O prejuízo levou Jeff Bezos a perder também o título de homem mais rico do mundo por algumas horas
Dono da Amazon perde mais de US$ 10 bilhões do dia para a noite

Se você é um admirador do empreendedor Bezos, saiba já no começo desse texto que não existe razão para se preocupar com a saúde financeira do grupo Amazon. Pelo menos no atual cenário. Mas que foi um susto enorme, não tenha dúvidas.

O que fez tanto dinheiro do magnata sumir pelo ralo foi a divulgação dos resultados da empresa no terceiro trimestre de 2019. Houve uma queda de 26% no lucro líquido em comparação com o mesmo período do ano passado, exatamente US$ 6,9 bilhões. Desde 2017 a Amazon não sofria um declínio. Talvez por isso o mercado tenha se assustado tanto.

A consequência imediata pode ser vista na Bolsa de Valores. As ações da varejista caíram quase 9% após o fechamento na noite da última quinta-feira (24/10). Com a reação negativa do mercado, o patrimônio líquido de Jeff "encolheu" de US$ 114 bilhões para US$ 103,9 bilhões, de acordo com a Forbes.

Momentaneamente, Bezos perdeu ainda o título de homem mais rico do mundo para Bill Gates, dono da Microsoft, que tem um patrimônio de US$ 105,7 bilhões.

Diante do inesperado quadro, a pergunta que os investidores buscaram resposta era o que teria acontecido. Com a mesma velocidade que o mercado reagiu vieram também as explicações.

O principal motivo para a diminuição do lucro são os altos investimentos que a gigante do e-commerce anda fazendo. A companhia está apostando em melhorias nas áreas de logística e infraestrutura.

A principal delas é cumprir à risca a promessa que foi feita aos membros do Amazon Prime, uma categoria de usuários que paga uma mensalidade para ter acesso a uma série de serviços exclusivos, como a entrega dos produtos em um dia com frete grátis.

Segundo a Amazon, no segundo semestre foram investidos mais de US$ 800 milhões no programa. Sem especificar quanto saiu dos caixas no terceiro trimestre para o projeto, a empresa explicou apenas que a projeção é destinar US$ 1,5 bilhão até o final do ano.

Se por um lado o lucro diminuiu, por outro o faturamento continua em alta. A receita líquida total da Amazon teve um crescimento de 23,7% e chegou a US$ 69,98 bilhões.

O problema da empresa está no aumento das despesas, principalmente dos fretes que subiram 46% no mundo comparado ao mesmo período de 2018. Ou seja, o faturamento cresceu, mas também está muito mais caro entregar os produtos.

"Ao entrar no quarto trimestre, teremos uma despesa de quase US$ 1,5 bilhão devido aos valores de frete, que é essencialmente o custo do transporte, o preço por expandir nossa capacidade de logística", afirmou na teleconferência de resultados Brian Olsavsky, diretor financeiro da empresa Amazon.

 

O sobe e desce de Bezos

 

Já tem um tempo que o CEO da Amazon vem liderando o ranking dos maiores bilionários do mundo. Em 2018, ele passou à frente de Bill Gates, que há 24 anos reinava absoluto. Jeff fechou dezembro com US$ 160 bilhões na conta.

O fenômeno Bezos parecia quase imbatível nos últimos meses. Nem o divórcio com a senhora Mackenzie esse ano, que deu a ex-esposa o direito a quase um quarto da fortuna da família, cerca de US$ 38 bilhões, havia balançado a hegemonia do ricaço.

Mas a repercussão da queda do lucro da empresa atingiu o coração financeiro da Amazon. De uma hora para outra o bilionário viu desaparecer mais de US$ 10 bilhões.

Felizmente para ele, o susto não foi muito longe. Bastou uma desaceleração na queda das ações para Jeff assumir novamente a primeira posição. Na manhã da sexta-feira (25), a trajetória descendente dos papeis amenizou. O patrimônio líquido da empresa retornou à casa de US$ 109 bilhões.

 

Segunda derrota na mesma semana

 

Enquanto se restabelecia do susto da semana, Jeff Bezos sofreu outro duro golpe. No sábado (26/10), a imprensa americana divulgou que a Amazon havia perdido a concorrência pela modernização digital do sistema usado pelo Pentágono. O novo processo será gerido por meio de computação na nuvem.

O vencedor foi justamente o maior concorrente da Amazon. A Microsoft ganhou um contrato de 10 bilhões de dólares, segundo informou o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, desbancando a empresa de Jeff, que era apontada como a favorita.

Durante o processo de licitação, Bezos havia sofrido fortes ataques do presidente americano. Em agosto, Donald Trump disse que seu governo estava revendo a proposta da Amazon após reclamações de outras empresas.

A Oracle foi uma das que contestaram o processo de licitação, alegando que um ex-funcionário da Amazon trabalhou no projeto do Departamento de Defesa, mas depois se retirou.

O contrato da Nuvem de Infraestrutura de Defesa Corporativa Conjunta (JEDI, na sigla em inglês) foi criado como parte de uma modernização digital do Pentágono. O objetivo é tornar o Exército mais ágil tecnologicamente a partir do acesso de dados na nuvem, principalmente nos campos de batalha e locais remotos.

Após a divulgação do resultado da licitação, em um comunicado a Amazon Web Services (AWS) explicou que a empresa estava "surpresa pela conclusão" do processo de escolha. A Reuters disse ainda que a AWS está estudando opções para fazer uma apelação.

Ainda de acordo com fontes oficiais ouvidas pela agência de notícias, embora o Pentágono seja a maior potência militar do mundo, sua tecnologia de informação é bastante inadequada.

 

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