O título de 2018 igualou o inglês a lenda Juan Manuel Fangio, os únicos com cinco conquistas. Só Schumacher foi mais vezes campeão do Mundo
Hamilton, o pentacampeão negro que trabalhou como garçom e lavador de carros

A consagração já era esperada a algumas corridas. Lewis Hamilton mostrou, em 2018, um amadurecimento espetacular, superando seus adversários com sobras. Quem poderia ameaçar o piloto da Mercedes era Sebastian Vettel, com uma Ferrari. Poderia se não tivesse cometido um monte de barbeiragem em momentos importantes. A discussão agora não é se o título ficou em boas mãos, mas se Hamilton já pode ser considerado o melhor de todos os tempos.

Entre os principais analistas de Fórmula 1 do mundo inteiro esse sentimento vai crescendo a cada novo título. Para ajudar Lewis nessa corrida particular estão os números extraordinários que ele acumula a cada temporada. O inglês é o piloto que mais vezes largou na primeira posição. São 81 pole position na carreira. Faltam apenas duas marcas para ele superar e ambas pertencem a um mito chamado Michael Schumacher. O alemão tem sete títulos, dois a mais do que Hamilton. É também de Schumi o maior número de vitórias, 91 contra 71 do condutor da Mercedes.

Mas Hamilton tem demonstrado muito apetite para continuar em busca de todos os recordes. Com 33 anos, ele ainda deve correr mais algumas temporadas. Se for um fominha como Rubinho Barrichello, que se aposentou com 39 anos, Lewis tem ótimas chances.

 

Família Hamilton e a origem africana

 

A garra desse fenômeno vem desde a infância. Os avós de Hamilton, descendentes de africanos, são nativos da Ilha de Granada, no Caribe. Se mudaram para a Inglaterra nos anos 50 acreditando em uma vida melhor. O filho Anthony se casou com a inglesa Carmen Lockhart em uma união que durou pouco tempo, mas deixou um fruto. O nome do herdeiro: Lewis Carl Davidson Hamilton.

Lewis tinha dois anos quando os pais foram morar em endereços diferentes. O menino continuou vivendo com a mãe.

Correu a primeira vez com apenas seis anos e já foi campeão. Calma, que ainda não era com um automóvel. O troféu foi conquistado em um Campeonato Nacional de carros teleguiados por controle remoto.

 

Hamilton, o pentacampeão negro que trabalhou como garçom e lavador de carros Na infância o menino Lewis já era apaixonado por corridas

 

Naquela época, Lewis ficava fascinado em ver outros meninos correndo de kart perto de sua modesta casa, em Stevenege, pequeno município que fica 50 kms ao norte de Londres. Mas a primeira experiência não foi nada boa com esses mini veículos. Ao acelerar com um kart sofreu um acidente que poderia ter desencorajado o garoto. Saiu da pista com o nariz quebrado e sangrando muito depois da batida.

Determinado a seguir em frente, com dez anos Lewis conquistou seu primeiro título, agora pilotando de verdade. Foi na categoria Cadete. Hamilton foi o mais jovem a conseguir tal proeza. Boa parte do feito se deve ao pai do campeão. Senhor Anthony cuidava pessoalmente do kart, que era pintado a mão.

 

Hamilton, o pentacampeão negro que trabalhou como garçom e lavador de carros Hamilton e o kart pintado pelo pai

 

A sorte começou a mudar durante a cerimônia de premiação. Lewis não perdeu a oportunidade em dar uma "cantada" profissional em um dos mais famosos dirigentes da Fórmula 1, Ron Dennis. O diálogo do menino abusado com o super poderoso chefão da McLaren foi assim:

“Olá! O meu nome é Lewis Hamilton. Ganhei o campeonato britânico de kart e um dia quero correr em um dos seus carros”.

A fala aconteceu junto a um pedido de autógrafo. Além da assinatura, no caderno de Hamilton foi escrito o seguinte recado:

“Telefona-me daqui a nove anos, arranjaremos qualquer coisa nessa altura”.

 

Hamilton, o pentacampeão negro que trabalhou como garçom e lavador de carros Lewis Hamilton com o chefão Ronn Denis

 

Aos 12 anos Lewis foi morar com o pai e a madrasta, Linda. Tudo era muito modesto para eles. O rapazinho dormia no sofá cama da sala, mas era hora de fazer todo tipo de sacrifício para alcançar seus sonhos.

O tempo da juventude era dividido entre a escola, corridas, treinos e pequenos trabalhos para ajudar no orçamento de casa. O futuro campeão serviu mesas em acanhados restaurantes e foi lavador de carros. Nas férias costumava viajar com o pai, mas como o dinheiro era curto os dois dormiam dentro do carro.

