Os advogados do traficante alegam que o cliente adquiriu problemas psicológicos por não ver a luz do dia
El Chapo pede para tomar banho de sol e polícia suspeita que traficante planeja fuga de cinema

Quando andava pelo cartel de Sinaloa, o mais temido traficante do mundo era implacável com quem cruzasse o caminho dele. Joaquín El Chapo Guzmán é acusado de ter matado ou mandado executar cerca de 40 mil pessoas. Esse número não é preciso. Algumas publicações falam em até 100 mil.

Os requintes de crueldade eram os mais diversos. Desde inimigos que eram torturados com queimaduras causadas por isqueiros de carros, até homens enterrados vivos.

Durante o julgamento de El Chapo esse ano em Nova Iorque, um ex comparsa descreveu em detalhes como o chefe executou um traficante que se chamava Arellano Felix, e era membro de um cartel rival.

De acordo com a testemunha, depois que o homem passou dias trancado em uma estrutura de madeira ele foi levado até um cemitério com os olhos encobertos e pés e mãos amarrados. No calvário Arellano ainda foi interrogado por Joaquín Guzmán. Enquanto fazia as perguntas, o impiedoso chefão do cartel atirava na vítima. Por fim, ainda respirando Felix foi enterrado.

"Ele tinha queimaduras feitas com ferro em brasa nas costas, a camiseta grudada nas costas. Tinha queimaduras feitas com isqueiro de automóvel pelo corpo inteiro. Os pés foram queimados", narrou o ex-guarda costas no tribunal.

Agora Joaquín Guzmán reclama de claustrofobia. Nos últimos dias, os advogados do narcotraficante enviaram uma carta para o tribunal alegando que o cliente deles apresenta problemas emocionais. O motivo seria o enclausuramento isolado há mais de dois anos em uma cela sem a luz do dia. Desde que foi transferido para os Estados Unidos, o chefão de Sinaloa não tem contato com ninguém no presídio do Brooklyn.

"Essa privação de luz solar e ar fresco, durante um período excessivo de 27 meses, está causando cicatrizes psicológicas", disse na carta a equipe de defesa, segundo relatou a rede de televisão CNN.

Ainda no documento, os advogados consideraram que as atuais condições do cárcere se tornaram uma "punição cruel e incomum", o que configura uma violação à Oitava Emenda da Constituição dos EUA.

Os pedidos para El Chapo não se restringem à duas horas semanais de banho de sol e exercícios ao ar livre. Sob a alegação de que o barão mexicano do narcotráfico está supostamente mostrando sintomas de ansiedade e privação de sono, eles querem que o criminoso ainda tenha direito a mesma comida e bebida que outros detentos recebem. A solicitação inclui ainda permissão para que Guzmán possa comprar seis garrafas de água por semana e protetores de ouvidos.

Nada disse sensibilizou o juiz distrital Brian Cogan. De acordo com os arquivos judiciais obtidos pela CNN, o governo se opôs a todos os itens com receio de que se tratava de mais um plano audacioso do bandido. Algumas suspeitas estariam voltadas para uma tentativa de fuga da prisão, ou para silenciar testemunhas que estão cooperando.

Assim, o confinamento solitário de Joaquín Guzmán vai continuar, sem permissão para ele se comunicar com o mundo exterior.

Para o advogado Jeffrey Lichtman, a resposta da acusação é "literalmente histérica". Jeffrey alega que El Chapo não cometeu infrações na prisão desde que chegou nos EUA, "mas agora, simplesmente porque pediu um pouco de água engarrafada e um pouco de ar fresco, ele é acusado de tramar uma ousada fuga da prisão, apesar de zero provas", manifestou a defesa.

Contrariado com a decisão do tribunal, Lichtman disparou contra a corte. "Porque um detento tentou escapar da prisão há 30 anos via helicóptero, Joaquin Guzmán está planejando fazer o mesmo? Qual de seus advogados passou a mensagem para seus conspiradores para planejar essa fuga?", indagou o responsável pela defesa.

 

A espera da sentença

 

O julgamento de Joaquín Guzmán no Tribunal Distrital Federal no Brooklyn durou onze semanas. No dia 12 de fevereiro o júri o considerou culpado nas 10 acusações. A sentença vai ser divulgada no dia 25 de junho e El Chapo pode pegar prisão perpétua.

Mesmo preso, e com 61 anos, Guzmán é considerado uma grande ameaça. Por isso, o governo solicitou que Joaquín fosse mantido em detenção restritiva. Os promotores federais defendem que o "traficante mais poderoso do mundo" seja transferido também para a ADX, a prisão de segurança super-máxima no Colorado.

O temor é que El Chapo consiga se desvencilhar novamente das grades, assim como fez nas fugas de duas prisões mexicanas de segurança máxima. Em 2001, com a ajuda de guardas penitenciários, e em 2015, através de um túnel aberto debaixo do chuveiro de sua cela.

Os advogados recorreram do veto do Tribunal aos pedidos do traficante. Por enquanto, Guzmán continua sem permissão para receber ligações telefônicas não monitoradas e correspondência. Apenas Lichtman e os outros advogados podem se comunicar com o temido senhor de Sinaloa.

Em fevereiro, El Chapo também enviou ao juiz Brian Cogan uma carta relatando outros problemas de saúde. "Sofro todos os dias com dores de cabeça. Vomito quase cotidianamente. Dois molares por tratar provocam-me muito sofrimento", escreveu o mais sanguinário traficante que o mundo já conheceu.

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