Desde Adão e Eva o homem vem contando mentirinhas. Só que agora elas são "cabeludas" e elegem até presidentes
Quem criou a fake news foi a serpente

Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Esse dilema da humanidade é tão antigo quanto a fábula de Adão e Eva. 

Nessa linha de mistérios tem um outro que você nunca deve ter ouvido falar. Quem nasceu primeiro, a informação ou a mentira?

Antes de você arriscar que foi a mentira é preciso entender primeiro o que é informação. 

Em linhas gerais, bem resumidamente, podemos definir informação como um ajuntamento de dados e conhecimentos sobre algo. Você organiza tudo o que sabe em uma sequência compreensível para guardar na memória ou passar para frente. Bacana.

O que é mentira não precisa de definição. Todo mundo tá escolado nessa matéria. 

Quando você reúne os dois conceitos acima, cria uma história e conta para alguém, está criada uma fake news. Esse termo é novo, dá para a gente dizer que ainda está saindo do forno. Seu padrinho mais conhecido é o presidente americano Donald Trump. 

Para se eleger nos Estados Unidos, o homem usou e abusou desse recurso nas redes sociais. E deu muito certo, claro. Chegou ao poder contando um monte de mentirinha difamado a sua concorrente Hillary Clinton. Esse “servicinho” sujo era feito por empresas contratadas. Dizem que até por russos.

O interessante no caso do Trump é que ele sabe usar muito bem as fakes news para conquistar objetivos e também para se defender contra os adversários. Tudo o que é divulgando contra Donald ele corre no Twitter para dizer que é uma mentira. O cara é craque nessa matéria, isso não tem como negar, goste você ou não dele. 

A história da humanidade tem casos emblemáticos de fakes news que remetem há séculos e que mudaram a vida de muita gente. Um deles conta que o general romano Marco Antônio suicidou depois que disseminaram a falsa noticia de que a rainha Cleópatra também tinha se matado. Isso foi em 30 aC. Não era verdade. Cleópatra se matou, sim, mas bem depois.

No Brasil as fakes news remontam ao período em que o país ainda era uma colônia de Portugal. Os boatos visavam arranhar a imagem da realeza e eram frequentes. 

Um deles atingiu em cheio a reputação de dona Carlota Joaquina, mulher de dom João VI. O povo esparramou que a senhora era chegada em aventuras extraconjugais. Eita! 

Viu com as notícias falsas de novo não tem nada? O que nós estamos vivendo agora é a "profissionalização" desse recurso abominável, que ganhou um apelido que a gente precisa encher a boca para pronunciar: fake news

Atualmente, por diversos interesses, tem gente no mundo inteiro que cria versões e mais versões mentirosas com o intuito de obter vantagens. A quantidade de notícias fantasiosas sobre um determinado assunto, e a insistência com que se fala sobre algo inventado, acaba deixando as pessoas confusas. Tem fakes news com tanto detalhamento que convence mesmo. 

Na eleição desse ano, provavelmente, você já recebeu pelo menos uma dúzia dessas mensagens falsas tentando estragar a reputação de algum candidato. 

Mas não é só na política que essa praga tomou conta. A internet está cheia de histórias inventadas para ludibriar os internautas. Normalmente esse recurso é usado para aumentar a quantidade de cliques e, consequentemente, os lucros dos donos dos sites. 

As técnicas que essa "turmazinha do mal" usa tem os seguintes apelos:

- manchetes alarmistas

- são geralmente apelativas emocionalmente

- destacam um ideal político ajudando a reforçar crenças

- pedem para ser compartilhadas

- citam como fontes nomes renomados, médicos ou especialistas

- muitas palavras escritas em letra maiúscula ou pontos de exclamação

- misturam informações falsas com outras verdadeiras

Esse último ponto merece bastante atenção. Tem fake news formada por até 80% de informações verdadeiras, com algo que você já leu “trocentas” vezes e, por isso, se tornam mais fáceis de enganar. Percebeu a maldade? São os outros 20% que podem te jogar no buraco se você acreditar e, pior, compartilhar.

Vamos a algumas dicas para te ajudar reconhecer a veracidade de uma postagem:

- se informe se outros sites falam igualmente sobre o assunto

- se for um processo veja se foi realmente concluído, se cabem recurso e em quais instâncias já passou

- consulta a sites verificadores de notícias (tem vários que se dedicam a isso)

- faça a distinção de notícia com opinião 

- cuidado com grupos de Whatsapp 

- desconfie de sites desconhecidos 

- sempre leia a notícia toda

- perceba quem publicou a matéria (se é conhecido)

- confira a data da publicação e veja se é compatível com os fatos

- pesquise a mesma informação em outras fontes (TV, rádio, jornal e sites)

- desconfie de notícias que tenham muitos adjetivos

- confira se os especialistas citados existem mesmo e as referências de cada um


Veja abaixo uma cartilha resumida que o Senado Federal criou para vacinar os brasileiros contra essa praga:

Quem criou a fake news foi a serpente

Como dica para quem leu esse texto até aqui vale a “lei” da prudência. Nada deve ser compartilhado imediatamente. Antes de ficar com o dedo nervoso e mandar o conteúdo para frente, reflita bem sobre o que você acabou de ler. Lembre-se que muitas postagens foram inventadas para disseminar mentiras, boatos e criar grupos de ódio. 

