Clubes tomam partido de forma diferente na eleição brasileira, com dirigentes extrapolando os limites de seus poderes
Barcelona e Atlético-PR pisam na bola ao se meterem na política

O Barcelona, da Espanha, anunciou que está estudando afastar Ronaldinho Gaúcho do cargo de embaixador mundial do clube. O motivo seria a manifestação de apoio do ídolo ao candidato Jair Bolsonaro.

O posicionamento do Barça recoloca em discussão o tema se clube de futebol deve se meter em política.

Não é o primeiro episódio dantesco nessa famigerada eleição brasileira. Recentemente, o Atlético Paranaense vestiu seus jogadores com camisas amarelas em apoio ao candidato do PSL antes de uma partida pelo Campeonato Brasileiro. O zagueiro Paulo André se recusou e entrou em campo com um agasalho preto por cima da amarelinha, escancarando um constrangimento causado pela postura de seu clube.

O caso foi parar no Superior Tribunal de Justiça Esportiva - STJD -  que está estudando se pune o Furacão por ter feito a manifestação política sem autorização da CBF, como manda o regulamento da competição.

 

Barcelona e Atlético-PR pisam na bola ao se meter na política

 

Quer saber a resposta se clube tem que meter a colher em política? Penso que Barcelona e Atlético-PR erraram feio.

As instituições esportivas tem em seus comandos presidentes que foram eleitos por sócios e conselheiros ou pertencem a donos. Todos esses gestores ocupam cargos de acordo com os estatutos próprios das agremiações. Cabe a eles gerir administrativamente e esportivamente seus clubes.

O grande problema é que vários deles extrapolam seus limites de presidentes e tomam decisões pessoais em nome dos clubes. Se metem em política, pedem votos para candidatos, fazem campanha contra e a favor usando a máquina que tem em mãos. Mas será que todos os torcedores tem a mesma preferência do "seu" presidente? 

Vamos voltar ao caso do Atlético Paranaense. Você acredita que 100% dos rubro negros querem que Bolsonaro seja presidente da República? A resposta parece óbvia, evidente que não. Então, com qual direito o presidente do conselho deliberativo, Mário Celso Petraglia, pode querer que seus jogadores vistam camisa amarela?

Tão estapafúrdia foi a manifestação do Barcelona, um clube de outro país, se sentir no direito de opinar na nossa política. Ao ameaçar banir Ronaldinho do cargo de embaixador os catalães pisaram feio na bola.

Política e futebol são coisas distintas e, para o bem dos dois lados, precisam se manter distantes. Já imaginou se presidente da República resolvesse criticar presidente de clube ou escalação de treinador?

Cada qual na sua praia e com seus problemas. É bom lembrar que esse senhores nem de longe representam o que pensam seus torcedores politicamente.

Quer ver dois exemplos que comprovam como o torcedor não mistura política com futebol?

Em 2014, na véspera de se tornar bicampeão brasileiro com o Cruzeiro, o presidente do clube, Gilvan de Pinho Tavares, se lançou candidato a deputado estadual em Minas Gerais. Mesmo com todo o prestígio que gozava naquele momento, o capo do Palestra mineiro sofreu uma derrota implacável nas urnas.

Esse ano foi a vez do presidente do Flamengo, que tem a maior torcida do Brasil, também ser renegado pelos eleitores cariocas. Eduardo Bandeira de Melo, que apareceu várias vezes ao lado da presidenciável Marina Silva fazendo campanha para deputado federal, foi abandonado na política pelos próprios flamenguistas.

Desnecessária a postura dos espanhóis em se travestir de moralistas e dizer que Bolsonaro "tem ideias que são antagônicas aos valores que não apenas o Barcelona encarna, mas também a sociedade em geral”.

Recentemente, esse mesmo clube foi duramente punido pela Fifa e pela Corte Arbitral do Esporte (a justiça internacional para casos esportivos), por ter violado as regras de contratação de jogadores menores de idade. Dez jogadores com menos de 18 anos foram parar irregularmente na Catalunha, entre 2009 e 2013.

"Para a Fifa, a proteção de menores é um assunto sério. O Comitê Disciplinar reconhece que jovens jogadores em países estrangeiros ficam mais vulneráveis a abusos ou exploração", explicou a nota da entidade. O Barcelona passou duas janelas de transferências de jogadores sem poder fazer nenhuma contratação e ainda recebeu uma multa de um milhão de reais.

Os dirigentes de futebol tem todo o direito de serem partidários e externar suas opções políticas, desde que não o façam usando a estrutura de seus clubes para influenciar eleitores.

Nossa combalida política não precisa de mais oportunistas.

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