No conceito dos imediatistas, os craques sobem e descem na gangorra de acordo com os resultados de jogos decisivos
Cristiano Ronaldo e Messi não são os estrumes que muitos imaginam

 

Pelé foi o maior jogador do mundo durante décadas. No período que ele reinou o Santos perdeu um monte de títulos. O nosso maior camisa 10 nunca foi campeão nacional depois que a principal competição do país passou a ser chamar Campeonato Brasileiro.

Pelé também deixou de ganhar Copa do Mundo e Libertadores, e nem por isso perdeu a majestade. Até o surgimento de Maradona, no início dos anos 80, durante mais de duas décadas, com o Santos vencendo ou perdendo, o Rei foi inquestionável.

Os tempos mudaram. Na era digital, da comunicação com a velocidade da luz, das redes sociais bombantes e do futebol globalizado os julgamentos são igualmente precoces. Não basta apenas ser dono de um talento enorme, é preciso ser genial todos os dias.

Uma atuação abaixo da média, a perda de um título ou a eliminação em uma competição podem levar os excepcionais craques se tornarem vulneráveis com todo tipo de desconfiança. São os exageros dos tempos modernos.

Da mesma forma equivocada que se endeusa jogadores também se queima os astros da bola na fogueira da intolerância.

Quer ver um “perseguido” pela volúpia dos comentários? Quantas vezes você já viu o argentino Lionel Messi ser chamado de fora de série e dias depois ser excomungado pelos imperdoáveis críticos? Não é preciso ir longe para constatar o quanto vivemos em uma fase de passividade esportiva.

Há 7 dias Messi foi idolatrado como o maior jogador do futebol atual depois que o Barcelona bateu o Liverpool no Camp Nou, pela Liga do Campeões, por 3 a 0. O espetacular gol de falta da estrela mereceu destaques nos quatro cantos do planeta. Mas na semana seguinte, depois do troco dos ingleses que reverteram a desvantagem e impuseram uma goleada por 4 a 0, Lionel passou a ser bombardeado.

O mesmo excepcional atleta, que teve uma atuação de gala na primeira partida da semifinal, agora é lembrado como o jogador que não ganha mata mata, que fraquejou em Copas, não consegue ser monstruoso com a camisa da Argentina e "raramente" ganha a Champions.

Assim também vive Cristiano Ronaldo. Nas oitavas de final da Liga, o jogador que estava sendo "questionado" pela trupe dos imperdoáveis, fez três gols diante do Atlético de Madrid e, de uma hora para outra, voltou a ser um mito do futebol. Mas por pouco tempo. Na fase seguinte a Juventus se despediu da competição perdendo em casa para o Ajax por 2 a 1. Foi o suficiente para a metralhadora dos furiosos torcedores se voltarem para ataques ao português. Ronaldo estaria em fim de carreira? Cristiano não é mais o mesmo?

A luneta agora está voltada para o egípcio Salah. No ano passado já houve uma tentativa precoce de veículos de imprensa em transformar o jogador do Liverpool no melhor do mundo. Infelizmente, Mohamed se machucou antes da Copa da Rússia. Ele sofreu uma lesão no ombro em um lance com o zagueiro Sérgio Ramos, do Real Madrid, durante a Champions.

A complicada recuperação tirou Salah do primeiro jogo do Egito no Mundial. Quando ele entrou em campo na segunda partida a seleção africana sofreu nova derrota e perdeu a chance de seguir na Copa.

A final do Liverpool na Liga europeia vai colocar todas as lentes em cima do melhor jogador do time inglês. Salah só tem uma opção para provar que era tudo o que se falava dele. Mas se não conquistar o título será a próxima vítima do apedrejamento público.

Nem ao céu, nem ao inferno. Nenhum desses grandes jogadores deveria ser tratado como um Deus quando tem atuações brilhantes, e muito menos ser escorraçado quando não ganham. Todos são seres humanos falíveis, que vão acertar em momentos brilhantes, mas são incapazes de ganhar sozinhos por seus times.

Sempre foi assim. Nem Pelé, Garrincha, Maradona, Cruyff, Di Stefano, Platini, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho e tantos outros maravilhosos craques ganharam todas. Nenhum deles também deixou de ser genial nos campos quando perderam decisões e classificações.

Os antigos e os novos merecem mais respeito e consideração.

 

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