O réu foi condenado a 7 anos pelo tribunal do Júri, mas vai poder cumprir a pena em liberade
Durante julgamento, vítima beija namorado que tentou matá-la com 7 tiros

Provavelmente você ainda não viu uma história assim. O fato aconteceu na cidade gaúcha de Venâncio Aires. A tentativa de homicídio ocorreu no início da noite do dia 14 de agosto de 2019, nas imediações da Igreja Matriz.

Segundo relatos dos envolvidos, Lisandro Rafael Posselt e Micheli Schlosser tinham um relacionamento de um ano e seis meses. No dia da briga, o casal almoçou na casa de um familiar do acusado. Poucas horas depois eles voltaram a se encontrar. Era fim de tarde quando os dois foram tomar chimarrão e sorvete. Foi nesse momento que houve a briga na presença de amigos.

Micheli conta que viu no celular do namorado mensagens que seriam de outra mulher. Revoltada, ela passou a discutir e a provocar Lisandro. "Eu falei que iria ficar com os amigos dele e que iria denunciar ele por estupro", disse a mulher.

Irritado com a discussão, Posselt foi embora em uma moto. Mas ele retornou em instantes. Nesse momento, ao perceberem a aproximação do homem, os amigos empurraram Micheli para dentro de um carro. Não foi suficiente. Lisandro ainda conseguiu sacar a arma, um revólver calibre 22, e passou a fazer os disparos através da janela traseira do veículo. Foram sete tiros ao todo, cinco acertaram a companheira. Duas balas atingiram a cabeça, duas o braço esquerdo e uma as costas.

Para sorte de Micheli, não houve nenhuma perfuração em seu corpo. A munição utilizada por Posselt tinha uma quantidade reduzida de pólvora. Mesmo assim, a jovem foi socorrida e levada para o Hospital São Sebastião Mártir.

No dia seguinte ao crime, Lisandro foi à delegacia acompanhado de um advogado. Ele entregou a arma usada na tentativa de assassinato e acabou preso preventivamente.

Durante o período em que o homem esteve detido, Micheli chegou a pedir medida protetiva contra o réu. Tempos depois, ela solicitou autorização judicial para visitá-lo na Penitenciária Estadual da cidade, mas o Juiz negou.

Na terça-feira, dia 28 de janeiro, Lisandro Rafael Posselt foi a julgamento no Fórum da Comarca de Venâncio Aires, acusado de tentativa de homicídio.

De acordo com o juiz João Francisco Goulart Borges, quando Micheli entrou no plenário ela pediu autorização para beijar o acusado, mas não teve permissão. O gesto surpreendente veio após o depoimento da vítima. A mulher disse aos jurados que perdoava o agressor e foi em direção ao réu e o beijou. "Me surpreende uma mulher vítima de cinco tiros ter esse desejo, de manter uma relação, um contato, com o autor do crime. É surpreendente", afirmou o Juiz.

Para o advogado Jean Severo, que defendeu Lisandro, a atitude inesperada o auxiliou na estratégia de defesa. "Se a vítima tem essa atitude, ela que é a principal interessada, isso certamente facilitou a nossa argumentação", disse Severo.

O acusado ainda pediu uma nova chance aos jurados, dizendo que não queria voltar para "aquele inferno", se referindo a penitenciária.

Coube ao júri, formado por cinco homens e duas mulheres, decidir sobre a tentativa de homicídio. Três jurados votaram pela absolvição. Mas Lisandro acabou condenado a cinco anos por tentativa de feminicídio privilegiado, por agir sob forte emoção e por ter dificultado a defesa da vítima. Os outros dois anos da pena foram pelo porte ilegal de arma.

Por não ter antecedentes criminais e receber uma condenação inferior a 8 anos, o réu poderá cumprir a pena de regime semiaberto em liberdade.

O advogado de defesa considerou a sentença adequada. Jean Severo afirmou que não recorrerá da decisão. Para o promotor Pedro Rui da Fontoura Porto, que atuou na acusação, a vítima alegou diversas vezes durante o processo que era a culpada pelo descontrole emocional de Lisandro. Micheli alegava também que a discussão começou porque ela o ameaçou de uma falsa denúncia de estupro.

"Entendemos que a versão não é verdadeira. Mesmo que fosse, não seria privilegiadora, pois o crime não foi na mesma hora. Ele saiu do local e retornou depois com a arma", disse o promotor que prometeu recorrer para aumentar a pena.

Depois do julgamento, Micheli deu entrevistas falando sobre a história. Ela reafirmou que as ofensas motivaram a atitude do companheiro, mas que o episódio foi um fato isolado na relação deles. A vítima disse ainda que Lisandro nunca havia demonstrado atos de agressividade.

A mulher, que tem 25 anos, garantiu que ficou satisfeita com a decisão do magistrado e agora quer retomar o relacionamento. "Daqui em diante vamos conversar, tentar se acertar, ter a nossa casa, casar e construir o nosso próprio negócio", explicou.

Sobre a iniciativa de beijar Lisandro diante do júri, ela garante que foi uma situação pensada e era algo que "queria muito". Por fim, Micheli definiu o sentimento sobre o companheiro. "De todos os homens que eu tive, foi um dos melhores. Não posso reclamar, ele não é uma pessoa ruim. Me tratava da melhor forma possível, me levava para tudo que é lugar. Eu era uma rainha para ele", concluiu.

 

Durante julgamento, vítima beija namorado que tentou matá-la com 7 tiros

 

* a foto de Micheli é do arquivo pessoal da jovem. A foto da capa é de autoria de Alvaro Pegoraro/Folha do Mate

 

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BRENO CAGLIARI

BRENO CAGLIARI

Mulher arrebenta com a vida do homem quando quer. Ameaçou acusá-lo de estupro e admitiu que ela é a causa do descontrole dele. Por causa dela, foi parar no inferno. E o promotor querendo aumentar pena. Não compensa mais para o homem manter algum tipo de relacionamento com mulher que não seja o mínimo necessário, um sexo com uma profissional ou acompanhante. De resto, como no caso em questão, é problema na certa. Culpa dos legisladores brasileiros, que reconhecem a violência física masculina, mas olvida a violência psicológica feminina contra o homem, razão de muitas tragédias.
★★★☆☆DIA 01.02.20 21h01RESPONDER
N/A
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