A omissão ou parcialidade da Confederação em tratar graves assuntos transformaram o futebol da América do Sul em um lamentável espetáculo
Conmebol, a grande culpada em Buenos Aires

A decisão que não aconteceu nesse sábado na capital argentina é a mais fiel tradução do que se tornou a organização do futebol sul-americano. Tão ridícula quanto às imagens do ônibus do Boca Juniors sendo apedrejado é comparar a desmoralizada Copa Libertadores com a Champions League. Uma competição inchada com times de qualidade duvidosa, regularmente fajuto e decisões administrativas tendenciosas. A principal competição do continente chegou ao seu final desmoralizada pela barbaridade de torcedores criminosos e sem nenhuma força de comando dos organizadores. 

 

Uma vergonha chamada Conmebol

 

O que aconteceu nesse sábado em Buenos Aires tem um grande culpado, a Conmebol. 

O que se viu na capital argentina não tem nada de novo em se tratando de Libertadores. A selvageria de torcedores jogando pedras em ônibus é muito mais comum em jogos da competição do que os torcedores brasileiros possam imaginar. 

E o que a Conmebol fez esses anos todos? Nada, ou muito pouco. 

A verdade é que a entidade esteve envolvida nos últimos tempos em vários escândalos de corrupção com dois presidentes que foram afastados. Nicolás Leoz e Juan Angel Napout respondem a vários processos por corrupção. Napout está preso em Nova Iorque junto com o brasileiro José Maria Marin condenado por crimes de fraudes. 

A fama de amor ao dinheiro lá é antiga. Os dirigentes da sul-americana nunca se preocuparam muito com a balbúrdia nos estádios e com a segurança. Isso se proliferou pelo continente. Na Bolívia, Paraguai, Uruguai, Argentina, Colômbia e Venezuela apedrejamentos em ônibus são constantes. 

No Brasil também. Em pelo menos dois confrontos do Cruzeiro contra o Grêmio o ônibus da delegação do time mineiro foi atingido por pedras. 

No dia em que os clubes forem afastados da competições, impedidos de jogar a Libertadores por um longo período a torcida vai se sentir muito mais responsável. 

A punição deve ser também estendida com rigor aos baderneiros. Não basta apenas identificar esses arruaceiros. Enquanto eles não forem severamente condenados de forma exemplar e persistir esse sentimento de impunidade a falta de respeito vai perseverar. 

A violência precisa ser combatida de forma eficaz, na medida certa, sem exageros, mas de um jeito implacável. 

Outro ponto é a igualdade nos direitos e cobranças aos times. A Conmebol tem urgentemente que mudar sua postura de paternalista com países mais ligados a Confederação como Argentina, Paraguai e Uruguai e tratar a todos os filados da mesma forma. A falta de consideração com o futebol brasileiro não pode ser tolerada nunca mais. O Brasil não é o patinho feio do continente. Nós somos o país que mais títulos mundiais conquistou no planeta, mas continuamos a ser marginalizados nos corredores da famigerada instituição em Assunção. 

O que se viu em Buenos Aires, se tivesse ocorrido nas cercanias do Mineirão, Maracanã e Morumbi talvez fosse tratado como motivo suficiente para se declarar nossas cidades incapazes de suportar uma final. Mas conivente e desmoralizada a Conmebol aceitou a tudo, inclusive a intransigência do Boca Juniors que se recusou a entrar em campo nesse sábado. 

A postura omissa e sem reação da sul-americana nem de longe recorda a prepotência da entidade nas decisões arbitrárias tomadas ao longo da Copa contra Santos e Grêmio. 

Já imaginou se fosse o ônibus de um time brasileiro que tivesse sido alvo de vândalos próximo ao Monumental de Nuñes? Qual seria a chance da partida não ser realizada por que dois jogadores precisaram ser atendidos em hospitais?

Atônita a Conmebol enfiou o rabo entre as pernas e deixou que os clubes decidissem o que fazer depois de mais de três horas de impasse. Nocauteada por sua própria incompetência ainda produziu um laudo médico patético assinado por quatro pessoas dando condições físicas aos jogadores do Boca. Tal documento foi solenemente ignorado e acabou indo parar na lata do lixo. Desmoralizada e sem forças para impor o início de um jogo, a sul-americana virou um fantoche ridículo, presa e impotente diante da firmeza de um clube que afirmou que não jogaria e, simplesmente, não entrou em campo.

