O fim do ano se aproxima e eu te desafio a dizer o que foi debatido nos últimos tempos para mudar a situação dos brasileiros que continuam sem emprego. Já os escárnios das nossas autoridades....
Brasil, um país que ignora uma multidão de desempregados enquanto o presidente faz piadinha e os ministros decidem por conta própria

O dia 19 de dezembro de 2018 vai entrar para a história da política brasileira com as decisões inimagináveis de final do ano. Começando por Marco Aurélio de Mello, ministro de STF, que mandou soltar com uma liminar os condenados em segunda instância, mais de 169 mil encarcerados. Se não bastasse a medida de Mello, o presidente interino da república, Rodrigo Maia, autorizou liberar os prefeitos a gastarem o que quiserem com o pagamento de funcionários municipais. Para completar o dia de perplexidades, o também ministro Ricardo Lewandowski autorizou aumento para os funcionários públicos, o que vai levar o doente estado brasileiro a gastar quase 5 bilhões a mais em 2019. Mas, por outro lado, o que você viu sobre os esforços de políticos e ministros em ajudar a mudar a vida de milhões desempregados nesse final de ano? Essa resposta eu mesmo dou para você: nada. 

Os números são da última pesquisa liberada no final de outubro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O Brasil está terminando o ano com 12 milhões e 500 mil trabalhadores sem nenhuma atividade.

Isso equivale a quase uma cidade inteira como a de São Paulo de desempregados. Segundo dados também divulgados pelo IBGE no final de agosto, a capital paulista tem 12 milhões e 200 mil habitantes.  

As causas para tanta gente estar vivendo uma das mais desconfortáveis situações do ser humano são várias. O mundo está mudando e antigos empregos deixaram de existir, a crise econômica atingiu o Brasil, mudanças na política que geraram incertezas, trocas constantes no comando da área econômica e o diabo a quatro. 

Dá para citar uma dúzia de motivos em menos de dois minutos. Claro que não podemos deixar de ressaltar os estragos que a corrupção desenfreada nesse país também proporcionou. 

Ironicamente, o atual governo andou comemorando recentemente a queda na taxa de desemprego e fez questão de disseminar fartamente que ela caiu para 11,9% no penúltimo trimestre de 2018. Na verdade se trata de uma maquiagem na divulgação de números. 

A redução foi originada pelo aumento do trabalho informal ou por pessoas que decidiram se aventurar em negócios próprios. Ou seja, pouco mais de 500 mil brasileiros, diante de necessidades, desistiram de voltar ao mercado com as garantias das leis trabalhistas. 

Para você entender melhor, veja esses outros dados. O índice de pessoas desalentadas (que desistiram de procurar emprego) teve alta de 12,6% em relação ao mesmo período de 2017. 

O número de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado aumentou em 4,7% (522 mil pessoas) em relação ao trimestre anterior de 2018. Percebeu como eles manipulam as informações para vender uma realidade positiva que não existe?

O índice de quem trabalha por conta própria (23,5 milhões de pessoas) cresceu 1,9% em relação ao trimestre anterior (mais 432 mil pessoas). 

O coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, foi bem claro em entrevista ao Site G1 ao explicar a pesquisa que era comemorada pela trupe do presidente Temer: "essas vagas geradas estão concentradas na informalidade, ou seja, são vagas sem carteira de trabalho assinada ou de trabalho por conta própria".

Os trabalhadores sem registro de carteira assinada ou que trabalham por conta própria hoje somam cerca de 35 milhões de pessoas. Por outro lado, 32 milhões estão no batente com carteira de trabalho.

Por último, o IBGE revelou que 27 milhões e 300 mil brasileiros continuam subutilizados. Essa categoria é formada por desempregados, subocupados (trabalham menos de 40 horas por semana), desalentados (que desistiram de procurar emprego) e os que não estão trabalhando por motivos diversos.

E o que fez o Ministério do Trabalho diante dessa pesquisa? Correu para divulgar só o que interessava como se fosse uma vitória. 

