A grande estratégia do clube para se tornar o maior Campeão da Copa do Brasil foi apostar na simplicidade
Hexacampeão, Cruzeiro deu uma lição ao futebol brasileiro

Pelo segundo ano consecutivo os adversários viram os mineiros arrebatarem o título e devem estar se perguntando: como isso foi possível?
O número 6, tão reverenciado pelos cruzeirenses, pode ser a explicação.

 

Hexacampeão, Cruzeiro deu uma lição ao futebol brasileiroFoto: Staff CBF

 

Se não vejamos.

No início da temporada, enquanto vários clubes começaram trabalhos do zero, com uma nova comissão técnica, o Cruzeiro apostou na manutenção do treinador Mano Menezes. 

A atitude de renovar com o técnico foi a mais certeira para colher frutos em 2018. Mano tinha nas mãos um elenco que ele conhece muito bem e sabe explorar o que cada jogador pode dar. Isso faz muita diferença no futebol. O clube, que já vinha de uma grande conquista no ano anterior, tomava a primeira medida certeira.

A segunda decisão foi prestigiar o time campeão da Copa do Brasil de 2017, renovando os contratos de todos os jogadores que tiveram seus vínculos encerrados. A permanência do capitão Fábio é uma boa forma de se enxergar esse enredo bem elaborado.

Dos titulares do ano passado apenas Diogo Barbosa deixou o Cruzeiro, negociado com o Palmeiras. Mas a antiga diretoria, antes de ir embora, correu rapidamente ao mercado e trouxe Egídio, um jogador identificado com o clube e vencedor com a camisa azul. O lateral tinha feito parte da campanha do bicampeonato brasileiro de 2013 e 2014. Edilson foi outro reforço importante para a lateral direita, a posição mais vulnerável do time nos últimos anos.

O terceiro ponto que merece ser destacado é todo dedicado a apenas um jogador, Dedé. O zagueiro vinha de um período na carreira absolutamente frustrante com graves lesões nos joelhos. Foram dois anos com algumas cirurgias e uma persistência exemplar em querer se recuperar até chegar ao mesmo patamar dos seus melhores momentos. E o Mito deu a volta por cima em 2018.

Dedé não só teve sequência de partidas sem novas lesões como mostrou seu melhor jogo. A recuperação física e técnica foi tão fantástica que o zagueiro caiu no encantamento do técnico da seleção brasileira. Tite convocou o jogador para os amistosos em setembro, contra Estados Unidos e El Salvador. Dedé só não participou dos jogos da seleção em outubro, frente a Arábia Saudita e Argentina, porque o Cruzeiro estava nas finais da Copa do Brasil.

A janela de transferências do meio do ano pegou em cheio vários clubes do país. Flamengo, Grêmio, São Paulo, Atlético-MG, Corinthians e Palmeiras sucumbiram diante de propostas irrecusáveis e venderam ou emprestaram peças importantes, desmontando seus times no meio da temporada.

Para citar apenas alguns nomes a lista tem Vinicius Júnior, Felipe Vizeu (Flamengo), Artur (Grêmio), Cueva (São Paulo), Roger Guedes, Otero (Atletico-MG), Marquinhos Gabriel, Rodriguinho, Sidcley (Corinthians), Tchê Tchê e Keno (Palmeiras). Até o treinador o Timão perdeu para o exterior. Fábio Carille trocou o Parque São Jorge pelo Al Wehda, da Arábia Saudita.

Já o Cruzeiro manteve todos os seus jogadores. Nem a comentada possível saída de Arrascaeta se confirmou. E valeu manter o gringo. O gol do título acabou saíndo dos pés do uruguaio. Ou seja, enquanto seus adversários se enfraqueciam o Campeão de 2017 se mantinha intacto. Era a quarta vantagem sobre todos os outros concorrentes.

O quinto ponto diz respeito ao tipo de contratação que o futebol agora resolveu apelidar de "pontual". No início do ano o clube havia trazido de volta Fred, mas o jogador sofreu uma ruptura de ligamento de joelho em um jogo do Campeonato Mineiro contra o Tupi e precisou parar por seis meses. Sassá era para ser seu substituto imediato, mas também foi submetido a uma cirurgia no meio da temporada e o Cruzeiro correu ao mercado para trazer um experiente artilheiro.

Barcos retornou ao Brasil para ser a peça que poderia fazer falta ao grupo. Mesmo contestado por causa de algumas atuações o jogador fez o gol mais importante na trajetória em direção ao título, diante do Palmeiras, na vitória por um a zero, em São Paulo, na semifinal.

 

Hexacampeão, Cruzeiro deu uma lição ao futebol brasileiroFoto: Staff CBF

 

Para encerrar os seis motivos que levaram ao sexto título do Cruzeiro na Copa do Brasil, somam-se os seis pontos dos jogos finais contra o Corinthians que fecharam uma campanha memorável. Desde 2014, um campeão não vencia as duas partidas da decisão. O último tinha sido o Atlético-MG, exatamente sobre o Cruzeiro.

É preciso destacar ainda que nas três últimas fases desse ano, contra Santos, Palmeiras e Corinthians, o Cruzeiro bateu seus adversários jogando na casa deles, em São Paulo.

 

Hexacampeão, Cruzeiro deu uma lição ao futebol brasileiroFoto: Staff CBF

 

Está aí um campeão inquestionável. Alguns adversários vão passar o resto da vida lamentando lances em jogos contra o próprio Cruzeiro que poderia ter mudado o desfecho da competição.

Cuca e o Santos ainda devem estar chorando a última jogada do jogo no Mineirão, quando o juiz encerrou a partida em um contra ataque do Peixe. O Palmeiras lamentando o gol de empate anulado na Arena, no finalzinho da primeira partida da semifinal. Já o Corinthians vai amaldicionar o VAR por um bom tempo por causa do gol anulado de Pedrinho na grande decisão.

Mas tudo isso faz parte do jogo.

Pela primeira vez na Copa do Brasil um mesmo clube conquista o título dois anos consecutivos.

Para a história fica apenas a foto do campeão. E em 2018, de novo, ele é o Cruzeiro.

 

Hexacampeão, Cruzeiro deu uma lição ao futebol brasileiroFoto: Staff CBF 

 

 

 

 

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Joyce Romano

Joyce Romano

Excelente análise!!!
★★★★★DIA 18.10.18 18h58RESPONDER
Guilherme Mendes
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Joyce, obrigado por ter visitado o nosso blog. Volte srmpre. Grande abraço

★★★★★DIA 18.10.18 19h33RESPONDER
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Cláudia Romualdo

Cláudia Romualdo

Excelente texto, Guilherme! Sua análise é digna dos maiores estudiosos do futebol, sobretudo, do brasileiro. Simples e clara! Só possível de ser feita por um jornalista isento, raridade hoje na imprensa brasileira. Nas entrelinhas, percebe-se que os anos de estrada trabalhando com comunicação fizeram de você um dos mais éticos e brilhantes profissionais da área no Brasil! Parabéns!
★★★★★DIA 18.10.18 16h48RESPONDER
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