Em BH, a Yellow levou embora todos as patinetes. Apenas as bicicletas da empresa ainda têm chance de voltar a circular na capital
Empresas de patinete estão se retirando de várias cidades no mundo. Será o fim do serviço?

Durou exatamente um ano e uma semana o projeto das patinetes elétricas de aluguel em Belo Horizonte. No dia 15 de janeiro de 2019, a Grow anunciou o início das operações da empresa na capital. Na quarta-feira, 22 de janeiro de 2020, em um comunicado, a mesma startup divulgou o encerramento do negócio em Minas.

No comunicado, a Grow, dona da Yellow e da Grin, explicou ainda que a decisão visa uma reestruturação de suas operações. "A decisão foi tomada para que a companhia promova um ajuste operacional e continue prestando serviços de forma estável, eficiente e segura", informou a empresa.

Todos os veículos de locomoção já foram recolhidos. A medida atinge não só BH. As cidades de Vitória (ES), São Vicente (SP), Santos (SP), Porto Alegre (RS), Brasília (DF), Vila Velha (ES), Torres (RS), Guarapari (ES), Goiânia (GO), Campinas (SP), São José dos Campos (SP), São José (SC) e Florianópolis (SC) também não contarão mais com o serviço.

As patinetes das cidades que a startup está indo embora serão transferidas para Curitiba, Rio e São Paulo. As três capitais continuarão com as operações.

O CEO da Grow, Jonathan Levy, justificou no comunicado que não foi fácil realizar as mudanças. “Planejar essa reestruturação nos colocou diante de decisões difíceis, porém necessárias para aperfeiçoar a oferta de nossos serviços e consolidar a nossa atuação na América Latina”.

Mesmo com a desativação de parte do projeto da empresa, Levy reforçou suas convicções da necessidade de apostar em outras alternativas para deslocamentos pelos centros urbanos. "O mercado da micromobilidade é fundamental para revolucionar a forma como as pessoas se locomovem nas cidades e continuamos acreditando que esse mercado tem espaço para crescer na região", disse na nota.

Ainda de acordo com a Grow, o compartilhamento de bicicletas Yellow e Grin está suspenso temporariamente. As bikes foram recolhidas de circulação para uma "checagem e verificação das condições de operação e segurança".

A empresa disse que busca agora parcerias públicas e privadas para "fortalecer e expandir suas operações".

 

Quem é a Grow

 

A Grow foi criada no começo de 2019 com a fusão de duas empresas. Ao se unirem, a mexicana Grin, que liderava o mercado de compartilhamento de patinetes na América Latina, e a brasileira Yellow levantaram um aporte de US$ 150 milhões na operação.

Mas a associação das companhias não tem sido harmoniosa, de acordo com apurações do site Valor Econômico. A convivência das duas empresas de nacionalidades diferentes "gerou disputas internas de poder e distrações que acabaram afetando o negócio".

O Valor prossegue com seus levantamentos. "O desentendimento entre fundadores e a direção da companhia teria sido o motivo para a companhia não receber um aporte da SoftBank no meio do ano passado, o que acabou afetando os planos de investimento em um segmento que é intensivo em capital. 'A empresa perdeu para si mesma', disse uma fonte próxima à companhia que não quis ter seu nome revelado", reportou o site.

As primeiras consequências para a mudança de rumo dos negócios da Grow já podem ser sentidas. A redução das atividades obrigou a firma a realizar demissões. O número de funcionários dispensados não foi revelado, mas o enxugamento das operações pode ter representado um corte de 600 pessoas em toda a região, ou praticamente 50% do quadro, conforme apurou o Valor.

No comunicado, a Grow disse trabalhar com uma consultoria de recursos humanos para ajudar na recolocação dos demitidos. "Agradecemos aos colaboradores que estiveram conosco e estamos buscando sua recolocação no mercado de trabalho. É importante ressaltar que todos terão resguardados os seus direitos trabalhistas", disse Jonathan Lewy.

 

O que vem pela frente

 

A Grow opera em mais seis países da América Latina e é considerada o terceira maior empreendimento de micromobilidade do mundo. A empresa não explicou se vai manter os serviços fora do Brasil, nem se o projeto da fábrica que pretendia colocar em operação no começo de 2020 será levado adiante.

Quem mora em uma das cidades que tiveram o serviço encerrado, e tem créditos na carteira Grin, a firma avisou que os usuários poderão usá-los para fazer pagamentos de contas ou recargas de celular.

Outra possibilidade é solicitar reembolso preenchendo um formulário disponível no site da Grin.

O anúncio da reestruturação da Grow foi feito duas semanas depois da empresa Lime tomar uma decisão parecida. A gigante americana de aluguel de patinetes elétricos divulgou no dia 9 de janeiro que está encerrando sua operação no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Segundo a companhia, a atividade em São Paulo será finalizada nas próximas semanas e no Rio de Janeiro nos próximos meses. "Independência financeira é o nosso objetivo para 2020, e estamos confiantes de que a Lime será a primeira companhia da nova geração de mobilidade a atingir lucratividade", escreveu em comunicado Brad Bao, um dos fundadores da empresa.

A experiência da Lime no Brasil durou apenas seis meses. A empresa confirmou que encerrará também suas operações em outras cidades da América Latina, como Bogotá, Buenos Aires, Montevidéu, Lima e Puerto Vallarta.

Fundada em 2017, a companhia começou oferecendo aluguel de bicicletas. Quase três anos depois, a Lime deixará de operar ainda em Atlanta, Phoenix, San Diego e San Antonio, nos Estados Unidos, e em Linz, na Áustria.

O fechamento do negócio em 12 cidades causará a demissão de pelo menos 100 funcionários, o equivalente a 14% do total de empregados da organização.

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