 

A falência no comércio

 

A crise dos últimos anos provocou ainda uma quebradeira que atingiu em cheio milhares de empresas. Infelizmente, faltam pesquisas mais atualizadas sobre esse ponto. Em agosto, o IBGE divulgou resultados que dizem respeito a 2016. 

O número apresentado foi o fechamento de 341 mil e 600 empresas entre 2013 e 2016, sendo o comércio o setor mais atingido com 262 mil e 300 lojas arriando as portas para sempre. A diferença entre o número de empresas que fecharam e as que surgiram também é negativo: 293 mil 748.

Se você não viu ninguém defender os desempregados nem os donos de empresas, com certeza você acompanhou nos últimos dias a luta do STF para continuar com o privilégio do pagamento do auxílio de moradia para juízes, desembargadores e membros do ministério público. 

Mas isso não foi nada perto do que a quarta-feira nos reservava. A primeira bomba que explodiu no colo da nação partiu do ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello.

 

O escolhido de Fernando Collor 

 

O senhor Marco Aurélio Mendes de Farias Mello é primo do ex-presidente Fernando Collor de Mello e chegou ao STF nomeado pelo parente em 1990. A decisão monocrática do ministro de liberar os condenados em segunda instância, quase 170 mil presos, aconteceu no apagar das luzes do Supremo. 

As atividades do ano já tinham sido encerradas no Tribunal e os ilustres integrantes da corte estavam partindo para um almoço de despedida. Antes de pegar a boia, Mello assinou a liminar. 

A discussão sobre o tema é ampla e quem se dispõe a debater sobre o assunto muitas vezes mistura paixão com razão. Todos os lados tem uma tendência grande em não abrir mão de seus pontos de vista. 

O que quase todos devem concordar é que o país está farto de todos os dias ligar a televisão e ouvir sobre mais e mais operações para prender corruptos. 

Em todas as feras e áreas jurídicas o assunto dominou a tarde. Os fóruns presenciaram uma verdadeira correria de advogados entrando com o pedido de soltura de seus clientes. Não deu em nada. No final da tarde, o presidente do STF, Dias Tófolli derrubou a decisão de Mello. 

O histórico 19 de dezembro teve ainda o ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, autorizando em uma decisão igualmente monocrática mais gastos de quase 5 bilhões de reais do governo federal com o aumento de funcionários públicos. 

E para deixar a nação ainda mais estarrecida nessa quarta-feira, saiu a notícia de que o presidente interino da república Rodrigo Maia aproveitou as poucas horas em que esteve no poder para sancionar uma lei que permite as prefeituras estourem gastos com pagamento de funcionários. 

A decisão de Maia coloca em risco a Lei de Responsabilidade Fiscal que restringe o uso de verbas. 

Para completar o escárnio com a população, o presidente Michel Temer, que está indo embora com um índice recorde de insatisfação dos brasileiros (a aprovação ao governo dele segundo a última pesquisa do Ibope foi de apenas 5%), ainda teve coragem de fazer piadinha ao se despedir dos ministros dizendo que vai sentir falta das manifestações populares que pediam "fora Temer". 

Presidente Temer, é muito pouco provável que um dia o Brasil também sinta a sua falta e de suas piadas. 

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Sandra Regina Silva

Sandra Regina Silva

Pessoal, achei a matéria oportuna, e de grande sensatez. A falta de perspectiva nos deixa estarrecidos.
★★★★★DIA 21.12.18 17h41RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Sandra, obrigado pela visita ao nosso blog. Venha sempre participar com a gente. Abraço.

★★★★★DIA 21.12.18 18h33RESPONDER
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Gilvan Ferreira

Gilvan Ferreira

As decisões deste 19/12/18, independentemente de julgamento de méritos, nos levar a questionar: nossa República pirou? Tantas trapalhadas (pela intempestividade ou oportunismo) vindas de diferentes atores e ao mesmo tempo.
★★★★★DIA 20.12.18 21h39RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Obrigado, Gilvan! Vamos acreditar em dias melhores. Abraço.

