A demissão de Alexandre Gallo expôs ainda mais o problema que o Atlético vive em encontrar um novo diretor de futebol
A falta que o Maluf faz

A derrota para o Ceará parece ter sido a gota d'água para a saída do dirigente. Gallo vinha desgastado com a torcida faz tempo. Nas últimas semanas alguns protestos já tinham escancarado o descontentamento dos atleticanos com o executivo do futebol. Alexandre é o segundo diretor demitido pelo clube em pouco mais de um ano. O certo é que desde a morte de Eduardo Maluf o Galo ainda não se reencontrou.

Desarrumar uma casa às vezes não é tão rápido. Quando um dirigente ou um treinador vai embora de um clube, mas deixa tudo no lugar certo, basta dar sequência para as prateleiras continuarem em ordem por um bom tempo. E se quem assume tem a sabedoria de seguir pelo mesmo caminho a chance do sucesso é grande.

Vários são os exemplos de profissionais que souberam, inteligentemente, aproveitar a chance e seguiram sem fazer nada de muito diferente. O técnico Fábio Carille está aí para comprovar a teoria. Ao tomar posse no Corinthians no lugar de Tite, que foi para a seleção, Carille apenas continuou remando o barco sem fazer nenhuma marola. Deu tão certo que ele foi Campeão Brasileiro, ganhou dois Campeonatos Paulista e ainda arrumou um mega contrato para trabalhar no exterior. Jair Ventura também agiu assim no Botafogo quando Ricardo Gomes trocou o alvinegro carioca pelo São Paulo. Mas, por algum motivo, no Atlético não funcionou.

A diretoria de futebol do Galo foi ocupada por Eduardo Maluf por quase sete anos. É bem verdade que nos últimos meses ele pouco conseguiu ir ao clube por causa da doença devastadora. Mas, mesmo de casa, falava diariamente com pessoas das diversas áreas da administração. Com inteligência, sensibilidade e muita, mas muita capacidade, Maluf conseguiu ser importante ao Atlético até nos últimos dias de vida. Em seus tempos como executivo do clube o Galo conquistou dois títulos inéditos de Campeão da Copa Libertadores, em 2013, e da Copa do Brasil, no ano seguinte. Foi o período mais espetacular da história do Atlético.

 

A trajetótia de um vencedor

 

Maluf era um homem bem simples. Gostava de um bom vinho e de estar em casa com a família. Começou no esporte como goleiro do Valeriodoce de Itabira. Virou supervisor de futebol e mais tarde se tornou presidente do clube. Foi também um empresário muito bem sucedido na cidade, mas quando o governo Collor confiscou a grana da poupança dos brasileiros e limitou os valores de dinheiro em conta corrente ele precisou se desfazer dos negócios. Se mudou para BH no final da década de 90 para trabalhar no Cruzeiro e depois no Atlético. Fez isso duas vezes, mas só não foi para outro estado porque gostava de morar na capital mineira. Recusou propostas do Flamengo, Santos, Palmeiras e Grêmio e chegou a ser cogitado para ser diretor de seleções na Copa de 2014. Ainda bem que não deu certo. É difícil dizer se com Eduardo Maluf na CBF o Brasil teria evitado o vexame de 7 a 1 para a Alemanha, mas pelo menos ele não fazia parte do grupo e não sofreu com a humilhação na própria pele.

 

A falta que o Maluf fazNos tempos de goleiro do Valeriodoce (foto arquivo família)

 

Vários vezes ouvi as histórias que o Eduardo contava como tinha contornado problemas internos nos clubes. Nesses momentos a minha admiração por ele só crescia. A epopéia do Cruzeiro na Tríplice Coroa em 2003 e a caminhada do Atlético para chegar ao título da Libertadores eram suas narrações preferidas nos últimos tempos. Quanto jogo de cintura, quanta habilidade para driblar todos os percalços que uma campanhas assim exigem, ainda mais em grupos cheios de estrelas. Maluf não entrou em campo para marcar um único gol, mas foi um dos grandes responsáveis em todos esses títulos.

