Mas também nunca tantos homens realizaram o sonho de chegar ao topo da montanha mais alta do mundo
10 alpinistas já morreram esse ano no monte Everest

Não basta apenas ter espírito de aventura. Quem se dispõe a alcançar o ponto mais alto do planeta terra precisa se preparar muito, e ainda estar disposto a gastar uma quantia generosa. 

Desde que uma expedição de britânicos decidiu escalar a montanha pela primeira vez em 1921, milhares de alpinistas já fizeram um esforço sobre humano para poder pisar na maior elevação da superfície terrestre. 

São 8 848 metros acima do nível do mar. Não existem números oficiais de quantos conseguiram completar tal façanha, nem uma estatística precisa sobre as mortes. Os cálculos são baseados em relatos de alpinistas e sherpas. 

Pela contagem informal, calcula-se que cerca de 8 mil homens e mulheres já se enveredaram pelas trilhas do Nepal e do Tibete buscando ganhar a extremidade da montanha. Isso em quase um século. Quase 5 mil completaram a escalada (nessa estimativa estão os que subiram mais de uma vez). 

Se você se surpreendeu com esses números, provavelmente ficará impressionado com outro bem negativo. Mais de 300 alpinistas morreram ao tentar vencer o desafio da montanha. Cerca de 56% perderam a vida na descida, depois de atingir o cume. 

A maior parte dos óbitos acontece por avalanches, quedas e problemas fisiológicos agudos, como tontura e dor de cabeça.

Ao longo da elevação gigante do Himalaia existem pelo menos 200 corpos que ficaram nas geleiras do Everest. Conforme o ponto é quase impossível resgatar quem morre durante a escalada. Também não é nada barato.

Segundo especialistas declararam ao site da BBC, descer um corpo pode custar entre US$ 40 mil (cerca de R$ 150 mil) e US$ 80 mil (R$ 320 mil).

"A maioria dos alpinistas prefere ser deixada nas montanhas em caso de morte", declarou Alan Arnette. "Então, removê-los pode ser considerado desrespeitoso. A menos que eles precisem ser retirados da rota de escalada ou que as famílias desejem isto", afirmou o famoso alpinista.

 

Oito alpinistas já morreram esse ano no monte Everest Tsewang Paljor, alpinista indiano que perdeu a vida em uma nevasca em 1996 

 

  
Números impressionantes em 2019

 

Devido às condições climáticas, apenas no período das "janelas" é possível avançar pelas trilhas. Os alpinistas precisam aguardar que as rajadas de vento fiquem mais lentas e que a região não sofra influência das monções. Por isso, os meses de abril e maio são os únicos propícios para a escalada. 

Em 2019, um número inimaginável de praticantes do esporte conseguiu licença para encarar o Everest. Só o Nepal concedeu 381 permissões de escalada por uma subida pela rota padrão, considerada a mais fácil. 

Cada pessoa teve que pagar 11.000 dólares (R$ 44 mil). A farta temporada para os cofres nepaleses rendeu 4,2 milhões de dólares (R$ 16,8 milhões).  

Pelo lado do Tibete, ao menos 140 receberam permissões para escalar o Everest à partir do flanco norte. Como cada titular da licença tem que ser acompanhado por um guia, nada menos do que 1.042 pessoas estão transitando pela montanha desde o mês passado. Para se ter uma ideia do crescimento, em 2018 pisaram no teto do mundo 802 pessoas. 

Diante de tamanha invasão à montanha, já era de se esperar que um número recorde de alpinistas conseguisse chegar ao cume. De acordo com a divulgação da última quinta-feira (23/05), quase 550 alpinistas tinham alcançado o topo do Everest nesta temporada. 

O número extravagante proporcionou imagens que até poucos anos seriam inimagináveis. Na trilha de aproximação do cume se formou um verdadeiro "engarrafamento". A fila de alpinistas parecia inacreditável. 

Mas ao mesmo tempo em que o visual da montanha ficava colorido pelos agasalhos e gorros dos escaladores, o Everest viveu dias de tristes notícias. Em apenas 72 horas morreram seis alpinistas.

A indiana Kalpana Das, de 52 anos, faleceu na quinta-feira (23) à tarde quando descia. O indiano Nihal Bagwan, de 27 anos, também morreu durante a descida. Já um austríaco, de 65 anos, morreu no lado tibetano da montanha. Um guia nepalês, de 33 anos, morreu em um acampamento-base a 7.158 metros de altitude. No sábado mais dois perderam a vida, um britânico e um irlandês. 

Eles se somam a outros quatro alpinistas que também vieram a óbito em abril, totalizando 10 na janela atual. No ano passado aconteceram cinco mortes durante as escaladas.

 

O triste recorde de 1996

 

Apesar da triste contagem de mortes de 2019, essa não é a temporada mais trágica. Em 1996, durante as tentativas de se chegar ao cume, foram registradas 19 mortes, no pior ano da história do Everest. 

Em um único dia oito pessoas morreram. Uma tempestade impediu que alpinistas que estavam próximos ao cume descessem.

Entre as vítimas se encontravam os experientes alpinistas Rob Hall e Scott Fischer, que comandavam expedições pagas até o topo. O desastre ganhou grande destaque na mídia e virou um filme com o nome da montanha: Everest.

 

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