Presidente da Federação Peruana é o mais novo detido pela polícia acusado de suborno e assassinato. Isso na América do Sul. Na Espanha, torcedor do Boca foi expulso do país
Quanto mais mexe, mais fede

Deixou de ser novidade dizer que tem dirigente de futebol enrascado com a justiça e até preso. Tá difícil passar um mês sem estourar um escândalo. Agora, cartola que manda matar talvez você ainda não tenha ouvido falar. E o pior, é nosso vizinho. O nome dele: Edwin Oviedo, o todo poderoso do futebol peruano. A prisão de Oviedo por enquanto é só por 15 dias, chamada de preliminar. Mas pela lista de acusações não será surpresa se Edwin for relacionado para ficar bem mais tempo no time de algum presídio peruano enquadrado no clássico "dirigentes e quadrilhas" atuando no futebol. Quem também se deu mal foi um dos chefes dos barras bravas do Boca. O esperto, que tem uma ficha imunda na Argentina, tentou desembarcar em Madri para ver a final da Libertadores. Não passou do aeroporto. Depois de identificado, Maxi Mazzaro foi expulso da Espanha.

Que meio de semana é esse... diria Galvão Bueno. Na quarta e na quinta-feira a bola pouco rolou, mas a polícia teve um trabalhão. O primeiro a levar um cartão vermelho por uma entrada desleal, fora da bola, foi um dos líderes de torcida dos Xeneizes. Mazzaro (fazendo gesto obsceno na foto da capa) é um cara manjado em Buenos Aires. Já esteve preso acusado de participar do homicídio de um homem chamado Ernesto Cirino. O fato aconteceu em 2011. A prisão foi decretada dois anos depois. Maxi ainda conseguiu se esconder durante seis meses até cair nas mãos da polícia. Passou um ano e meio em cana e ganhou liberdade depois de ser inocentado. Mas nunca deixou de ser vigiado. A bronca dele é pela disputa do comando da La 12, uma torcida organizada do Boca. Os desafetos de Mazzaro hoje eram seus parceiros antigamente, Mauro Martín e Rafael di Zeo, atuais cabeça da La 12.

Ele também pode ser considerado um homem de sorte. Escapou de dois atentados, um a faca e outro a bala. O carro que Maxi estava foi alvejado por 40 inimigos. Detalhe: todos eram torcedores do Boca.

Essa semana Mazzaro arrumou as malinhas e se mandou para Madri com a esposa, convicto de que iria assistir a final da Libertadores. Deu com os burros n'água. Mal pisou na Espanha ele foi identificado em uma lista com os nomes dos barras bravas mais "significativos e perigosos". Não teve nem apelação. As autoridades colocaram o casal em um voo de volta para Buenos Aires.

Os grandes inimigos de Maxi, Mauro Martín e Rafael di Zeo também pretendiam assistir a partida, mas diante do insucesso do deportado Mazzaro eles nem embarcaram rumo a Europa. O voo dos dois seria ontem.

Por incrível que pareça, hoje os maiores problemas na Argentina envolvendo brigas de torcedores não são entre apaixonados por times rivais. Como há dois anos os jogos por lá são com torcida única, os adversários não se pegam mais nos estádios. A disputa ferrenha é pelo comando das organizadas. A La 12 é uma das mais cobiçadas.

 

Guerra pelo poder no meio dos barras bravas

 

Segundo um estudo dos sociólogos argentinos Diego Murzi e Fernando Segura, que analisaram o comportamento dessas torcidas, 60% dos homicídios atualmente envolvendo torcedores são entre aficionados pelo mesmo time por causa de dinheiro e poder. A La 12 controla o estacionamento em ruas da capital, "cobra" para que vendedores de comidas e bebidas não sejam assaltados nos jogos na Bombonera e comanda a venda de drogas no estádio. Eles ainda vendem ingressos das partidas no paralelo e cobram pelas visitas de turistas ao setor popular do estádio do Boca. Onde dinheiro corre solto você já viu, né!?

Após um treino de reconhecimento no Santiago Bernabeu, em Madri, o atacante Carlos Tevez foi perguntado sobre a deportação de Maxi e não economizou elogios a decisão dos espanhóis. "Já me disseram que pegaram alguns barras bravas. É importante o exemplo que a Espanha dá para estas coisas, linha dura. Acho que nós também necessitamos um pouco, é importante que eles deem o exemplo e nós o sigamos", afirmou o jogador do Boca.


