Em busca de novos empregos ou insatisfeitos, mais de 2 milhões de brasileiros pediram demissão em 2018
Crescem as demissões espontâneas no Brasil

Quem se assusta quando lê que o Brasil tem cerca de 14 milhões de pessoas sem emprego pode imaginar que o trabalhador que tá fichado em alguma empresa faz de tudo para não engrossar a fileira dos desempregados. Correto? 

Nem todos. Os levantamentos do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, contradizem a máxima de que é melhor um passarinho na mão do que dois voando, pelo menos para uma boa parte da população.

Os números apurados entre janeiro e agosto de 2018 mostram que o país viveu uma situação que parece contraditória em tempos de crise. Dois milhões e duzentos mil brasileiros deixaram o emprego por vontade própria. Isso equivale a 23% do total dos desligamentos no Brasil. 

O número superou o de 2017. No mesmo período do ano passado 2 milhões 105 mil trabalhadores pediram demissão por vontade própria.

A decisão tomada por esses "corajosos" poderia reforçar outra contradição no cenário atual. Segundo o que pregam os teóricos, em ano de eleição não é o momento para se arriscar. 

Mas então porque tanta gente optou por caminhar na via mais perigosa?

A elucidação para esse comportamento vem de duas vertentes. 

Mesmo com o mercado de trabalho ainda moribundo, a criação de vagas tem dado sinais de que já não está mais na UTI. Segundo a Caged, até o mês passado o Brasil criou 568.551 empregos com carteira assinada em todo o país.

Agosto foi o mês mais expressivo com a geração de 110.431 empregos. 

Não dá mesmo para reclamar de agosto, que teve ainda o registro de 1milhão 353 mil contratações e 1milhão 242 mil demissões.

Boa parte das demissões espontâneas pode ter sido motivada pela turma da "troca de cadeiras". São os trabalhadores com grande experiência que, cortejados por outras empresas, passaram a vestir uma nova camisa. 

E tem ainda aqueles que, por diversos motivos pessoais, optaram por dar baixa na carteira.

O crescimento da demissão espontânea tem muito haver ainda com a melhora do mercado de trabalho. No período em que a economia do Brasil andava bem e gerava muitos postos de trabalho, esse tipo de conduta chegou a atingir incríveis 30% dos desligamentos registrados. Mas, com a crise, os trabalhadores ficaram mais conservadores e diminuiu para 20% a turma que se desligava por vontade própria.

Agora, se você tá pensando em deixar seu emprego e se atirar no mercado pense duas vezes. É que nessa balança pesa também a queda nos salários. 

A indústria de transformação, como as de calçados, alimentos e bebidas, criou mais 97 mil empregos. O problema é que elas estão pagando salários que tiveram em média uma redução de 6,09%.

No setor de extração mineral a redução foi ainda maior, 12,11%, e na construção civil a diminuição ficou em 1,32%.

Em agosto, o salário médio de quem foi demitido era de R$ 1.700,80, enquanto o salário médio de quem foi contratado ficou em R$ 1.541,53.

Outra estratégia das empresas para enxugar a folha está no fim do pagamento por produtividade. Agora o trabalhador recebe só o salário. 

Se mesmo assim você quer se aventurar no mercado pense bem: prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. 

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