A semana que se encerrou foi marcada por escândalos, denúncias, brigas, anulação de eleição e processos de impeachment nos clubes do Brasil. O futebol tem perdido de goleada para a imoralidade
A nebulosa política de clubes do futebol brasileiro

A semana passada pode ser definida como um verdadeiro lodaçal na política de clubes do futebol brasileiro. O primeiro a ter a imagem esculhambada foi um dos clubes de maior torcida no Brasil, o Vasco da Gama.

Na sexta-feira, a juíza Gloria Heloiza Lima da Silva acatou o pedido de tutela de urgência proposto pelo advogado e sócio do clube Alan Belaciano, que denunciou fraudes na eleição para a presidência do Vasco. O detalhe é que o pleito foi no ano passado e a diretoria eleita na época vem tocando a administração do clube normalmente. Só agora, quase dez meses depois, é que a nossa lenta justiça entendeu que o processo foi altamente suspeito.

O cabeça das falcatruas na eleição seria o ex-presidente do clube Eurico Miranda. No despacho a juíza disse que estão "inaptos para votar e serem votados todos os subscritores da Chapa Azul (encabeçada por Eurico), destinatária direta das fraudes praticadas, bem assim todos os 'associados' envolvidos com as fraudes já mencionadas". Precisa de tradução? Miranda e sua trupe, os causadores de um processo fraudulento na votação, não podem participar de nada na eleição desse ano.

O atual presidente do Vasco, que agora está prestes a perder sua cadeira, é o médico Alexandre Campelo. Em seu decreto, a meritíssima ordenou que se realizasse nova eleição em uma Assembleia Geral no dia 8 de dezembro. Nessa etapa, os sócios escolhem as chapas que vão formar o Conselho Deliberativo e no dia 17 de dezembro, na segunda fase do processo eleitoral, os conselheiros vão finalmente escolher o novo presidente. Eita confusão e desmoralização.

Os nebulosos bastidores do futebol brasileiro agora nos tribunais (Alexandre Campelo)

 

O presidente que corria risco de ser cassado

 

No Santos a balburdia não foi menor. O presidente José Carlos Peres era alvo de duas ações que pediam seu impeachment. Era, porque no sábado os sócios decidiram que ele deve permanecer no poder.

Para entender essa história vamos primeiro falar sobre os processos. No primeiro Peres era acusado de ser sócio de uma empresa de agenciamento de jogadores, o que é proibido pelo estatuto do Santos. Na segunda ação o mandatário foi incriminado por ter assinado uma portaria em que definia que todas as contratações do clube deveriam ser decididas pelo presidente, ignorando o Comitê de Gestão, principal órgão administrativo do Santos.

Os processos de impeachment avançaram dentro do clube e depois de aprovados pelo Conselho Deliberativo chegaram a decisão final. Coube aos sócios, em uma assembleia-geral extraordinária, sentenciar em definitivo ou não o impedimento do presidente. A grande maioria votou pela permanência do número 1. O detalhe é que o vice presidente de Peres, o senhor Orlando Rollo, era um dos cabeças das ações. No meio da semana passada, Peres alegou que recebeu ameaças de morte. Aliás não teria sido só ele, a mãe do presidente também. Com “medo”, José Carlos desfilou durante no dia da votação com um colete a prova de balas. Que baixaria.

Os nebulosos bastidores do futebol brasileiro agora nos tribunais (José Carlos Peres) 

 

Chapecoense, vítima de mais um absurdo

 

No mundo esportivo do inacreditável até a Chapecoense, aquela mesma do acidente aéreo na Colômbia, virou caso de polícia. Os investigadores da Civil de Santa Catarina estão levantando a suposta participação de ex-funcionários do clube na divulgação em redes sociais de documentos sigilosos. Entre eles estão cópias da contabilidade, lista de salários de jogadores e de pessoas que trabalham no clube.

O vazamento teria ocorrido nos últimos 30 dias, segundo a polícia. Para buscar mais provas para o inquérito, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em residências de Chapecó, na quarta-feira. 

Na casa dos ex-funcionários, a polícia apreendeu equipamentos eletrônicos onde estavam armazenados os documentos citados. A motivação desses vazamentos é um dos objetivos da investigação. O inquérito deve ser concluído em até 30 dias.

Tá vendo como quase tudo gira em torno de "poder" no futebol? O interessante é que no Brasil quase todos os presidentes não são remunerados, não podem ganhar dinheiro no exercício do cargo porque os nossos clubes não são empresas. Quem topa pegar a caneta é considerado um "colabolador" que precisa se dedicar 24 horas por dia. Mesmo assim brigam para estar lá e ainda enfrentam verdadeiras guerras políticas. Vai entender...

 

Os nebulosos bastidores do futebol brasileiro agora nos tribunais

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Evandro Oliveira

Evandro Oliveira

GM, interessante a abordagem. Entretanto, Muito além dos citados, vale dizer que esta política dos clubes é que alimenta federações e a CBF. E que os principais protagonistas disso tudo estão sobrevivendo a décadas destes mecanismos inexpugnáveis, com a devida contribuição da mídia. O problema que você relata seria, IMHO, uma pontinha do iceberg (bem minúscula como uma agulha), do mundo do futebol brasileiro, espelho da nossa sociedade do VALE TUDO.

★★★★☆DIA 02.10.18 11h03RESPONDER
Guilherme Mendes
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