No Peru dirigente é acusado de mandar matar


A linha de truculência, suborno e homicídio é um mal visível que se alastrou pelos países da América do Sul. Do Peru vem a grande bomba do momento. O caso chama muita atenção porque envolve o cartola mais poderoso do país. Quem decidiu pela detenção do presidente da Federação Peruana de Futebol foi o promotor Juan Carrasco. A alegação foi a de que o presidente da FPF, Edwin Oviedo, seria o chefe de uma organização criminosa que teria ainda a participação de juízes, procuradores e empresários importantes.

As acusações não são poucas. Oviedo estaria diretamente conectado a uma rede de corrupção. O dirigente era operador e financiador da organização criminosa chamada de “Os colarinhos brancos do Porto”, segundo a polícia peruana. Ele é acusado ainda de manipular a Justiça em diversos processos para favorecer criminosos, em troca de dinheiro ou favores.

Com 47 anos, o presidente da Federação é acusado também de financiar viagens e despesas de diversos juízes importantes para assistir a Copa do Mundo da Rússia. Em troca Oviedo esperava que os magistrados o ajuda-se em julgamentos envolvendo o nome dele. Ou seja, ele tentava manipular a Justiça com o famoso toma lá, dá cá.

Oviedo é apontado ainda como o mandante dos assassinatos de dois dirigentes sindicais, um em 2015, e outro em 2017, em meio à disputa empresarial para a administração de uma importante indústria açucareira.

Os escândalos com o nome dele começaram a surgir no início do ano, mas só agora, quase seis meses depois da Copa, as denúncias do Ministério Público foram aceitas.

As acusações destroem a imagem positiva que o dirigente tinha no futebol. A seleção do Peru não disputava uma Copa do Mundo há 36 anos e voltou a um mundial pelas mãos de Oviedo. O chefe da organização foi preso em casa, em uma área nobre de Lima. Para que ele não fuja do país e não atravanque as investigações, a promotoria pediu que o presidente da FPF fique detido de forma preventiva por 24 meses.

O chefe da quadrilha "Os colarinhos brancos do Porto" pode até já ter se livrado de outros julgamentos, mas agora vai ser difícil escapar.

O futebol da América do Sul vive seu momento mais triste. Ver os nomes de cartolas enfiados em organizações criminosas se tornou algo corriqueiro. Dirigentes de vários países e até da Conmebol estão atrás das grades. O caos também invadiu as arquibancadas. A maior final da Libertadores de todos os tempos terá que ser jogada na Europa por falta de segurança na Argentina. Mesmo assim ainda se ignora muita coisa no nosso continente. O ex-presidente da CBF José Maria Marin só foi preso porque estava em um Congresso da FIFA na Suíça. A Espanha não deixou sequer pisar no país um torcedor argentino cheio de antecedentes criminais. Por aqui eles andam tranquilamente pelas ruas, frequentando estádios e cometendo os mais diversos delitos. A faxina no futebol sul-americano ainda está longe de ser levada a sério.

 

Quanto mais mexe, mais fede...Presidente da Federação Peruana de futebol, Edwin Oviedo

 

 

 

 

 

Veja também

Olá, deixe seu comentário para Quanto mais mexe, mais fede

Já temos 4 comentário(s). DEIXE O SEU :)
Marcia Mendes

Marcia Mendes

E claro, o futebol sobre os impactos dos acontecimentos extra campo
★★★★★DIA 07.12.18 21h36RESPONDER
Guilherme Mendes
Enviando Comentário Fechar :/
Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

O futebol está contaminado de oportunistas por todos os lados. A sociedade adoeceu no mundo inteiro com bandidos de toda espécie e o esporte não conseguiu ficar imune. 

★★★★★DIA 08.12.18 12h39RESPONDER
Marcia Mendes
Enviando Comentário Fechar :/
Jose Abrao El Hadj

Jose Abrao El Hadj

Muito bom
Parabéns
★★★★★DIA 07.12.18 10h52RESPONDER
Guilherme Mendes
Enviando Comentário Fechar :/
Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Obrigado,  José. Abraço 

★★★★★DIA 07.12.18 10h57RESPONDER
N/A
Enviando Comentário Fechar :/
Enviando Comentário Fechar :/