Foram vários anos de cárcere em Tremembé
Filho de Pelé ganha liberdade depois de cumprir pena por tráfico

Quando o mundo tomou conhecimento que o filho do rei do futebol tinha se tornado um traficante foi um choque. Afinal, o que teria levado um atleta rico e famoso a se envolver com o crime?

Nada combinava. Edinho nasceu em berço de ouro. Passou boa parte da infância e juventude morando no exterior antes de se tornar goleiro do time profissional do mesmo Santos de Pelé. Se nunca foi considerado o melhor da posição, também não se pode dizer que ele não tinha qualidades.

Na campanha de vice campeão brasileiro do time paulista em 1995, Edinho foi o dono da camisa 1. Mas a carreira de goleiro teve tiro curto. Com apenas 29 anos, depois de apenas nove temporadas como profissional, ele pendurou as luvas. Saiu do gol, mas não dos campos.

Edson Cholbi Nascimento virou treinador em 2015, quando foi dirigir o Mogi Mirim. Nessa época ele já estava enrolado com a polícia.

Dez anos antes, Edinho foi preso com outros nove suspeitos de formarem uma quadrilha ligada às facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). O Departamento de Investigações sobre Narcóticos de São Paulo (Denarc) seguiu o rastro do grupo durante oito meses até dar o bote para desmantelar um esquema de tráfico de cocaína e lavagem de dinheiro na cidade de Santos. O chefe da organização era Ronaldo Duarte Barsotti de Freitas, o Naldinho, um amigo de infância do ex-atleta.

O escândalo parecia inacreditável. Pelé veio a público garantindo que o filho não tinha culpa no cartório. "O Edinho fala a verdade, não teve nenhuma culpa. Até agora, não tem nada que comprove a prisão. Mas eu acredito na Justiça. Logo tudo será resolvido, e ele vai sair [da prisão] sem problema algum", afirmou quando seu primogênito foi levado para a prisão de Presidente Prudente.

A história não acabou nada bem. Em maio de 2014, Edinho foi condenado a 33 anos de prisão pelo crime de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de droga. Depois de revisada a pena caiu para 12 anos e 11 meses em uma nova sentença no começo de 2017. No dia 24 de fevereiro daquele ano, ele entregou-se às autoridades para cumprir a condenação.

Por bom comportamento na prisão de Tremembé, em junho de 2018, o ex-santista obteve o direito de usufruir dos benefícios do regime semiaberto. Edinho pôde trabalhar e estudar fora do presídio durante o dia. No fim da tarde ele tinha que voltar para a cadeia. Desde então, os advogados de defesa passaram a trabalhar na chance do filho do rei ganhar, em poucos meses, o benefício do regime aberto.

Mas esse ano, por muito pouco, Edinho não viu sua vida dar outra reviravolta. No dia 30 de janeiro, às 16h45, ele passou por uma revista quando retornou a Tremembé. Os carcereiros encontraram em sua mochila objetos que são proibidos no sistema penitenciário. Além de um relógio de pulso, os funcionários acharam algumas vitaminas.

Em depoimento à direção da unidade, Edinho disse que voltava de uma escolinha, onde deu aulas de futebol para crianças carentes, e se esqueceu da proibição. “Foi um ato impensado e rotineiro”, afirmou. Na defesa escrita, seu advogado, Eugênio Malavasi, alegou que houve “um lapso por parte de seu cliente e que ele pedia desculpas”. Edinho recebeu uma punição de dez dias de isolamento.

Agora, a juíza Sueli Zeraik, da Vara de Execuções Criminais de Taubaté, liberou Edson para o regime aberto. A decisão da meritíssima considerou o resultado de um exame criminológico que o considerou apto a retornar para o convívio social fora da prisão. A juíza alegou ainda que o condenado preencheu requisitos como ter boa conduta carcerária.

Ao ganhar o direito ao regime aberto Edinho terá novas obrigações. Ele precisa obter uma ocupação lícita em até 30 dias, ter residência fixa onde deve ser encontrado das 20 horas às 6 da manhã, manter-se distante de bares e casas de jogos. Também terá que comparecer em juízo uma vez ao mês.

 

O sofrimento da família "real"

 

A condenação por lavagem de dinheiro ligada ao tráfico não foi a única na vida de Edinho. O primeiro problema dele com a justiça aconteceu em 1992. Quando ainda era goleiro, Edson Cholbi Nascimento foi acusado de se envolver diretamente na morte de um homem. Na madrugada de 24 de outubro, ele e o motorista Marcilio José Marinho de Melo, participaram de um racha na avenida Epitácio Pessoa, em Santos.

O carro dirigido por Marcílio atingiu a moto do aposentado Pedro Simões Neto, que bateu em um poste e morreu na hora. Edinho foi condenado a indenizar a esposa da vítima.

Durante todos esses anos, desde a primeira cana até hoje, o primogênito de Pelé alternou também momentos na cadeia com períodos em liberdade graças a habeas corpus. A última vez que teve que se apresentar à justiça foi há pouco mais de dois anos.

Entre cinco idas e vindas para as prisões, o ex-goleiro se aventurou na direção de equipes. Além do Mogi, ele treinou o Água Santa, de Diadema, e o Atlético Tricordiano, de Três Corações.

A tumultuada vida de Edinho foi o maior sofrimento que Pelé já enfrentou. Mesmo se mantendo discreto sobre o assunto, o Rei bancou os melhores advogados para ajudar o filho. Hoje, perto de completar 79 anos, o maior jogador de futebol de todos os tempos, convive com dificuldades para andar por causa de problemas nos quadris e já foi submetido a duas cirurgias.

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Viviane Trigo

Viviane Trigo

Edinho preciso falar com vc
★★★★★DIA 28.09.19 15h39RESPONDER
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Viviane Trigo

Viviane Trigo

Amei. Família toda feliz
★★★★★DIA 28.09.19 15h37RESPONDER
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