A vida era difícil, mesmo. Senhor Anthony tinha três empregos para poder sustentar os gastos com as corridas do filho.

Nas viagens pelos circuitos do Reino Unido, Anthony e Lewis chamavam a atenção. “Éramos a família negra malamanhada. Tínhamos o equipamento de porcaria, o kart de porcaria e a caravana de porcaria”, recordou o piloto em uma reportagem da revista Time. Mas nada detinha o menimo, nem os comentários racistas em um esporte predominante de pessoas de peles claras.

Nos anos seguintes Hamilton continuou construído a sua história. Faturou mais três títulos no kart. O universo do automobilísmo via nascer um fora de série.

 

Hamilton, o pentacampeão negro que trabalhou como garçom e lavador de carros Hamilton em uma premiação com o campeão de F1 Jacques Villeneuve

 

Não foi preciso esperar mais tanto tempo para Lewis Hamilton cruzar novamente com Ron Dennis. O próprio dirigente passou a mão no telefone e ofereceu uma oportunidade dos céus para Lewis. Era um convite para Hamilton fazer parte do programa de desenvolvimento de jovens pilotos da equipe, chamado McLaren Junior Drivers Scheme.

Anos mais tarde, Ron Dennis revelou porque não esperou pelos nove anos. O boss da McLaren confessou que tinha percebido ao primeiro olhar que estava diante de um fenômeno.

Com suporte e grana para correr, a escalada foi cheia de conquistas na sequência. Hamilton venceu o Campeonato Europeu de kart, a Fórmula Renault Britânica, o Campeonato Europeu de Fórmula 3 e a GP2. Tudo bancado pela McLaren. Estava pronto para estrear na Fórmula 1 um novo gênio.

 

O começo na Fórmula 1

 

Em 2007, Hamilton começou a pisar pra valer nos principais circuitos do mundo. Isso, com 22 anos. E logo na primeira temporada quase foi campeão. Perdeu o título por um ponto para Kimi Räikkönen. Mas em 2008, em uma chegada histórica em Interlagos, bateu Felipe Massa ultrapassando Timo Glock a poucos metros da linha de chegada. Com 23 anos o mundo se curvava ao primeiro negro a conquistar um título na F1.

 

Hamilton, o pentacampeão negro que trabalhou como garçom e lavador de carros Comemoração do primeiro título no Brasil em 2008

 

Em 2010, Hamilton rompeu com o pai que ficava com 50% de tudo que o filho ganhava e tinha fama de ser muito durão. O inglês foi atrás de outro empresário.

Sem repetir o mesmo desempenho na McLaren decidiu trocar de equipe e partiu para a Mercedes em 2013. Se tornou bicampeão mundial no ano seguinte, tri, em 2015, e tetra, em 2017.

 

Vida de um milionário fora das pistas

 

Hoje, Hamilton tem um dos maiores salários do mundo esportivo. Seu contrato com a Mercedes rende 120 milhões de libras, algo em torno de 560 milhões de reais por ano. Longe dos autódromos ele leva uma vida de pop star. Gosta de usar jóias caras, cultua tatuagens, é visto frequentemente em festas de famosos e lançamentos de moda em Paris e Nova York, sempre acompanhado de belas mulheres.

 

Hamilton, o pentacampeão negro que trabalhou como garçom e lavador de carros Amante das tatuagens, Hamilton tem várias espalhadas pelo corpo

 

Hamilton, o pentacampeão negro que trabalhou como garçom e lavador de carros Hamilton com a campeã de esqui, Lindsey Vonn, no GP da Inglaterra

 

Lewis viaja o mundo inteiro a bordo de seu jato particular e curte música. Aliás, a paixão pelos sons é tão grande que Hamilton mandou fazer um estúdio de gravação em uma das suas residências, na Inglaterra. O piloto tem aulas de guitarra, piano, canto e planeja fazer música com o rapper canadense Aubrey Drake.

Lewis ainda é visto constantemente pelas ruas de Mônaco desfilando com seus carros conversíveis. Com os fãs tem fama de ser gentil e brincalhão. 

Assim é o pentacampeão Hamilton. Um super piloto nas pistas e uma lição de coragem e determinação na vida.

 

Hamilton, o pentacampeão negro que trabalhou como garçom e lavador de carros Apesar de não ter corrido pela Ferrari, Hamilton curte os modelos da fábrica italiana

 

Hamilton, o pentacampeão negro que trabalhou como garçom e lavador de carros Hamilton comemorando uma vitória em casa, na Inglaterra, em 2017

 

Hamilton, o pentacampeão negro que trabalhou como garçom e lavador de carros Hamilton comemorando o título de 2017 no GP do México

 

 

 

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