A competição mais importante das Américas perde a credibilidade com os absurdos da La Bombonera
Conmebol, Cruzeiro e os absurdos da Libertadores

O lance envolvendo o zagueiro Dedé e o goleiro do Boca Juniors já entrou para a história como uma das maiores aberrações do futebol sulamericano.

A jogada foi casual, dessas que acontecem algumas vezes em qualquer partida. O goleiro Andrada e Dedé disputaram uma bola cruzada. O "encontrão" era digno apenas de uma infração normal e pronto. Bola no chão, cobra a falta e vamos embora.

Só que o juiz paraguaio Eber Aquino, responsável pelo apito, decidiu consultar o recurso de vídeo. Até aí tudo bem, ele ficou em dúvida e recorreu a telinha de TV. Isso vai acontecer sempre daqui para frente. Mas de um jeito "surpreendente" o árbitro optou por aumentar a penalização e deu cartão vermelho para o zagueiro.

O prejuízo foi muito grande. Com um jogador a mais em campo o Boca foi para cima e fez o segundo gol, aumentando a vantagem para a partida da volta.

Em todos os noticiários esportivos de hoje o assunto principal é esse, o que pensou o paraguaio para tomar tal decisão?

O Cruzeiro já formou uma comitiva e bateu em retirada para a sede da Conmebol, no Paraguai, na tentativa de fazer um protesto. Falam em pedir ainda a "suspensão da suspensão" do Dedé. A chance da reivindicação ser aceita é bem remota porque as federações e confederações, em pouquíssimos casos, aceitam mudar decisões de árbitros, anular resultados de jogos, cancelar gols ou cartões.

Outro ponto de desencorajar os brasileiros é a recorrente postura da Conmebol em análise de situações envolvendo times brasileiros. Bem recentemente vimos o caso envolvendo o Santos e a escalação do uruguaio Carlos Sánchez. Não adiantou os paulistas espernearem. O Peixe "perdeu" no tribunal a classificação.

O Cruzeiro também já foi vítima das decisões incompreensíveis dos dirigentes da Confederação. Uma delas remete a um confronto contra o mesmo Boca Juniors, em 2008, também na Libertadores. Na primeira partida das oitavas de final, já nos acréscimos, o torcedor Hernán Javier Cicarelli atirou um cubo de gelo em um dos árbitros auxiliares na vitória por 2 a 1 sobre os brasileiros, no dia 30 de abril. A partida acabou encerrada sem que todos os minutos de acréscimos fossem cumpridos.

O regulamento da época era claro. Falava em eliminação do clube mandante em casos de arruaças no estádio e falta de segurança. Mas a Conmebol ignorou o que ela própria havia colocado no papel e em uma resolução descabida apenas impediu o Boca Juniors de jogar as próximas partidas da competição em seu estádio e aplicou uma multa de 30 mil dólares.

Não esperem muita coisa do encontro dos dirigentes brasileiros com os manda chuvas da Sul-Americana. As decisões da Conmebol em nada diferem das arbitrariedades e desmandos que a gente já se acostumou a ver onde os poderosos nunca são incomodados.                           

 

Conmebol, Cruzeiro e os absurdos da Libertadores

 

* Na quarta-feira, dia 26 de setembro, a Conmebol acatou o pedido do Cruzeiro e, com justiça, anulou a suspensão automática do jogador. Assim, Dedé está liberado para enfrentar o Boca Juniors na partida da volta, no Mineirão. Mas o resultado do primeiro jogo na Argentina foi mantido.

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