A produtora ganhou muito dinheiro invadindo a privacidade das mulheres indefesas. E pior, mais de um milhão de usuários visitavam o site pornográfico
Coreana filmava mulheres nos banheiros e publicava imagens em sites pornôs

Soranet Song e seus três parceiros, inclusive o marido dela, instalavam câmeras escondidas nos camarins onde as mulheres trocavam roupa. Claro que tudo era feito sem o consentimento das vítimas. Em vestiários e banheiros também.

Como na Coreia do Sul é proibido a divulgação de conteúdo sexual, o bando usava servidores de outros países para armazenar e distribuir as imagens.

Em 2015, quando a falcatrua foi descoberta, a turma se mandou para a Nova Zelândia. Nessa época a polícia estava já no encalço dos criminosos, mas quando o passaporte de Song foi revogado ela se viu obrigada a voltar para casa e aí colocaram a mão na criminosa.

Milhares de mulheres que se sentiram vítimas organizaram enormes protestos de rua pedindo que o governo tomasse medidas sérias contra a pornografia ilegal.

Em julho de 2018, elas voltaram a fazer protestos em todo o país exigindo medidas mais sérias de punição. Em agosto do ano passado as mulheres retornaram as ruas e encenaram novas manifestações clamando por providências.

 

Coreana filmava escondidas mulheres experimentando roupa em lojas e vestiários e vendia as imagens a sites pornôs clandestinos

 

A pressão deu resultado. Presa, a fundadora do site pornô foi rapidamente a julgamento e pegou 4 anos de prisão em uma pena aplicada pelo Tribunal Distrital Central de Seul.

A acusação sobre Soranet Song era de incentivar e ajudar na distribuição de material obsceno/pornográfico.

Durante o julgamento, Soranet Song negou as acusações e alegou no tribunal que seu marido e outro casal eram os encarregados de administrar o site. Não colou. Os comparsas, que são considerados co-proprietários, têm passaportes estrangeiros e permanecem sabe lá Deus onde. Os três tem nacionalidade australiana, possuem visto de residência permanente na Coreia, mas permanecem no exterior.

"Além do conceito básico de pornografia, o site violou severamente e distorceu os valores e a dignidade de crianças e jovens, assim como todos os seres humanos", disse a corte, segundo o jornal Korea Herald .

Não foi só cadeia que sobrou para Song. Ela foi multada ainda em 1,4 bilhão de wons (R$ 4,6 milhões). A pena prevê também a obrigatoriedade de frequentar 80 horas de aulas sobre prevenção de violência sexual.

Por enquanto, a criminosa de 46 anos é a única que se deu mal. As outras três pessoas da quadrilha continuam foragidas, entre elas o seu marido, que administrou o site de 1999 a 2016, usando servidores no exterior.

 

Um milhão de usuários

 

O Soranet foi fechado há dois anos após denúncias de várias associações de defesa dos direitos das mulheres.

A maior acusação sobre o enrascado site era essa história que muitos dos vídeos de câmeras escondidas foram gravados secretamente em banheiros e vestiários de lojas, ou publicados por ex-parceiros por vingança.

O absurdo levou a uma grande varredura na capital sul-coreana. Fiscais passaram a checar diariamente os banheiros públicos espalhados pela metrópole em busca de câmeras camufladas.

Equipamentos de filmagem tinham sido colocados de forma ilegal nesses espaços gerando um caos no país. As imagens gravadas, normalmente registros de mulheres, depois eram espalhadas em sites pornôs.

Homens também foram filmados, mas pelas estatísticas da polícia 80% das vítimas são meninas. Segundo ainda os dados oficiais, 98% dos autores desse tipo de vídeo são homens, enquanto muitas garotas que aparecem nas filmagens são menores de idade, informou a polícia.

Soranet tinha mais de um milhão de usuários e hospedava milhares de vídeos ilegais. Song foi considerado culpada por ajudar e encorajar a distribuição de material obsceno. A multa aplicada chegou a US$ 1,8 milhão. 

Para combater essa prática criminal, o governo vai precisar gastar um bom dinheiro. As autoridades coreanas planejam desembolsar o equivalente a 6,6 milhões de dólares para equipar locais com equipamentos de detecção de câmeras e aumentar as inspeções em banheiros, espaços públicos e prédios privados.

 

Coreana filmava escondidas mulheres experimentando roupa em lojas e vestiários e vendia as imagens a sites pornôs clandestinos

 

Há também planos para tornar mais efetiva as inspeções às escolas elementares, médias e secundárias.

Segundo a lei sul-coreana, a criação de imagens sexuais íntimas sem consentimento tem uma pena prevista de até cinco anos ou multa de até US$ 13.000.

A distribuição de imagens com fins lucrativos é agravada com até sete anos de prisão ou multa de US$ 39.500.

Um relatório aprontado em 2017, revelou pelo menos 6 mil casos de pessoas gravadas sem autorização.

O problema maior é que o site de Song não é o único na Coreia do Sul. As imagens roubadas, chamadas "molka", gravadas com câmeras escondidas em provadores de roupas ou banheiros públicos, são muito frequentes em todo o país. O presidente sul-coreano Moon Jae-in prometeu lutar contra o fenômeno.

As forças policiais queixaram-se da dificuldade em capturar os autores do crime porque as câmaras deixadas nos locais são facilmente desligadas remotamente. Muitas vezes, os vídeos são publicados por meio de servidores estrangeiros, deixando assim o rastreio praticamente impossível.

Em 2018, cerca de 5,4 mil pessoas foram detidas na Coreia por instalar câmaras escondidas com objetivo de divulgar as imagens em sites pronográficos, mas menos de 2% dos flagrados permaneceram presos.

Escaldados com os absurdos e constrangidas, muitas senhoras passaram a adotar como hábito ao entrar em um banheiro público na Coreia do Sul procurar a existência de qualquer olho mágico ou câmera.

Apesar de proibida a distribuição de pornografia, considerada ilegal na Coreia do Sul, os sul-coreanos continuam acessando material em sites hospedados no exterior ou com sistemas de compartilhamento.

Algumas das mulheres que apareceram nesses vídeos teriam cometido suicídio.

Veja também

Olá, deixe seu comentário para Coreana filmava mulheres nos banheiros e publicava imagens em sites pornôs

Enviando Comentário Fechar :/