Contrariada com as pessoas que estão fazendo selfies e se divertindo no local, a direção do museu fez um apelo através de rede social
Auschwitz pede que turistas respeitem os mortos dos campos de concentração

Quem visita o mais famoso campo de concentração nazista normalmente faz relatos emocionantes. A maioria não consegue conter o choro. Não é para menos. Naquele pedaço de terra cravado em solo polonês morreram mais de um milhão de judeus. Outras cem mil pessoas também acabaram asfixiadas nas câmaras de gás, perderam a vida famintas, em "experiências científicas" ou simplesmente foram executadas de formas diferentes. Mesmo com a lembrança desse horror, turistas tem aproveitado a visitação ao local para tirar descontraídas selfies. Esse tipo de atitude está causando indignação na direção do Museu de Auschwitz.

Não existe motivo para ninguém se orgulhar. O holocausto é um dos maiores absurdos protagonizados pelo ser humano. Durante a Segunda Guerra Mundial os alemães ceifaram a vida de seis milhões de judeus em toda a Europa. Entre os mortos são contados mais de um milhão de crianças, dois milhões de mulheres e três milhões de homens.

A lista de sacrificados pelo governo nazista inclui ainda ciganos, homossexuais, grupos étnicos, políticos e sociais odiados pelo regime, além de prisioneiros de guerra soviéticos, fiéis de Testemunhas de Jeová e deficientes físicos e visuais. Não existe um número oficial, mas imagina-se que o total pode ter chegado a 11 milhões.

Quanto mais se estuda sobre a crueldade dos nazistas, mais dói saber sobre os métodos que eles empregavam nas execuções. O mais conhecido foi o uso das câmaras de gás instaladas em Auschwitz. Cada vez que os alemães entupiam os compartimentos para eliminar os condenados pelo Reich, milhares de pessoas morriam inalando o gás tóxico.

Na Polônia, país predominantemente formado por judeus, em 1940 começou a ser construído o complexo idealizado pelo Terceiro Reich. A área era composta por três campos de concentração e extermínio, que podiam abrigar simultaneamente até dez mil presos e executar oito mil pessoas por dia. Outras trinta e nove instalações auxiliares foram erguidas nas cercanias.

Tudo se localizava nas cidades de Auschwitz e Birkenau, próximas de Cracóvia.

O campo de concentração Auschwitz I foi inaugurado no dia 20 de maio de 1940, para ser o centro administrativo. Além do trabalho forçado dos prisioneiros, foi nele que os nazistas fizeram os testes iniciais com a câmara de gás usando Zyklon B. A primeira experiência, em setembro de 1941, matou 850 polacos e russos.

Auschwitz II foi construído em 1941, a apenas 3 Km de distância do primeiro. O objetivo principal do novo campo era o de extermínio. Equipado com quatro crematórios e câmaras de gás, cada uma tinha a capacidade de receber até 2.500 pessoas por execução. Em Auschwitz II morreram mais de um milhão de judeus.

 

Auschwitz pede que turistas respeitem os mortos dos campos de concentração  

 

Em 1942, começou a funcionar Auschwitz III. A maior utilidade do terceiro campo era para o trabalho escravo pela empresa IG Farben.

Nos outros trinta e nove campos auxiliares funcionavam indústrias alemãs para produção militar, metalúrgica e mineradora.

 

Auschwitz pede que turistas respeitem os mortos dos campos de concentração

 

Boa parte dos judeus presos na Europa ocupada foi encaminhada para os campos planejados pelo Terceiro Reich. O período de funcionamento mais intenso em Auschwitz aconteceu de 1942 até 1944, quando trens transportaram milhares de presos para as câmaras de gás na Polônia.

Ao final da guerra, os nazistas destruíram as câmaras de Birkenau, mas boa parte das instalações foi mantida.

Envergonhados, hoje os alemães tentam sepultar as principais marcas do que aconteceu no passado. Mas para que uma das páginas mais negras de atrocidades contra a humanidade não seja esquecida, parte de Auschwitz continua de pé.