 

Boca e River, o superclássico da prepotência

 

A decisão de suspender o jogo até parece acertada, mas não seria a mesma se não fosse em uma partida entre argentinos com tanta força. 

Boca e River tinham tudo para ter feito a decisão mais espetacular dos últimos tempos. Hoje, serão lembrados muito mais pela incapacidade de dar a mínima segurança para seus adversários chegarem a um estádio, ou entrarem em campo. 

Não podemos esquecer que em 2015, também em um jogo entre os dois rivais na Bambonera, a partida não terminou porque os jogadores do River foram alvos de uma selvageria na volta para o segundo tempo. Das arquibancadas foi lançado um produto químico a base de pimenta contra os atletas. A confusão durou uma hora e cinco minutos até que o jogo válido pelas oitavas de final fosse encerrado por falta de garantias. Dois dias depois a Conmebol eliminou o Boca por causa do comportamento de sua torcida. E agora, o que a dona do futebol sul-americano vai fazer?

 

O final triste da Libertadores   

 

A imprensa do mundo inteiro está dedicando centenas de publicações para mostrar do que na América do Sul fomos capazes de protagonizar. Pobre futebol, medíocres organizadores, covardes dirigentes que ainda pregam que para vencer vale de tudo. 

No fim da noite a Agência Governamental de Controle do Governo da Cidade de Buenos Aires declarou que diante de tanta arruaça vista sábado na capital o estádio do River Plate está interditado. As imagens de torcedores com ingresso nas mãos e que não conseguiram entrar enquanto dezenas de oportunistas invadiam o Monumental seriam alguns dos motivos. A prefeitura alega ainda que a cidade viveu uma tarde alarmante por causa dos problemas nas imediações do estádio. Vários confrontos com policiais foram registrados na chegada e na saída. Para que tenha o segundo jogo da final logo mais o clube terá que regularizar a situação do Monumental pagando uma multa à prefeitura. O valor não foi divulgado. 

Antes de fechar o sábado, o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, soltou em rede social uma carta com a posição da entidade em um tom que mais parece mera formalidade em ter que se posicionar perante a opinião pública. Nos trechos em que foi mais incisivo Dominguez pede identificação rápida dos desordeiros, mas não fala em nenhuma punição.

"A Conmebol condena os atos violentos e criminais que colocaram vidas em risco, atentaram contra o sustento de esportivas profissionais, afetaram a milhões de torcedores de bem e envergonharam o seu clube, o futebol, seu país e seu continente...

...A Conmebol exige às autoridades competentes ação imediata e oferece toda a colaboração para identificar, capturar e levar à Justiça os responsáveis. Estes fatos não podem ficar impunes. Deve cair sobre os responsáveis todo o peso da lei e rejeição da sociedade".

Presente em Buenos Aires, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, presenciou a boa parte desses lamentáveis fatos. A Federação Internacional, outra entidade combalida com os frequentes escândalos de corrupção, tem um ótimo motivo para decretar uma interdição na Conmebol. Seria uma excelente chance para começar a se reconstruir uma nova confederação com base no princípio simples da moralidade. 

A decisão do século virou uma final de várzea. 

 

Conmebol, a culpada de tudo em Buenos Aires

 

 

 

 

 

 

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Marcia Mendes

Marcia Mendes

Triste desfecho, mas anunciado, depois de tantos desmandos
★★★★★DIA 25.11.18 13h57RESPONDER
Guilherme Mendes
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Infelizmente, a Conmebol dirige o futebol da América do Sul com muita conivência e parcialidade. Eles nunca colocaram itens importantes como a segurança, qualidade dos estádios, gramados, vestiários e altitude como prioridade. O que aconteceu em Buenos Aires serviu para o mundo inteiro entender o que é o futebol sul-americano. No Brasil a torcida também conhece muito pouco o que acontece em nossos países vizinhos.

★★★★★DIA 27.11.18 12h08RESPONDER
N/A
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