No começo do texto eu te perguntei se você já tinha ouvido falar em quem nasceu primeiro, a informação ou a mentira. Vou te confessar, eu também nunca tinha ouvido falar dessa dúvida até começar a buscar inspiração para escrever aqui. 

Mas se você quer saber o que eu acho sobre quem contou a primeira fake news na história da humanidade? Foi a serpente do paraíso que falou para Eva que a maçã era deliciosa e não tinha problema em come-la. A mentirinha foi tão bem contada que o homem até hoje está enrolado com o Criador.

Agora imagina se o Trump tivesse vivido no Paraíso. Coitada da serpente.

Até a próxima!

 

 

 

 

 

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Já temos 4 comentário(s). DEIXE O SEU :)
Nilson Oliveira

Nilson Oliveira

Notícias falsas em whatsapp são fáceis de ser identificadas. O problema é quando são estampadas em manchetes de jornais sérios e assinadas por jornalistas profissionais, como fez a Folha de São Paulo às vésperas das eleições, no desespero para impedir a eleição do candidato que não concordam.
★★★★★DIA 17.12.18 16h52RESPONDER
Guilherme Mendes
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José Arnaldo Castro

José Arnaldo Castro

Muito interessante o texto e e exatamente isso que observo. Posso ter caído já em alguma "fake news". Não me lembro. A minha permanência do computador é com intenção de aprender coisas sérias de conhecimento geral, ouvir música, notícias sérias de jornais conhecidos e coisas assim.
A internet é coisa novíssima. Eu, como leio muito sobre história de um modo geral, já percebi que em todas mudanças havidas na humanidade, quer seja na sociedade, tecnologia, enfim, em quase tudo, sempre, nos primeiros tempos de sua divulgação, acontecem alguns problemas de ajuste. Com o decorrer do tempo as coisas vão se ajeitando. No caso da internet que temos ao nosso alcance no PC e aparelhos móveis, a disseminação das chamadas "fake news" é mais complicado. Tem pessoas, na sua maioria jovens, que, em vez de estudar a sua lição de casa e os adultos desocupados fazerem coisas de utilidade, entram na internet com comentários maliciosos as fazem para causar o pânico de propósito. O grande apresentador de programas de auditório de TV, o Chacrinha tinha uma frase de efeito muito interessante que se encaixa bem nesse momento: "EU VIM PARA COMPLICAR E NÃO PARA EXPLICAR". É o caso traduzido popularmente das fakes news. Estou achando que para acabarmos com as fakes news será muito difícil devido a facilidade de comunicação. Para mim, e os meus filhos, vou passar essas recomendações. Só o tempo dirá e ponha tempo nisso. No caso do presidente atual dos EUA, Donald Trump, esse veio mesmo é para COMPLICAR e como está complicando!!!!! Ele é estatuto e rico. Fala e faz coisas por causa de sua riqueza e, principalmente, pelo seu status de presidente da nação mais poderosa do mundo. Pode-se por nessa conta o ex-presidente Bush (filho). São dois inconsequentes. Mas, com ou sem tramoias eleitorais, se elegeram e não foi uma máquina que os puseram nesse posto tão importante para o EUA e para o mundo. Não podemos esquecer que foram eleitos por um povo. Isso quer dizer que o povo americano está sem rumo, sem um líder para guiá-los nesse mundo tão complicado. Aliás, o mundo todo está sem rumo e sem líderes a altura. Só para lembrar: a falta de líderes em 1914 ocasionou a Primeira Guerra Mundial. Por extensão, esta primeira levou a humanidade ao mais trágico acontecimento da história humana que foi a Segunda Guerra Mundial. Quem duvidar é só ler a história que reflete esses dois tristes e dolorosos episódios ocorridos entre 1914 e 1945, ou seja, em um tempo muito curto de um único século, que o historiador inglês Eric J. Hobsbawn o chamou e muito apropriadamente de "A ERA DOS EXTREMOS". Indico como um dos livros de sua cabeceira. Concluindo: cuidado com as notícias postadas na internet porque elas podem ser fake news, conforme nos alerta o texto acima. Pergunto também: onde está essa serpente? Se a encontrarmos temos que fazer como a Virgem Maria o fez: matá-la.
★★★★★DIA 10.10.18 14h55RESPONDER
Guilherme Mendes
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

José Arnaldo, bela reflexão sobre vários pontos da história da humanidade. A pergunta sobre a serpente é muito oportuna também. Milhares de anos depois ainda continuamos envenenados. Muito obrigado por visitar o blog  volte sempre 

★★★★★DIA 10.10.18 15h17RESPONDER
N/A
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Marcia Mendes

Marcia Mendes

Ótima a sua conclusão!!!
E não podemos esquecer a nossa responsabilidade ao compartilhar uma fake news.
★★★★★DIA 10.10.18 11h54RESPONDER
Guilherme Mendes
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