Hoje existe no local um museu que manteve algumas edificações. Também foi conservada a linha de trem por onde os vagões chegavam abarrotados de judeus e partiam para trazer mais capturados. Todos os anos cerca de um milhão de pessoas visitam os pavilhões que foram preservados.

Recentemente, um jeito dos turistas de registrarem os momentos de visita aos campos passou a incomodar a direção do museu.

Em uma conta no Twitter, os responsáveis pelo memorial postaram uma mensagem pedindo para que os visitantes não façam "fotos fúteis".

"A cada ano centenas de milhares de pessoas de todo o mundo nos visitam e, infelizmente, vemos como uma parte delas aproveita o percurso pelo antigo campo de concentração para tirar fotos fúteis, sem levar em conta que estão em um local onde aconteceu uma tragédia humana", explicaram à Agência Efe os responsáveis pelo museu de Auschwitz.

O recado aos turistas não parou por aí.

"Quando alguém visita Auschwitz é preciso lembrar que está em um lugar no qual um milhão de pessoas foram assassinadas", postaram no Twitter os responsáveis pelo museu.

A explicação para o "puxão de orelhas" se deve às selfies descontraídas em Auschwitz, que se tornaram comuns nos últimos anos. Entre as mais frequentes, uma em especial tem trazido constrangimento aos diretores da instituição: os clicks de pessoas tentando se equilibrar e se divertindo sobre os trilhos dos trens que levavam os judeus para os campos de extermínio.

"Há melhores lugares para aprender como andar sobre um trilho do que em um lugar que simboliza o assassinato de centenas de milhares de pessoas", escreveram no Twitter.

 

Auschwitz pede que turistas respeitem os mortos dos campos de concentração

 

A linha férrea é um dos símbolos mais deprimentes dos campos. Por ela chegavam pessoas de diversos locais da Europa. Muitas não sobreviviam nem a viagem. Depois de ficarem vários dias sem água e comida em vagões sem banheiro e com janelas lacradas, acabavam morrendo antes de desembarcar na Polônia ocupada.

Quando o trem entrava nos campos de concentração era feita ainda uma seleção apavorante. Idosos e doentes, que não tinham forças para os trabalhos forçados, eram levados imediatamente para as câmaras de gás.

"Auschwitz é um local que é visitado para lembrar um episódio trágico da História, para refletir e para aprender o que devemos evitar para que algo assim se repita, não é um lugar para brincar", continuaram desabafando os diretores.

 

Auschwitz pede que turistas respeitem os mortos dos campos de concentração

 

Localizado no sul da Polônia, na região da Alta Silésia, Auschwitz-Birkenau foi declarado patrimônio mundial da Unesco em 1979. O Museu e Memorial, criados em 1947, ocupam uma área de 200 hectares que abriga a parte principal do campo de Auschwitz e o campo de extermínio Auschwitz-Birkenau, com cerca de 150 edifícios e 300 ruínas.

No local podem ser vistos ambientes em que ficavam milhares de presos. Também é possível conhecer a estrutura da câmara de gás, o crematório, vestiários, a fábrica de pólvora e munições em desuso. Ainda fazem parte do acervo roupas usadas por detentos, seringas e fotografias.

Mesmo contrariada com a crescente onda de selfies "fúteis", a direção do museu afirmou que não vai proibir fotografias no local, mas pediu aos visitantes que "se comportem com respeito, também quando estiverem tirando fotos".

 

Auschwitz pede que turistas respeitem os mortos dos campos de concentração

*as fotos que ilustram o texto são do site pixabay
Veja também

Olá, deixe seu comentário para Auschwitz pede que turistas respeitem os mortos dos campos de concentração

Já temos 2 comentário(s). DEIXE O SEU :)
Ricardo Sena

Ricardo Sena

Concordo. Ainda não vi no mundo local mais dolorido.
★★★★★DIA 31.03.19 21h48RESPONDER
N/A
Enviando Comentário Fechar :/
silvano febroni

silvano febroni

Estive lá e afirmo e um local sagrado e dolorido.
★★★★★DIA 25.03.19 11h28RESPONDER
Ricardo Sena
Enviando Comentário Fechar :/
Enviando Comentário Fechar :/