★★★★★DIA 21.12.18 18h34RESPONDER
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Fernando Alonso

Fernando Alonso

E a declaração do próximo presidente, repetida em mais de uma oportunidade, de que o empresário brasileiro é um sofredor. Quanto a Temer é um cínico.
★★★★★DIA 20.12.18 20h53RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Fernando, precisamos acreditar que dias melhores estão pela frente. O presidente que está saíndo não será muito lembrado no restante da nossa história. Abraço. 

★★★★★DIA 20.12.18 21h06RESPONDER
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Lucio Santana

Lucio Santana

Ótimo isso tudo que está acontecendo! Vai piorar!! Aguardem...
★★★★★DIA 20.12.18 17h34RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

O Brasil já tem um povo muito sofrido. Segundo o IBGE divulgou no início do mês, o país está com quase 55 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. Dentro desse grupo existe um outro ainda mais miserável, chamado de extrema pobreza. São cerca de 15,2 milhões com renda inferior a US$ 1,90 por dia. Não podemos acreditar que essa absurda realidade possa piorar. Lúcio, venha sempre nos visitar. Abraço.

★★★★★DIA 20.12.18 19h29RESPONDER
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Pedro Oliveira

Pedro Oliveira

Informe-se melhor.Prisão em 2a. instância existe só de 2016 para cá, portando, essa conta de 169.000 está errada. Segundo ponto é que além da decisão do ministro o juiz que decretou a prisão á época é quem dá a palavra final.
★★★★★DIA 20.12.18 16h57RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Pedro, as informações sobre oas 169 mil foi divulgada pelo Conselho Nacional de Justiça. Abraço

★★★★★DIA 20.12.18 19h32RESPONDER
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Tarcísio Tones

Tarcísio Tones

Esqueceu (??) de dizer que se paga 1 trilhão de juros da dívida/ano aos bancos. Fica lamentando gastos de prefeituras e aumentos de salários.
★★★★★DIA 20.12.18 16h01RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Tarcísio, daria para enumerar muito mais gastos absurdos. O lamentável é ver esforços em ajudar que já tem emprego garantido, como os funcionarios públicos (trabalhadores legítimos) e igonar uma multidão de desempregados que cresce a cada dia. Venha sempre participar do blog. Grande abraço.

★★★★★DIA 20.12.18 19h37RESPONDER
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Ronan Leal

Ronan Leal

Olha,que o Brasil não aguenta mais os cidadão serem feitos de idiotas, isto é fato. Mas se não houver uma limpa no STF nunca conseguiremos melhorar nada a situação brasileira. Tanto oposição , quanto situação , precisa compreender que todos , sem exceção, estão se "lascando" e vão morrer todos abraçados nessa falta de gerencia moral e administrativa que vivemos no país.
★★★★★DIA 20.12.18 13h44RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Ronan, a imparcialidade e a justiça cega, condições fundamentais do Direito, às vezes parecem esquecidas. Tomadas de decisões monocráticas soam muito mal para a nação. Se o STF é formado por um colegiado, porque um ministro se sente no direito de tomar sozinho uma decisão que envolvem milhões de pessoas? Se eles estivessem analisando apenas uma ação individual em caráter de urgência, diante de algum fato novo, o nível de aceitação teria sido outro. Mas todos os temas deliberados por eles eram antigos na Corte e poderiam ter sido tratados no plenário. É doloroso o país ter que passar por episódios assim. Grande abraço. 

★★★★★DIA 20.12.18 13h58RESPONDER
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Edilson Guimaraes

Edilson Guimaraes

É por isso que há mais de 500 anos, vivemos nessa “prosperidade” toda!
★★★★★DIA 20.12.18 13h35RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Edílson, só temos que lamentar. Grande abraço. 

★★★★★DIA 20.12.18 14h00RESPONDER
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Airton Cruz

Airton Cruz

Situação lamentável que estes políticos mal intencionados deixam o país!!!!
★★★★★DIA 20.12.18 13h30RESPONDER
Guilherme Mendes
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