O avanço dos refugiados que já estão no México representa uma ameaça perigosa ao atual governo dos Estados Unidos
Porque Donald Trump precisa conter a caravana de imigrantes de Honduras

Promessa de político precisa ser cumprida a risca. Pelo menos é o que pensa a maioria dos americanos. Para se tornar presidente, Trump "jurou" que iria combater ferozmente a entrada de imigrantes ilegais no país. O que ele talvez não imaginasse é que milhares de hondurenhos pudessem se organizar em uma caravana para pedir asilo por lá.

Honduras lidera uma das mais dramáticas estatísticas do mundo. Segundo dados da ONU, o país tem a maior taxa de homicídios do ranking global, com 55,5 mortes para cada 100 mil habitantes em 2016.

Se não bastasse a violência, os hondurenhos ainda sofrem com um forte índice de desemprego. Em busca de uma nova vida, no dia 13 de outubro cerca de mil pessoas iniciaram uma marcha na cidade de San Pedro Sula. O destino: Estados Unidos.

A notícia se espalhou. Através da imprensa e das redes sociais moradores de outras partes do país tomaram conhecimento do movimento e correram para se juntar a caravana. O marcha foi engrossada ainda por pessoas de outros países da América Central. O primeiro desafio seria o de cruzar a Guatemala em direção à fronteira com o México.

Mas apesar da forte repercussão da marcha, essa não é a primeira vez que grupos se organizam e tentam chegar a América do Norte.

Em abril, uma outra caravana menor, com cerca de 200 pessoas, alcançou à fronteira americana depois de partir também de Honduras.

 

Porque Donald Trump precisa conter a caravana de imigrantes de Honduras Imigrante tenta entrar no México

 

Quem se aventura nesse tipo de caminhada corre riscos de ser sequestrado por traficantes de pessoas e por gangues de tráfico de drogas que obrigam os reféns a trabalhos forçados, mas como o grupo agora é bem maior aumentou também a segurança de todos.

Hoje as autoridades não conseguem mais dizer quantas imigrantes seguem marchando na mesma direção. Muitos já estão na cidade mexicana de Tapachula. Uma outra parte ainda na fronteira da Guatemala.

 

Novas caravanas

 

Esses numeros podem crescer. Acredita-se que outras 5 mil pessoas já deixaram o estado mexicano de Hidalgo em direção a Tapachula. Um novo grupo recém-formado de cerca de mil hondurenhos também está iniciando a caminhanda em direção aos EUA.

Por outro lado, o governo americano afirma que 3 mil e 400 homens, mulheres e crianças, que faziam parte da caravana principal, desistiram de seguir em frente e voltaram para casa, mas essa é ainda a grande dor de cabeça do presidente Donald Trump. Durante a campanha para chegar a Casa Branca, Trump prometeu acabar com a imigração ilegal.

Em novembro os Estados Unidos terão eleições para o Congresso e o presidente teme que o Partido Republicano perca cadeiras importantes nas urnas sob a alegação de que ele não consegue cumprir com a palavra.

O assunto é tão relevante por lá que 15% dos americanos consideram a questão da imigração o desafio mais importante a ser enfrentado no momento.

Sem a maioria no parlamento, Trump sabe que terá ainda mais dificuldades para aprovar projetos.

Para ajudar seu velho aliado, o México prometeu barrar na fronteira com a Guatemala quem não tivesse passaportes. A polícia mexicana bem que tentou conter os milhares de imigrantes na ponte que liga os dois países, mas cerca de 900 imigrantes cruzaram o rio Suchiate em barcos ou mergulhando nas águas.

 

Porque Donald Trump precisa conter a caravana de imigrantes de Honduras Integrante da caravana hondurenha se atira nas águas do rio Suchiate

 

Outra estratégia dos mexicanos no trabalho de colaboração com os Estados Unidos é de dar asilo aos imigrantes.

Em abril, quando a primeira caravana alcançou a fronteira americana, irritado o presidente americano disparou em sua conta no Twitter: "O México está fazendo muito pouco, ou nada, para parar o fluxo de pessoas que atravessam a fronteira sul e seguem em direção aos EUA. Eles riem das nossas estúpidas leis de imigração. Eles têm que interromper o fluxo de pessoas e drogas...", escreveu.

 

Corte americano de ajuda financeira

 

Para pressionar ainda mais seus vizinhos da América do Norte a deter a qualquer custo a massa humana de refugiados, Donald Trump ameaçou essa semana "cortar" a ajuda financeira a Guatemala, Honduras e El Salvador.

Segundo a Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional, em 2017, a Guatemala recebeu mais de US$ 248 milhões em auxílio dos americanos. No mesmo ano, Honduras teve um aporte de US$ 175 milhões e El Salvador de US$ 115 milhões.

Mas agora a ajuda humanitária está em segundo plano. Vencer essa queda de braço com os imigrantes pode representar muito mais do que cumprir uma promessa de eleição. O difícil será conter a determinação de hondurenhos, guatemaltecos e salvadorenhos.

Ao chegar ao México a imigrante Britany Hernández disse à agência de notícias AFP: "Estamos queimados de Sol. Temos bolhas nos pés. Mas chegamos aqui. Nossa força é maior que as ameaças de Trump".

 

Porque Donald Trump precisa conter a caravana de imigrantes de Honduras  Refugiados pegam carona em uma camionete

 

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