A decisão foi tomada pela justiça do país que considerou inconstitucional a proibição que vigorava. Mas quem quiser fumar um baseado vai ter que plantar a erva em casa
Depois de Uruguai, África e Canadá agora é o México que libera o consumo da maconha

Dá para dizer que liberou quase geral. Quase porque ainda tem restrições o consumo da maconha. A Primeira Sala da Suprema Corte de Justiça da Nação entendeu que não fazia sentido a proibição. O cidadão mexicano tem o direito de decidir se quer fumar seu "cigarrinho", desde que seja um consumo recreativo. Ou seja, ninguém por lá precisa mais se esconder da polícia e se trancar no quarto para queimar a erva. Pode fumar no meio da rua, sem problema. O que continua sendo considerado crime é comercializar a folha de maconha. Isso não pode mesmo. Também não teve autorização o uso da planta para fins medicinais

 

Uruguai abriu a porteira

 

O Uruguai foi o primeiro país no mundo a liberar o consumo. O Governo do presidente José Mujica sancionou a lei em 2013, mas só no ano passado começou a valer e o usuário tem que obedecer uma das três condições para ter a marijuana: a produção tem que ser doméstica e no máximo de seis plantas por casa; se tornar sócio de um clube de cultivo ou compra-la em farmácia autorizada. Os usuários tem que escolher uma dessas opções e se inscrever em um cartório. A quantidade autorizada por semana é de 10 gramas. Em pouco mais de um ano cerca de 28 mil usuários já se inscreveram.

 

Depois de Uruguai, África e Canadá agora é o México que libera o consumo da maconha

 

Canadá libera maconha e esgota estoque

 

Em outubro o Canadá tomou uma decisão parecida. A diferença é que por lá pode se vender a erva tranquilamente nos estabelecimentos comerciais e pela internet. Mas todos os vendedores são cadastrados pelo governo. Tem até loja estatal comercializando maconha. A mais famosa é a Sociedade da Cannabis Quebequense - SCDC.

Para garantir logo seus baseados, muitas pessoas dormiram em filas na véspera da abertura das lojas. A correria no primeiro dia foi grande e em poucas horas já não tinha mais nada nas prateleiras de algumas cidades. Nem cerveja feita a base de maconha sobrou. A SCDC se preparou para atender a 4 mil pedidos, mas como o estoque se esgotou rapidamente, 14 mil pessoas tiveram que entrar na fila de espera.

Pelas contas das autoridades comerciais canadenses, pelo menos 111 lojas legalizadas devem ser abertas no país nos próximos meses. Só não está liberado ainda em Ontário, província que inclui Toronto. A região mais populosa do país ainda aguarda a aprovação de regras próprias para as vendas.

Os canadenses só podem ter posse da cannabis sativas para consumo recreativo. Sendo assim, também existe um bom controle. Cada pessoa pode andar com no máximo 30 gramas de maconha e cultivar até quatro mudas em casa. A idade também é controlada. O usuário precisa ter 18 anos para adquirir o produto. Em algumas províncias a idade mínima chega a 21 anos.

O negócio é cheio de regras, mas também super sofisticado. De qualquer lugar a população pode encomendar a maconha através de sites e receber pelos correios. Nos locais que já são proibidos a fumantes também não pode ter ninguém pitando. Dirigir depois de fumar um fininho, nem pensar. Hoje, 120 empresas trabalham na produção dos produtos derivados da folha. Eles já estimam que esse tipo de negócio vai movimentar 4,6 bilhões de dólares por ano.

 

Depois de Uruguai, África e Canadá agora é o México que libera o consumo da maconha

 

A legalização no Canadá foi uma promessa de campanha do primeiro-ministro Justin Trudeau. A principal justificativa era para acabar com o mercado negro, mas essa missão é bem mais longa e deve durar 4 anos, segundo o Ministério da Justiça.

 

A confusa legislação africana

 

Na África do Sul o consumo foi liberado um mês antes, em setembro, e só para adultos. A população pode cultivar e consumir em casa. Mas no país africano a legislação ficou meio confusa porque não existe uma quantidade definida para andar com a dagga, como eles chamam. A Suprema Corte transferiu para as autoridades de segurança os limites para o porte da droga. Caso uma pessoa seja abordada em uma revista caberá ao policial decidir se a quantidade que ela carrega pode ser considerada tráfico.

 

Depois de Uruguai, África e Canadá agora é o México que libera o consumo da maconha

 

Agora é no México

 

No México vai ser um pouquinho mais complicado. A Primeira Sala da Suprema Corte de Justiça da Nação autorizou o cultivo e o consumo do fumo, mas quem quiser usar o bagulho vai ter que pedir permissão a Comissão Federal para a Proteção contra Riscos Sanitários.

Olha como eles chegaram a essa conclusão. A tal da Primeira Sala "sustentou que o direito ao livre desenvolvimento da personalidade permite que os maiores de idade decidam - sem interferência alguma - que tipo de atividades lúdicas desejam realizar e protege todas as ações necessárias para materializar essa escolha", segundo contam as agências de notícias.

Mas se você está achando que vem mais liberalidade por aí vai devagar. A Corte fez questão de deixar bem claro que "esse direito não é absoluto", pois o cidadão não pode comercializar a maconha e nem utilizar outros entorpecentes e psicotrópicos.

 

Nas "Terras da Rainha" só como remédio

 

Em julho, o Governo do Reino Unido também concedeu o uso da maconha, mas apenas para os casos em que substâncias da planta podem ser usadas para fins medicinais. Cientistas acreditam que existem fortes indícios de que a erva pode amenizar a epilepsia e doenças com dores crônicas, esclerose múltipla e enjoo provocado pela quimioterapia.

 

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O que mudou

 

Você ficou curioso para saber o que aconteceu em todos esses países depois que a maconha foi liberada para consumo recreativo? Por enquanto só o Uruguai apresenta resultado de pesquisas porque lá o bagulho tá correndo solto há um ano.

Todo mês cresce o número de consumidores, mas também a escalada de violência. Como a população agora tem acesso a droga de forma legalizada os traficantes viram o negócio deles minguar e para sobreviver aumentou o número de homicídios vinculados a disputa pelo controle dos reduzidos pontos de venda clandestina.

 

Depois de Uruguai, África e Canadá agora é o México que libera o consumo da maconha

 

Pelo mundo afora

 

Nos Estados Unidos a comercialização da maconha para consumo recreativo está liberada em apenas alguns estados.

Na Holanda a erva não é liberada, mas o seu uso é tolerado.

Em Portugal quem consome a droga pode ser punido por lei, mas não é mais um crime que gera prisão e julgamento em tribunais.

Na Espanha só pessoas com mais de 18 anos podem usar a droga, mas a maconha não pode ser comercializada.

Na Jamaica também é assim. O nativo pode plantar e consumir, mas não pode vender.

Na Argentina, Colômbia, Chile, Brasil e Israrel a droga tem sido permitida para tratamentos de saúde.

 

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