A emissora quer contar os fatos e recriar as imagens da morte da modelo Eliza Samudio
Globo compra direitos de livro sobre goleiro Bruno para produzir série

Quem trouxe a notícia foi o site da Veja. Segundo o jornalista João Batista Jr, a Rede Globo comprou os direitos do livro "Indefensável - O Goleiro Bruno e a História da Morte de Eliza Samudio", da editora Record.

Ainda de acordo com João Batista, a emissora já estuda nomes para tocar a produção. A direção deve ser de Amora Mautner, que esteve à frente da série sobre o médico Roger Abdelmassih, chamada "Assédio".

A atriz Vanessa Giácomo está cotada para fazer o papel de Eliza Samudio, mas por enquanto a cúpula da Globo não confirma nada de forma oficial. O que se pode esperar é que a série vai revelar detalhes que as matérias jornalistas nunca contaram.

 

O livro que serviu de inspiração

 

Globo compra direitos de livro sobre goleiro Bruno para produzir série

 

A obra dos jornalistas Leslie Leitão, Paula Sarapu e Paulo Carvalho foi lançada em 2014. Os três repórteres policiais acompanharam de perto as investigações sobre o crime e os julgamentos do goleiro Bruno, seu fiel amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e de outros envolvidos.

Para escrever as 266 páginas do livro, os autores entrevistaram cerca de 100 pessoas. Jogadores e dirigentes do Flamengo, seguranças, amigos de infância e esposas participaram com depoimentos preciosos.

O jornalista Paulo Carvalho trabalhava no jornal carioca Extra. Leslie Leitão e Paula Sarapu eram companheiros de redação do jornal O Dia, também do Rio. Paula se transferiu para o jornal Estado de Minas em 2011, onde continuou acompanhando as investigações sobre o macabro assassinato.

Vítima de um infarto, Paulo Carvalho morreu em julho de 2019, quando tinha 47 anos. Ele foi o único jornalista que chegou a gravar um depoimento de Eliza Samudio, antes de ela ser morta.

A amante do ex-goleiro do Flamengo estava na porta de uma delegacia, onde havia feito denuncias sobre as ameaças e agressões que vinha sofrendo. O vídeo foi usado posteriormente no julgamento.

Em uma entrevista ao jornal O Globo em 2014, quando o livro foi lançado, os três jornalistas contataram detalhes sobre as apurações que fizeram durante o período em que acompanharam o caso.

O GLOBO: Por que escrever um livro sobre o caso Bruno?

LESLIE LEITÃO: Desde o momento inicial de apuração vimos que havia muitos mistérios que rondavam os personagens. Mergulhamos no universo dos personagens envolvidos para mostrar a miséria social que é o pano de fundo da tragédia final, que é assassinato de uma maria chuteira que queria R$ 3,5 mil de pensão pelo filho que teve com o goleiro famoso. Antes disso, os personagens tiveram suas vidas abaladas com várias outras tragédias do cotidiano. Estávamos diante de um dos casos de maior repercussão de todos os tempos, que envolvia um goleiro do Flamengo, capitão do time, que provavelmente estaria na Copa agora, cotadíssimo. Tínhamos um belo enredo para tentar desenvolver.

O GLOBO: Muito já se escreveu e transmitiu sobre o caso nos jornais, revistas e TVs e a história era acompanhada pelas pessoas como se estivessem seguindo os capítulos de uma novela. O leitor vai se surpreender com alguma história?

LESLIE LEITÃO: Não nos propomos a escrever um livro para dizer que o Bruno é malvado. Estamos contando um caso e alguns bastidores. A gente mostra, por exemplo, que de fato a Eliza infernizava o Bruno, porque queria que ele a assumisse. Ameaçava constrangê-lo, queria invadir a concentração, o hotel onde ele estava hospedado. Outro caso envolve o pai da Eliza Samudio, Luiz Carlos Samudio, que aparece em Minas para fazer o exame de DNA quando a polícia descobre a mancha de sangue no carro (na Range Rover do jogador). Só que aí a mãe que estava desaparecida há mais de uma década, reaparece, para dizer que o Luiz Carlos não podia fazer o exame porque não era o pai biológico da Eliza. Ninguém sabia, nem o próprio pai. Isso na época não veio à tona, a imprensa não revelou.

O GLOBO: Vocês chegaram a uma conclusão sobre qual teria sido o verdadeiro motivo do crime?

PAULA SARAPU: Ela tentava provar na Justiça a paternidade do Bruninho e afrontava o Bruno. Para nós, não foi o dinheiro, o grande motivo de o Bruno ter arquitetado este plano e sim o fato de a Eliza provocá-lo e bater de frente com ele. Ela era uma pessoa que desafiava muito o Bruno. Dias antes do sequestro dela, eles firmaram através dos advogados que se encontrariam numa audiência para definir o local do exame de DNA e o valor da pensão em caso positivo, que era R$ 3.500, quando o Bruno em carteira assinada ganhava R$ 120 mil. Era um valor para ele muito irrisório, não era então por isso que ele não pagaria uma pensão. Ele se preocupava muito também com a reputação dele, em relação à família da Ingrid, a atual esposa, uma dentista de classe média, das Forças Armadas, cujo pai não via com bons olhos o relacionamento. Bruno tinha preocupação de como isso seria recebido.

