A medida do clube é para educar os torcedores que entoam cantos antissemitas no estádio
Chelsea leva torcedores preconceituosos para campo de concentração

Time grande é outra coisa. Talvez você ainda não tenha ouvido essa frase, mas no meio do futebol ela é repetida com frequência. A tradução passa longe da paixão do torcedor. Ao pé da letra quer dizer que são clubes muito organizados, que pensam lá na frente e, consequentemente, ganham sempre.

Essa introdução foi para falar do Chelsea, da Inglaterra. Mesmo que você não ligue muito para futebol, vale a pena continuar lendo essa história.

Os Blues, como são chamados, é um clube bem popular na terra da Rainha. Mas nem sempre foi assim. O fenômeno de grande torcida se deve ao fato da agremiação ter sido comprada em 2003 pelo magnata do petróleo russo Roman Abramovich. Com muito dinheiro o Chelsea passou a ganhar títulos e muitos adeptos. O clube tem a quinta maior média de público na Inglaterra, mas a quarta maior torcida em toda a Europa, com 135 milhões de torcedores, já que se tornou o preferido em muitos outros países.

O resumo da história do Chelsea Football Club é o seguinte. Foi fundado em 10 de março de 1905 de uma forma curiosa. O empresário Henry Augustus Mears decidiu primeiro construir um estádio grandioso na capital Londres, porque a cidade não tinha nenhum time na primeira divisão nacional.

Depois é que veio a criação do time. O sucesso do Chelsea foi rápido. Na segunda temporada de sua história, o clube foi promovido à primeira divisão.

Mas os anos seguintes foram cheios de altos e baixos. Crises financeiras e um problema dramático que atingiu vários clubes durante a Segunda Guerra Mundial. Muitos jogadores de times tiveram que se alistar para os combates. Apenas dois membros do Chelsea não chegaram a fazer parte do conflito mundial.

A recuperação foi lenta e somente em 1955 os Blues finalmente conquistaram seu primeiro título inglês. Mesmo assim, o clube continuou na gangorra da grana. Hora com caixa, hora com pires na mão para pagar as contas, até que a salvação chegou em 2003, quando o Chelsea foi comprado pelo ricaço russo.

De lá para cá, os registros de títulos são muitos. Os principais, a conquista de Champions League em 2012 e uma Liga da Europa em 2013.

É agora que vem a parte inusitada dessa história.

Junto com o crescimento do clube e de sua torcida vieram também as manifestações preconceituosas que se tornaram constantes no Stamford Bridge.

Vira e mexe os torcedores entoam canções racistas e antissemitas no estádio com o intuito de atingir o grande rival. Associado à comunidade judaica na Inglaterra, o Tottenham possui uma rivalidade histórica com o Chelsea.

Isso tem incomodado a muita gente do bem, mas, ao que parece, principalmente ao presidente do clube, o americano Bruce Buck, e ao dono do Chelsea, Roman Abramovich.

A situação de desconforto com as manifestações chegaram a tal ponto que a dupla bolou um meio diferente para por um fim a tanto constrangimento. Ao invés de proibir a entrada dos torcedores segregacionistas ao estádio, o clube quer leva-los em uma "excursão educativa" ao ex-campo de concentração de Auschwitz, na Polônia.

Seria uma forma de "educar" os racistas e "fazê-los querer se comportar melhor", segundo Buck. "A ideia é privilegiar a educação, em vez de repressão, e torná-los conscientes da gravidade de suas manifestações", completou o presidente.

Sensacional essa teoria.

"Se você simplesmente banir as pessoas, nunca mudará o comportamento delas", disparou o presidente do time, Bruce Buck, ao tabloide "The Sun".

“No passado, o procedimento seria retirar o torcedor e bani-lo dos jogos por aproximadamente três anos. Agora dizemos: ‘Você fez algo errado. Você tem a opção. Podemos te banir ou você pode passar um tempo com os nossos profissionais da diversidade, entendendo o que você fez’”, finalizou.

E não é de hoje que o Chelsea vem trabalhando bem essa ideia.

Em abril, uma delegação do clube, com diretores e integrantes das comissões tecnicas das categorias de base, participou da tradicional "Marcha da Vida" em Auschwitz. Em junho, 150 adeptos e funcionários do clube fizeram uma viagem oficial ao campo de concentração nazista na Polônia.

Chelsea leva torcedores preconceituosos para campo de concentração

(Campo de Auschwitz)

As manifestações antissemitas são muito mais corriqueiras na Inglaterra do que você possa imaginar. Entre 2016 e 2017 as ocorrências de cantos cresceram em 40% nas quatro ligas do país. A proposta do pessoal do Chelsea é envolver todos os clubes nessa cruzada relembrando o que aconteceu no passado.

Quem visita o que sobrou nas instalações dos campos se emociona com a barbaridade contra os judeus. Ao menos 20 mil instalações foram utilizadas entre 1933 e 1945, na Alemanha e em outros 12 países ocupados pelos nazistas antes e durante o período da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Calcula-se que seis milhões de judeus foram mortos entre homens, mulheres e crianças.

Chelsea leva torcedores preconceituosos para campo de concentração

(Campo de Auschwitz)

Entoar canções antissemitas nos estádio não é o mais grave nessa história. O absurdo é ver que muita gente ainda defende a idéia do extermínio de raça. O contra ataque do Chelsea é uma verdadeira lição, ensinar através da educação.

Time grande é mesmo outra coisa.

 

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Marcia Mendes

Marcia Mendes

Em tempos de tanta intolerância este contra ataque é uma luz no fundo do túnel.
★★★★★DIA 13.10.18 20h54RESPONDER
Guilherme Mendes
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