O número surreal engrossa uma estatística assustadora que começou há 13 anos
Franceses queimam 110 carros por dia em protestos

Desde 2005, manifestantes torram milhares de automóveis sem piedade. A onda de fogueiras de carros teve início quando dois jovens foram mortos por policiais em uma perseguição. De lá pra cá, a cada hora, em média, quatro veículos viram carcaças estorricadas. O vandalismo cresceu com o surgimento do movimento dos coletes amarelos há três meses. Os números desse ano caminham para bater todos os recordes.

 

A perseguição que virou um caos

 

No dia 27 de outubro de 2005, dois adolescentes com 15 e 17 anos morreram eletrocutados em um transformador elétrico, na cidade de Clichy-sous-Bois, quando estavam sendo perseguidos pela polícia.

A morte dos rapazes foi o estopim para uma onda de violência. A população reagiu sob a alegação de injustiça social. Havia muita insatisfação com a discriminação entre os franceses chamados de "souche" (de várias gerações) com os novos franceses de origem estrangeira, conhecidos como "filhos da imigração". Os jovens da periferia seriam grandes vítimas de perseguição policial.

Durante as três semanas seguintes, 10 mil carros foram incendiados por todo o país.

A situação se agravou na passagem de ano. Na noite do réveillon mais manifestações se repetiram, o que acabou virando uma estranha tradição na França. Em toda virada de ano cerca de mil veículos são queimados.

Os anos mais críticos foram 2012 e 2013, que registraram 1.193 e 1.067 ocorrências.

Segundo estudiosos, os motivos que tem levado os jovens a colocarem fogo nos carros seriam basicamente três. O primeiro uma forma deles chamarem a atenção com a indignação referente às políticas e instituições do país. O segundo é meramente voltado ao "espetáculo" da imagem dos clarões provocados pelas chamas. Por último, uma estratégia de receber o seguro se livrando dos próprios carros que estão com problema.

 

A perpetuação das fogueiras de quatro rodas

 

Chega a ser estranho pensar assim, mas para os franceses queimar veículos se tornou um "clássico" da noite de São Silvestre. Outra data que tem um forte apelo para a população se manifestar é o dia 14 de julho, quando se comemora na França a Queda da Bastilha com um feriado nacional. Só no ano passado foram 845 carros incendiados. A baderna resultou na prisão de 508 pessoas. Vinte e nove agentes ficaram feridos.

Na noite do réveillon de 2018, as autoridades contaram 1.031 veículos destruídos total ou parcialmente por fogo. Os números finais do ano passado ainda não foram finalizados, mas com o surgimento dos coletes amarelos eles devem ser os maiores dos últimos tempos.

Em 2017, as seguradoras indenizaram 41.200 donos de automóveis que foram incendiados. As ocorrências já representaram uma alta de 2% em relação ao ano anterior.

Foi em cima desse balanço que se chegou à média de 110 carros queimados por dia. Do total, 77% ficaram totalmente destruídos.

Os bombeiros tiveram que atuar em uma média 12,8 intervenções para cada 10 mil veículos.

 

Franceses queimam 110 carros por dia em protestos

 

Os coletes amarelos e a onda crescente

 

O fenômeno se intensificou com as manifestações dos coletes amarelos nos últimos três meses. O movimento se concentra principalmente no norte e no sudeste da França.

Encontrar carros de polícia e de marcas luxuosas ardendo em brasa se tornou comum em dia de protesto. As associações de prefeitos calculam que o vandalismo dos coletes amarelos pode chegar a 25 milhões de euros somente nas 20 maiores cidades francesas.

De novembro a janeiro, os incêndios em bens públicos, incluindo veículos, tiveram uma alta de 45,2%.

O Observatório Nacional de Delinquência e Respostas Penais (ONDRP) acaba de apresentar um estudo sobre esse fenômeno, intitulado "Triste tradição dos incêndios voluntários na França". O autor do documento, Hugo d'Arbois, recorda que as arruaças estão associadas à violência urbana ou as comemorações festivas.

Os distúrbios acontecem na maioria das vezes à noite com moradores das periferias, principalmente com a participação de jovens.

Segundo o ONDRP, o número de carros queimados por ano pode atingir 50 mil. O Observatório se baseia na tese de que nem todo mundo relata os incêndios e a perda do veículo às seguradoras.

Por outro lado, o poder público não consegue atender as reivindicações da população e, com isso, dar um basta nos protestos.

Além das ameaças constantes de mais confusões provocadas pelos coletes amarelos, a França ainda vive o tormento do terrorismo. No último réveillon o governo colocou 140 mil policiais nas ruas para tentar conter a queimação de automóveis.

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Moises Oliver

Moises Oliver

Conversando com colegas que vivem na França dizem que lá não tem violência.... me pergunto: em que França eles vivem? Devem ser dos mesmos que dizem que Lula é um santo.
★★★★★DIA 17.02.19 01h27RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Moisés, a realidade por lá é bem diferente do que a gente imagina por aqui. O país atravessa um período complicado com muitos questionamentos a política atual. Tomara que eles se acertem. Obrigado por participar do blog. Abraço e bom domingo. 

★★★★★DIA 17.02.19 01h43RESPONDER
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