PAULO CARVALHO: O que derrubou o Bruno foi vaidade. Ele é ambicioso, tinha poderes. Era o melhor goleiro do Brasil, capitão do time mais popular do Brasil, acho que ele não aceitou o fato de que ele fez uma burrada. Todo mundo conhecia a Eliza. A gente não qualifica ela no livro, mas no meio do futebol todos sabiam que ela era uma menina que gostava de viver neste meio e já tinha se relacionado com outros jogadores. Ele mesmo começa a ser sacaneado. Perguntavam, “mas logo com ela?”. Então ele não aceitou e não queria que aquilo se tornasse público. O fato de ela começar a procurar a imprensa fez ele perder a cabeça de vez. E acabou cometendo este ato insano.

O GLOBO: Depois de toda a pesquisa e de ouvir pessoas que se relacionavam com ele, como vocês definem o Bruno?

LESLIE: Entrevistamos familiares, amigos de infância, segurança. Tentamos mostrar quem é o Bruno, de onde ele veio. Ele nasceu de uma relação conturbadíssima, com um pai bandido, ladrão, envolvido com o tráfico e uma mãe que deu cinco tiros numa rival, por ciúme. Isso mostra um pouco do DNA deste personagem. Não sou psiquiatra, mas todas as pessoas que entrevistamos que entendiam do tema enxergam nele traços de psicopata. Ele é frio para matar e frio para pegar pênalti. Até hoje se nega a admitir. Ele confessou parcialmente no julgamento e ainda assim tem resistência em admitir que matou a Eliza. Tentamos entrevistá-lo através dos advogados, mas ele não aceita falar sobre o crime. O Bruno criou um mundo de mentiras, do qual ele não saiu até hoje. Duas das pessoas que acompanhavam o julgamento do goleiro de perto juram que a bíblia que ele carregava o tempo inteiro no tribunal estava de cabeça para baixo. Tudo fazia parte de uma encenação.

PAULA SARAPU: Ao passo em que ele se acha intocável, ele desprezava as mulheres. A gente conta uma passagem em que a Daiane é presa, acusada de sequestrar o Bruninho. Ela liga para o Bruno, que não atende, liga em seguida para o Macarrão, ele desliga. Até que enfim consegue falar com o Macarrão e diz que está na delegacia e sendo presa e precisa falar com o Bruno. O Macarrão diz que vai dar o recado, que o Bruno não vai atender. Ela solta um palavrão enorme e diz: avisa ao Bruno que a mãe dos filhos dele está sendo presa. E ele agia assim com todas as mulheres. Daiane conta que o relacionamento deles era entre tapas e beijos. Eles estavam juntos desde que ela tinha 12 anos e ele 14 anos. A Elisa também contava que tinha sido agredida várias vezes.

O GLOBO: Algum dos entrevistados consegue explicar por que o menino Bruno foi poupado?

LESLIE: Só duas pessoas sabem realmente o que aconteceu: o Macarrão e o Bola. E eles nunca falaram sobre isso, o porquê de eles não terem matado o bebê. A versão que existe mais concreta é que de o Bola (ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos) não quis matar a criança, por mais absurdo que isso possa parecer, afinal, ele era assassino profissional. E a criança, que foi levada junto a com a mãe, volta para o sítio. Isso é um detalhe importantíssimo na história toda. Com a criança, havia uma prova de que Elisa não havia fugido. A Elisa não ia abandonar o bilhete da Megasena dela e sumir no mundo. Se as pessoas diziam que a Eliza era uma chantagista e só queria o dinheiro do Bruno, ela dependia da criança para ganhar algum dinheiro.

O GLOBO: Então, o menino não ter sido morto, prejudicou os planos de Bruno?

PAULO CARVALHO: O próprio sumiço do Bruninho poderia ter feito todos acreditarem que ela realmente tinha ido embora com os R$ 30 mil, que foi o dinheiro que atraiu ela para Belo Horizonte.

Em 2013, Bruno foi condenado a 22 anos e 3 meses de prisão em regime fechado. No dia 18 de julho de 2019, o goleiro conseguiu uma progressão de pena para o regime semiaberto.

O juiz Tarciso Moreira de Souza, da 1ª Vara Criminal e de Execuções Penais da comarca de Varginha, escreveu na sentença que Bruno "satisfaz as exigências subjetivas e objetivas para a concessão da progressão de regime para o semiaberto". O juiz entendeu ainda que o condenado já tinha cumprido também o tempo necessário da pena imposta no regime fechado.

Tarciso Moreira de Souza considerou também que o ex-goleiro estava apto para ser reinserido à vida social.

 

a foto da capa é de Renata Caldeira/ TJMG/Reprodução

Veja também

Olá, deixe seu comentário para Globo compra direitos de livro sobre goleiro Bruno para produzir série

Já temos 1 comentário(s). DEIXE O SEU :)
Saulo Nunes

Saulo Nunes

Aqui no Brasil é assim:
•Vc mata sua mulher
• Vira celebridade
•É preso
• tem direito a saidinhas do Dia dos Pais,Mães, etc etc
• É solto em Segunda Estância
• sua história virá livro.

Vou ali matar alguém ????
★★★★★DIA 16.11.19 11h21RESPONDER
N/A
Enviando Comentário Fechar :/
Enviando Comentário Fechar :/