A dupla que inventou o compartilhamento de fotos deu adeus ao Instagram por não concordar com o futuro do aplicativo
Os criadores do Instagram ficaram mal na foto

Se você tivesse 1 bilhão e 400 milhões de dólares na sua conta bancária e um patrão te cobrando todos os dias, ainda assim continuaria trabalhando? A resposta parece óbvia para quase todos os habitantes da terra: não. Insano seria continuar obedecendo a ordens e sem ter a liberdade de fazer o que gostaria na empresa que você tá contratado.

Foi exatamente isso o que aconteceu com o americano Kevin Systrom e o brasileiro Mike Krieger, os dois geniosinhos que criaram o aplicativo Instagram. Na segunda-feira, dia 24, a dupla soltou um comunicado oficial no blog da empresa avisando que está fora do negócio daqui para frente. 

Para entender essa história é preciso voltar no tempo. Systrom e Krieger se conheceram quando eram estudantes da Universidade de Stanford, no Vale do Silício. Pensando em ganhar dinheiro, muito dinheiro com um negócio novo, eles bolaram o tal aplicativo de compartilhamento de fotos. Isso foi em 2010. Rapidamente o empreendimento deles bombou. 

Dois anos depois o Facebook cresceu o olho no aplicativo e pela bagatela de 1 bilhão de dólares arrematou o Instagram. Na época a empresa tinha 30 milhões de seguidores.

Com o Instagram Mark Zuckerberg tinha a possibilidade de trabalhar duas situações que se tornaram um problema para o Facebook. O primeiro era a necessidade de investir em uma rede social que batesse de frente com outras que estavam surgindo, como o Snapchat, e arrastando parte do seu público. 

Comercialmente o Instagram foi também uma salvação para Zuckerberg "desovar" publicidade em outra rede, já que falta espaço para anúncios no Facebook, completamente saturado.

E como quase tudo que esse "Midas" põe a mão vira ouro, o aplicativo se tornou um fenômeno. Em junho, o Instagram chegou à marca de 1 bilhão de usuários no planeta. 

Segundo análises atuais de mercado, se o Instagram fosse uma empresa autônoma, estaria avaliado hoje em cerca de US$ 100 bilhões. Os números são tão surreais que pela previsão da Bloomberg Intelligence, o aplicativo pode faturar em torno de US$ 10 bilhões com publicidade em 2018.

Ah, é preciso dizer que Systrom e Krieger venderam o aplicativo e ainda foram trabalhar para Mark Zuckerberg até a noite dessa segunda-feira. A relação entre eles durou seis anos quando o mundo foi surpreendido com o comunicado.  

"Estamos planejando tirar algum tempo livre para explorar nossa curiosidade e nossa criatividade", declarou Systrom na despedida. Ao se referir ao parceiro brasileiro Krieger, ele ainda soltou essa: "Estamos animados para ver o futuro do Instagram e do Facebook, conforme nos transformamos de líderes a apenas mais dois usuários." Por fim, o sócio americano deixou uma curiosidade no ar: "estamos prontos para nosso novo capítulo", dando a entender que a dupla não parece ter se aposentado.

E bastou a divulgação do comunicado para surgirem especulações. Para evitar versões fantasiosas, Mark Zuckerberg correu para dar satisfação a seu público. "Kevin e Mike são líderes de produto extraordinários e o Instagram reflete seus talentos criativos combinados. Aprendi muito trabalhando com eles nos últimos seis anos e realmente aproveitei isso. Desejo a eles o melhor e aguardo ansioso para ver o que criarão agora", disse o presidente executivo do Facebook. 

Só que a saída dos dois executivos, pelo jeito, não foi tão cordial assim. Poucas horas após a divulgação dos comunicados, veículos de imprensa passaram a noticiar as divergências entre as partes. Systrom e Krieger teriam deixado a empresa por não concordarem com a pressão que Zuckerberg fazia sobre eles quanto à linha que o Instagram deveria seguir.

As insatisfações teriam se acentuado em abril quando a dupla ficou contra a ideia de Zuckerberg em criar os Stories, no Instagram. As mudanças recentes na caixa de comentários e na relação de compartilhamento de publicações entre as duas redes gerou outras discordâncias. 

O episódio do Instagram pelo visto só veio trazer mais dor de cabeça para Zuckerberg. Desde 2016, o Facebook tem sofrido com o bombardeio de críticas por não controlar a disseminação de notícias falsas e ser rotulado de frágil à interferência estrangeira. Para piorar, agora é acusado de cuidar mal da privacidade de seus usuários, como demonstrado no caso Cambridge Analytica, em que os dados de 87 milhões de pessoas foram utilizados indevidamente pela consultoria política Cambridge Analytica, na campanha de Donald Trump.  

As baixas no time de Mark Zuckerberg vieram engrossar a lista de outras celebridades que já tinham pulado fora do barco. Os fundadores do Whatsapp (outro aplicativo comprado pelo Facebook), Jan Koum e Brian Acton, se despediram do grupo em maio de 2018 e em 2017 respectivamente. O motivo seriam divergências com os diretores do Facebook sobre a confidencialidade dos dados e a monetização do aplicativo de mensagens.

Com tanta gente genial no mercado, o mundo tá de olho agora no que esses caras pensam em fazer daqui para frente. Não se surpreenda se em breve surgir uma espetacular novidade no meio digital. Inteligência e capacidade para inventar eles tem. Ou alguém duvida?

 

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Douglas Dias

Douglas Dias

Não duvido de mentes brilhantes assim!
★★★★★DIA 25.09.18 22h30RESPONDER
Guilherme Mendes
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