O presidente Donald Trump garante que sim. Para ter certeza, os militares fizeram exame de DNA no corpo do terrorista
EUA anunciam a morte do chefe do EI. Será que dessa vez é verdade?

A notícia da morte do principal líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, não só surpreendeu o mundo nesse domingo como também foi muito comemorada pelos americanos.

Não é para menos que o governo Trump esteja empolgado, afinal se trata de um sanguinário e brutal chefe do mais importante grupo de terror.

Desta vez, antes de vir a público e contar aos quatro cantos detalhes da vitoriosa operação militar na Síria, o exército ianque tomou bem mais cuidados. Segundo relatou o próprio presidente, os agentes que estavam à caça de al-Baghdadi usaram testes de DNA para terem certeza de que se tratava do terrorista.

Outra informação confirmada foi a que al-Baghdadi não morreu sozinho. Ele estava acompanhado de três filhos pequenos quando detonou um colete cheio de explosivos preso ao corpo.

"Ontem à noite os Estados Unidos levaram o líder terrorista número um do mundo à justiça. Abu Bakr al-Baghdadi está morto. Ele morreu como um cachorro, como um covarde. O mundo está mais seguro agora", proclamou Trump em pronunciamento na manhã do domingo.

O que fez al-Baghdadi se matar foi o fato de se encontrar encurralado por soldados americanos. Ele estava sendo perseguido em uma operação que teve o apoio de oito helicópteros de combate na província de Idlib, no noroeste da Síria. O território fica a menos de cinco quilômetros da fronteira com a Turquia. As aeronaves partiram de Erbil, capital da região do Curdistão iraquiano.

Segundo uma testemunha ouvida pela BBC, morador de Barisha, os helicópteros efetuaram disparos durante 30 minutos contra duas casas, uma ficou "arrasada", disse ele.

Simultaneamente por terra, uma equipe com 50 a 70 membros da Força Delta e dos Rangers do Exército dos Estados Unidos invadiu o complexo residencial em que al-Baghdadi estava. Para evitar armadilhas das portas, os soldados derrubaram as paredes. 

Sem ter como escapar, o terrorista entrou em um túnel sem saída perseguido por cães treinados. Ao perceber que chegara ao fim da linha, ele acionou o mecanismo de disparo dos explosivos. O corpo de al-Baghdadi ficou multilado. "O bandido que tentou tanto intimidar os outros passou seus últimos momentos com medo, aterrorizado pelas forças americanas que se aproximavam dele", afirmou o presidente.

Parte do túnel desabou na explosão. Ainda de acordo com Trump, outros combatentes e companheiros de al-Baghdadi também foram mortos ou acabaram capturadas pelas forças especiais que "executaram uma incursão noturna perigosa e ousada".

O presidente garantiu ainda que nenhum oficial americano morreu durante a missão. Onze crianças que estavam no local foram retiradas sem ferimentos. Apenas um dos caes das tropas se feriu. 

A perseguição ao homem mais procurado no mundo durou várias semanas, e só foi possível graças aos esforços em conjunto de quatro países. Agentes russos, turcos e iraquianos contribuíram com informações preciosas junto aos americanos. Funcionários do sistema de defesa disseram ao jornal New York Times que o paradeiro do terrorista foi descoberto depois que uma das esposas de al-Baghdadi e um mensageiro contaram em um interrogatório. 

Donald Trump assistiu à operação ao lado do vice Mike Pence e de oficiais do exército em uma sala da Casa Branca, em Washington. Segundo o presidente, apesar de os russos terem ajudado eles não conheciam maiores detalhes da operação.

 

Quem era Abu Bakr al-Baghdadi

 

Ibrahim Awwad Ibrahim al-Badri nasceu em uma família sunita de classe média baixa na cidade de Samarra, no Iraque, em 1971 (não há registro sobre uma data precisa).

Desde garoto tinha devoção ao livro sagrado dos muçulmanos. Bem jovem, al-Baghdadi adorava recitar trechos do Alcorão, e seguia as regras do islamismo de forma rigorosa.

Na infância gostava ainda jogar de futebol. Sonhava em ser advogado ou militar, mas a vida acadêmica acabou voltada para a teologia. Formou-se em Estudos Islâmicos pela Universidade de Bagdá. Na Universidade Saddam de Estudos Islâmicos do Iraque concluiu um mestrado sobre o Alcorão

Em 2007, tornou-se doutor no assunto.

Trabalhou como imã (líder religioso) durante anos, antes de se unir à resistência armada contra a ocupação americana do Iraque, em 2003. Foi nesse período que se tornou membro da Al-Qaeda iraquiana, que mais tarde daria origem ao EI.

Acabou preso em fevereiro de 2004 pelo Exército dos Estados Unidos na cidade de Fallujah, no Iraque. Ficou apenas 10 meses recolhido no campo de Bucca. Ao sair, se tornou ainda mais engajado com os ideais jihadistas.

Adotou o codinome Abu Bakr al-Baghdadi al Hosseini al-Quraishi, em homenagem a Abu Bakr, primeiro califa que surgiu após a morte de Maomé, e à tribo do profeta, Al-Quraishi.

Em outubro de 2005, os Estados Unidos anunciam a morte de al-Baghdadi pela primeira vez. Ele teria sido vítima de um ataque aéreo na fronteira com a Síria.

A notícia só foi desmentida cinco anos mais tarde quando o temível terrorista reapareceu depois da morte de dois líderes do grupo Estado Islâmico no Iraque (ISI), braço iraquiano da Al-Qaeda.

Nessa época, al-Baghdadi já era um dos homens mais temidos pelos americanos. Em abril de 2013, ele anunciou a fusão do ISI com o Al-Nosra, originando o Estado Islâmico. Em suas aparições em vídeos, o jihadista pedia obediência de todos os muçulmanos.

Não deu muito certo. Por briga de comando, os dois grupos logo se separaram e passaram a se enfrentar na Síria a partir de janeiro de 2014. Mesmo assim, Abu Bakr al-Baghdadi levou em frente o califado que proclamou na cidade iraquiana de Mossul e que se estendia até a Síria.

No ano seguinte, em abril, al=Baghdadi teria ficado seriamente ferido após um ataque aéreo no Iraque realizado por uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.

A caçada ao terrorista continuou. Os americanos passaram a oferecer uma recompensa de US$ 25 milhões pela cabeça de al-Baghdadi. Sempre que era dado como morto, o líder do EI reaparecia divulgando áudios que encorajavam seus seguidores a seguirem com a chamada "guerra santa".

Em abril, depois de um longo sumiço, o líder do EI reapareceu mais uma vez reivindicando o ataque terrorista no Sri Lanka, que resultou na morte de 253 pessoas.

 

Vitória de Trump

 

A confirmação da morte de al-Baghdadi é uma grande vitória para o presidente americano. Desde que anunciou que estava retirando as tropas dos EUA do norte da Síria no início deste mês, Trump vinha sendo muito criticado pelos democratas. O partido de oposição chegou a pedir o seu impeachment.

Ao falar para o país na manhã desse domingo, o presidente classificou o Estado Islâmico como a "organização terrorista mais cruel violenta do mundo".

Trump explicou que o terrorista estava sendo perseguido há algumas semanas. "Capturar ou matar al-Baghdadi vinha sendo a principal prioridade de segurança nacional da minha administração", reafirmou. 

Desde a sua fundação, o Estado Islâmico é responsabilizado pela morte barbara de milhares de pessoas na disputa por territórios para criar o califado de al-Baghdadi, contra infiéis, minorias religiosas e em ataques terroristas.

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