A jovem mora no Zimbábue, um dos países mais pobres do continente africano
Garota de 14 anos se torna campeã de Motocross e paga escola para 45 crianças carentes

Não é de hoje que Tanyaradzwa "Tanya" Muzinda vem sendo notícia no país dela por causa dos resultados esportivos e suas preocupações sociais. Inicialmente, isso não parece uma grande novidade. Outros esportistas no mundo inteiro também são vencedores e estão sempre dispostos a ajudar com filantropia. O que chama a atenção no caso da africana é a idade dela. Tanya tem apenas 14 anos.

O ingresso no esporte começou por influência do pai. O senhor Muzinda, apaixonado por corridas, comprou um kart para a filha sonhando que ela fosse uma corredora de automóvel. Não dá para dizer que não deu muito certo. Se Tanyaradzwa abandonou cedo a estabilidade das quatro rodas pela aventura nas motos, por outro lado, ela seguiu em competições de velocidade.

Com apenas 6 anos, a menina se tornou a primeira campeã zimbabuana de motocross feminino.

Para que Tanya pudesse evoluir nas provas, o pai dela fez outro investimento que ajudou a impulsionar a carreira da filha. Em dezembro 2013, ele levou para o Zimbábue o ex-campeão italiano de motocross Stefy Bau.

Durante duas semanas, Stefy deu várias aulas e importantes dicas para a garotinha, que na época tinha 7 anos. O progresso dela foi visível. Na sequência, Tanya se tornou vice-campeã na classe com motos de 65 cilindradas.

O crescimento no esporte tem sido frequente. Há quatro anos ela foi coroada como Atleta Júnior do Zimbábue. Com os títulos vieram também as premiações em dinheiro, e a decisão em ajudar pessoas e instituições.

Não foram poucas até hoje. Um orfanato em Warren Park chamado Nyarirai Children’s Home foi um dos primeiros a receber doações da garota. Os pais dela também se engajaram e saíram à procura de livros para as crianças. Tanyaradzwa costuma dizer que adotou a instituição.

"Todo ano venho organizando com minha família e amigos da #TeamTanya uma festa de Natal para as crianças comemorarem juntas", revela a campeã.

Em julho de 2018, Tanya escreveu em seu blog: "Este mês marcam 6 anos desde a minha nomeação histórica como Embaixadora Honorária do Zimbábue-União Europeia para o Gênero, a Juventude, o Desporto e o Desenvolvimento. Eu sempre desejei ajudar aos outros na escola".

Esse ano ela resolveu levar mais crianças para às salas de aula. Com o dinheiro que tinha, a sensação do motocross pagou a matrícula de 40 meninas e de 5 meninos na escola primária Chinamano Council, em Epworth, que fica 20 km a sudeste da capital Harare.

Mas para Tanya foi pouco. "Meu sonho é enviar 500 crianças (para a escola) em todas as dez províncias do país até o final do ano 2020 pela graça de Deus, e espero que este sonho seja realizável", disse à imprensa local.

A explicação para tamanho altruísmo vem de uma palavrinha chave: gratidão. Tanyaradzwa explica que o motivo por trás da doação é o de devolver à comunidade tudo o que recebeu na vida.

"Muitas vezes eu sinto falta de corridas e de treinos por causa de finanças e outras razões técnicas. Eu sei como é sentir falta de algo que você ama e faz parte do seu destino. Então, eu posso imaginar uma garotinha olhando para outras crianças indo para a escola. Ficar em casa, a dor e o trauma são insuportáveis​​", explicou.

A generosidade da adolescente rendeu um apelido carinhoso para Tanya. "Meus amigos me deram um nome Nick Madre Teresa, e riram muito sobre isso, até que fui nomeada pela Delegação da União Europeia para o Zimbábue e percebi que é um chamado", contou.

Tanya é a filha mais velha. Os pais dela foram os primeiros integrantes da família Muzinda a se mudarem de uma vila no interior do país para a capital Harare.

No esporte ela também tem planos bem audaciosos. A jovem quer ser a primeira atleta de motocross feminino da África a alcançar o sucesso internacional.

 

Garota de 14 anos se torna campeã de Motocross e paga escola para 45 crianças carentes

 

Um país miserável

 

O Zimbábue tem uma população estimada em 17 milhões de habitantes. O país localizado no sul do continente africano carrega diversos problemas econômicos, sociais e políticos. A maioria dos zimbabuanos vive abaixo da linha de pobreza, ou seja, com menos de 1,25 dólar por dia.

Com a precária condição econômica, os subnutridos ultrapassam 40% da população. As epidemias também são bem comuns no país. Muitos habitantes ainda são portadores do vírus HIV, o que reflete diretamente na baixa expectativa de vida, atualmente de 47 anos.

De acordo com relatório divulgado em 2010 pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Zimbábue é de apenas 0,140, a pior média entre os 169 países que compõem o ranking mundial.

 

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Marcia Mendes

Marcia Mendes

Ver esta menina nos dá força, vale a pena viver
★★★★★DIA 17.08.19 19h43RESPONDER
N/A
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