 A falta que o Maluf fazMaluf com o presidente Nepomuceno e o técnico Roger Machado. Os três conquistaram o último título do Atlético (foto Bruno Cantini/Atlético)

 

Infelizmente, uma enfermidade brutal tirou Eduardo Maluf do nosso meio com 61 anos. Depois da morte dele o Galo já teve três gestores no futebol. Primeiro experimentou André Figueiredo, que durou pouco no cargo. Colocou interinamente Domênico Bhering nos últimos meses de 2017, até o fim do mandato do presidente Daniel Nepomuceno. E esse ano trouxe Alexandre Gallo, que também saiu com menos de onze meses na cadeira de executivo.

 

 A falta que o Maluf fazAlexandre Gallo em entrevista coletiva na sede do Atlético (foto Pedro Souza/Atlético)

 

O clube anunciou que o ex jogador Marques vai assumir a função e nesse final de ano todos os esforços por lá serão para classificar o Atlético para a próxima Copa Libertadores.

Marques tem forte identificação com a torcida. É um dos maiores ídolos do clube porque em campo fez barbaridade defendendo o Atlético. Resta saber se como dirigente ele vai fazer a torcida se esquecer de Eduardo Maluf, ou se a saudade só vai aumentar.

 

A falta que o Maluf faz Marques, novo diretor de futebol do Atlético (foto Pedro Souza/Atlético)

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Mauro Faria

Mauro Faria

Grande Guilherme ! Como não falar de “Malufao” sem antes encher este campo de adjetivos, para nós que tivemos a oportunidade de conviver com este ídolo, falo isto pq para mim e para os amigos mais próximo ele sempre foi sem duvidas um ídolo, era o consultor nos momentos difíceis da vida e para mim mais do que isto, um pai! Meu melhor amigo, deixa saudades que as lembranças me fazem até hoje chorar lamentando sua ausência e ao mesmo tempo contente pela família maravilhosa que ele deixou, sem duvidas ele foi o melhor em tudo que fez! Saudade de você amigo Guilherme! Afinal lembrar de Malufao e lembrar do Trio (Maluf, Guilherme e Bené), quantas histórias kkkk. Forte abraço. Mauro.
★★★★★DIA 31.10.18 05h05RESPONDER
Guilherme Mendes
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Mauro, o exemplo do Eduardo Maluf para todos nós jamais será esquecido. Mas para quem possa imaginar que falamos dele apenas baseado em nossas relações pessoais, basta ver a falta que o Eduardo faz ao seu último clube. Grande abraço, Mauro. Venha sempre nos visitar aqui.

★★★★★DIA 31.10.18 13h09RESPONDER
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Elson Sá

Elson Sá

Ótima reportagem GM
Maluf foi um ótimo profissional e um excelente amigo.
★★★★★DIA 31.10.18 01h43RESPONDER
Guilherme Mendes
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Obrigado, Élson! Maluf foi um cara único. Faz muita falta em vários sentidos. Venha sempre visitar nosso blog. Abraço 

★★★★★DIA 31.10.18 02h13RESPONDER
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regina correa

regina correa

Maluf para nós atleticanos será eternizado.
★★★★★DIA 30.10.18 23h04RESPONDER
Guilherme Mendes
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Regina, ele faz muita falta para todos que admiravam o homem e o profissional. Difícil é encontrar outrio diamante como esse. Obrigado por vistar o nosso blog. Venha sempre nos prestigiar. Abraço

★★★★★DIA 31.10.18 00h00RESPONDER
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Sabrina Lima

Sabrina Lima

Quando o Maluf tava no Cruzeiro, eu sonhava com sua ida pro Galo! Foi maravilhoso quando isso aconteceu! Pena que ficou pouco tempo! Mas tempo suficiente para nos encher de orgulho, atleticanos e monlevadenses tbém!
★★★★★DIA 30.10.18 21h49RESPONDER
Guilherme Mendes
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Maluf foi um grande amigo, pai de família e super profissional. A falta dele é muito sentida. Pena que nos deixou tão cedo. Venha sempre visitar o nosso blog e deixe aqui sues comentários. Será um prazer. Abnraço 

★★★★★DIA 30.10.18 22h23RESPONDER
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