O efeito cascata dos altos valores pagos por jogadores atingiu o mundo inteiro
Cristiano Ronaldo faz Sassá e Luan custarem mais caro

 

Antes que você pense que os atacantes de Atlético e Cruzeiro estão na mira da Juventus, saiba que não é bem isso. O que o craque português tem feito é transformar o futebol em um esporte caro. Não só Cristiano, mas as principais estrelas da bola, e que também andam escassas. Sem tantos "fora de série" disponíveis no mercado, quem se dispõe a comprar atletas paga valores desmedidos e nem sempre leva qualidade para casa. 

Não é possível traçar um paralelo com os tempos do maior jogador da história porque Pelé nunca foi negociado. O Rei jogou no Santos e depois no Cosmos de Nova Iorque. Mas a mudança de clube aconteceu em um período que o craque tinha pendurado as chuteiras. Pelé havia se aposentado para o futebol quando recebeu o convite para retornar aos campos nos Estados Unidos. 

Já sobre a era Maradona é bem fácil. O craque argentino trocou de clube várias vezes. Nas duas transações em que custou fortunas, o ídolo foi vendido pelo Boca Juniors ao Barcelona em 1982, por US$ 7,2 milhões (R$ 27,9 milhões), e depois para o Napoli por US$ 10,48 milhões (R$ 40,6 milhões), em 1984. 

Esses valores ainda hoje são altos para se adquirir um jogador, mas ficaram "irrisórios" perto do que alguns clubes se dispuseram a investir recentemente. Cristiano Ronaldo, sem viver seus melhores dias, foi comprado esse ano pela Juventus com o clube italiano pagando € 100 milhões (R$ 444 milhões). 

No ano passado, o Paris Saint-Germain desembolsou € 222 milhões (R$ 985,6 milhões) para ter Neymar. O dinheiro encheu os cofres do Barcelona. 

 

Cristiano Ronaldo faz Sassá e Luan custarem mais caro Neymar foi comprado na maior transação da história do futebol - € 222 milhões

 

É aí que está a explicação para os outros simples mortais do futebol passarem a valer muito mais. Os clubes que se empanturram com a grana das negociações geralmente vão ao mercado em busca de reposição para ocupar o lugar das estrelas que saíram. 

O Barcelona gastou boa parte da venda de Neymar adquirindo os direitos econômicos do francês Ousmane Dembélé e do brasileiro Philippe Coutinho. E pagou caro pelos dois, cerca de € 265 milhões (R$1.176,6 bilhão). 

Assim entra em cena o efeito cascata. O Liverpool sabia que dinheiro não faltava aos catalães e exigiu por Coutinho € 160 milhões (R$ 710,4 milhões). 

Em 2013, quando comprou o brasileiro junto a Internazionale de Milão, o time inglês havia desembolsado € 13,7 milhões (R$ 60,8 milhões).

Claro que no Liverpool Coutinho se valorizou também porque fez temporadas consistentes, mas boa parte da fortuna cobrada pelos "Vermelhos" se deve ao fato do Barça andar com os cofres abarrotados. 

Esse círculo vicioso se multiplica pelo mundo afora. Quem vende sabe quanto o comprador pode pagar. 

Para evitar o redemoinho do dinheiro que entra em um bolso e saiu por outro, os clubes têm a opção de inverter a ordem, comprando primeiro antes de vender seus ídolos. 

Foi o caso do Real Madrid. Antevendo a partida do CR7, um ano antes os espanhóis vieram ao Brasil buscar no Flamengo o promissor Vinícius Júnior. A transação custou € 45 milhões (R$ 199,8 milhões). 

 

Pouco revelação e muita concorrência 

 

O segundo motivo da "valorização" dos jogadores está na penúria de promessas. O futebol anda aflito em busca de boas revelações, cada vez mais raras. 

Quem aparece e faz uma temporada de destaque vira logo sinônimo de grana. 

Aos clubes não resta muito opção. Ou se investe em categorias de base, ou se paga caro para ter bons jogadores, o que parece mais cômodo. 

Quer ver como funciona? Tente recordar a escalação do seu time e veja quantos jogadores revelados na categoria de base se tornaram titulares na equipe principal esse ano. 

Nenhum, um ou dois? Tenho certeza que não passou disso. 

Se a base não descobre talentos o jeito é ir ao mercado, e quem entra nessa roleta inflaciona o futebol. Como na Europa, o Brasil também vive uma escalada de preços exorbitantes para se adquirir um jogador. Claro que em proporções menores, mas igualmente exageradas. 

Quem tem dinheiro ou precisa muito, gasta sem dó. Você consegue crer que o Palmeiras pagou pelo atacante Miguel Borja US$ 10,5 milhões (R$ 40,740 milhões) por 70% dos direitos econômicos do jogador? 

Tudo bem que a Crefisa, patrocinadora do clube, participou entrando com o dinheiro, mas é difícil imaginar (ou acreditar) que o colombiano custou mais do que o Napoli investiu para ter Maradona. 

Empresários e dirigentes vão argumentar que são tempos diferentes, sem comparação, o que é uma meia verdade. O futebol se inflacionou sem ter uma qualidade que justificasse. Hoje se paga muito mais pela escassez do que pela excepcionalidade técnica dos jogadores. 

Um bom exemplo da crise de talentos geniais pode ser medida na escolha do croata Luka Modrić como o melhor do mundo. Não dá para questionar os recursos do jogador. É inteligente, tem boa visão de jogo, habilidade, sentido coletivo, mas está longe de ter o status de "fora de série". 

A concorrência também se tornou maior na disputa pelas joias da bola. Países antes com pouca tradição no futebol passaram a frequentar o mercado despejando fábulas de dinheiro em contratações. A China é um bom exemplo. 

Tem ainda os milionários que se tornaram donos de times que andavam mal das pernas financeiramente. O PSG está aí para mostrar o que um dono endinheirado pode fazer. 

A combinação de módicas revelações com a torneira aberta esguichando dólares, euros, yuan, libras, real e outras tantas moedas fizeram inchar o valor dos jogadores. Por isso, é possível dizer que Luan e Sassá hoje valem mais do que quando foram adquiridos pelos seus clubes atuais.  


A incoerência dos clubes  

 

Se a "bolsa de valores de jogadores" não para de subir, por outro lado, os clubes também nunca estiveram tão endividados. No Brasil existem pelo menos uns seis que estão com mais de 500 milhões de reais em compromissos pendurados. 

Um reflexo desse quadro você está vendo na atual janela do futebol brasileiro. Dezembro sempre foi um período fértil de contratações. Até alguns anos atrás era comum cartolas anunciarem cinco, oito, dez jogadores para a temporada seguinte. 

Em 2018 foi bem diferente. O movimento de entrada e saída nos times está modesto. Sem grana, o discurso adotado pelos dirigentes agora é o de investir em contratações pontuais. Traduzindo: só vale a pena gastar com quem vai dar retorno certo. 

A outra opção é fazer trocas de jogadores entre os clubes. Mesmo assim, essa operação tem custo alto. 

Geralmente, empresários cobram comissões para acertar os contratos de seus pupilos, que ainda podem receber luvas. Fora o impacto na folha com a absorção dos salários dos atletas que chegam. 

No futebol nada é de graça. E quanto menos qualidade, por incrível que pareça, mais caro custam os minguados craques e seus companheiros de bola. 

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Emerson Garcia

Emerson Garcia

Perfeito!
★★★★★DIA 31.12.18 04h58RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Emerson, obrigado por visitar o nosso blog. Um feliz 2019 para você. Abraço.

★★★★★DIA 31.12.18 09h12RESPONDER
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