

O agressor, identificado como Guo Kaibing, foi imediatamente detido. De acordo com a família do criminoso, ele sofre de problemas mentais. 

Portando uma faca, em janeiro, um homem de 48 anos partiu para cima de vinte pessoas em Fuzhou, capital da província de Fujian, no sudeste da China.

Depois de desferir os golpes ele se atirou em um rio. Um dos feridos acabou morrendo. As investigações mostraram que o criminoso tinha discutido com a ex-mulher antes de sair como um louco pela cidade.

Uma semana antes, vinte crianças ficaram feridas em outro atentado praticado por um ex-funcionário de uma escola primária em Pequim. Ele teria usado um martelo, segundo informou a emissora de televisão estatal CCTV.

As primeiras investigações concluíram que o agressor cometeu o ataque em represália à decisão da instituição estudantil em não renovar o contrato de trabalho dele no início deste ano. O colégio fica localizado no distrito de Xicheng

 

2018, um ano marcado por ataques 

 

Para se ter ideia de como esse tipo de violência tem crescido vertiginosamente no país é só correr os olhos no calendário de ocorrências policiais.

Em abril de 2018 foi registrado um dos mais violentos atentados. Armado com uma faca, um homem de 28 anos matou nove estudantes e feriu outros dez. O fato aconteceu no norte do país contra jovens que voltavam para casa. O autor alegou ter sofrido assédio escolar quando era aluno do centro educacional. 

Em junho, um homem atacou três rapazes e a mãe deles com uma faca de cozinha, perto de uma escola em Xangai. Dois filhos morreram. A polícia revelou que o cidadão estava desempregado e executou o plano "como vingança contra a sociedade".

No mesmo mês, uma pessoa morreu e dez ficaram feridas. O marginal, que conduzia uma empilhadeira, arremessou a máquina contra trabalhadores em uma cidade do leste da China. Ele acabou abatido pela polícia.

Mais fatídico ainda foi o atentado na cidade de Hengyang, região central do país. Ao menos 11 pessoas morreram e outras 44 ficaram feridas depois que um homicida investiu contra uma multidão. 

Yang Zanyun, de 54 anos, atirou um veículo SUV contra dezenas de pessoas. Depois ele saiu do carro e passou a atacar as vítimas com uma adaga e uma pá de construção, disseram autoridades locais.

Conforme a prefeitura, Yang já tinha uma ficha de condenações por crimes como tráfico de drogas, roubo e assalto. O objetivo dele era de "se vingar da sociedade".

O ataque aconteceu à noite em uma praça pública, onde a população costuma se reunir para dançar em grupo. Relatos de testeminhas contam que "o veículo surgiu de repente, subindo no meio fio antes de atropelar as pessoas que estavam no local". 

Em outubro, uma mulher de 39 anos feriu com uma faca de cozinha 14 crianças no subúrbio da cidade de Chongqing, no oeste do país. O ataque ocorreu de manhã, no jardim de infância Xinshiji, quando as crianças regressavam para as salas de aula. A criminosa, identificada pelas autoridades como Liu, foi detida pela polícia. 

Outra situação bem parecida ocorreu em dezembro, mas com um saldo letal. Cinco chineses morreram e 21 ficaram feridos por um bandido que tentava roubar um carro. 

Também em dezembro, um homem foi condenado à morte por ter atropelado várias pessoas na cidade de Henyang. Quinze pessoas perderam a vida e 43 ficaram feridas na ação ocorrida três meses antes. 

Como na China a venda de armas de fogo é proibida os ataques, normalmente, são feitos com facas, explosivos de fabricação artesanal ou por atropelamento.

Na busca por explicações, o governo chinês acredita que quase todos os atentados são perpetrados por pessoas com problemas psicológicos ou ressentimentos com a sociedade.

 

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José Carlos prado Alves

José Carlos prado Alves

Apesar de ser contra a liberação indiscriminada de armas de fogo reconheço que a proibição não resolve o problema. Mas a reportagem revela outros dados como pôr exemplo, o fato de ser a China uma ditadura e lá estar vigorando a pena de morte que muitos apoia e nem assim foram evitados os crimes descritos.
★★★★★DIA 24.03.19 15h48RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

José Carlos, acho que a discussão apenas sobre a liberação de armas é resumir um problema muito maior. Na verdade, a humanidade vive um momento perigoso, de muita insatisfação e de uma geração  buscando algo sem saber exatamente o que quer. Os alistados no estado islâmico são um bom exemplo. Tem jovens do mundo todo. Enfim, não podemos deixar de debater sobre armas também. Abraço 

★★★★★DIA 24.03.19 19h56RESPONDER
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