A média de acidentes fatais com essa turma é impressionante. Nada mata mais no nosso trânsito do que os acidentes com motos
 Hoje vão morrer 30 motoqueiros no Brasil

Os números de 2018 são de perturbar a cabeça de qualquer um. Cerca de 11 mil motoqueiros morreram no pais no ano passado. As estatísticas altas tendem a subir ainda mais nos próximos meses por causa dos entregadores de comida, segundo levantamento realizado em São Paulo por técnicos da prefeitura. Mas existem outros motivos que fazem essa contagem ser tão absurda. Entre os mais frequentes estão a inabilitação e a falta de equipamentos de segurança. Isso sem falar dos condutores que ficam inválidos pelo resto da vida por causa de acidentes.

Ainda não está fechado o balanço incluindo todas as ocorrências de trânsito do ano passado. Mas acredita-se que batidas, capotamentos e diversos tipos de trombadas envolvendo automóveis, caminhões e ônibus possam ter diminuído em relação a 2017. Com motos não.

A triste constatação coloca o país entre os cinco do mundo com maiores registros de acidente no trânsito. Para se ter uma ideia de como nossos motoqueiros se arriscam nas ruas e avenidas basta fazer uma rápida comparação com a Itália.

O país europeu tem uma população de 65 milhões e cerca de 14 motos ou ciclomotores (Vespa, Lambreta…) para cada 100 habitantes. Toda família por lá possui pelo menos um veículo em duas rodas. Mesmo com esse índice a Itália é um dos cinco lugares mais seguros do mundo para se andar de moto.

Por aqui, temos em média 6 motoqueiros para cada 100 brasileiros. Mas a nossa fama não é nada boa. Os condutores abusam do excesso de velocidade, andam sem equipamentos de segurança, não respeitam sinalizações e muitos não tem nem habilitação.

Segundo especialistas de trânsito, o que faz essa diferença é a conscientização dos italianos. O fato de terem familiares circulando em motos também ajuda muito no respeito que existe entre motoqueiros e motoristas.

 

São Paulo e o risco dos motoboys

 

Estima-se que no Brasil existam hoje quase 13 milhões e meio de motos circulando pelas cidades. A capital paulista é a que tem a maior quantidade, e é natural que por lá também aconteçam mais acidentes.

Dos trinta motoqueiros que morrem a cada dia no país, um é de São Paulo. O fenômeno das fatalidades na cidade não é novo. O que tem agravado a situação foi uma acirrada competição criada pelas empresas de entrega de comidas através de aplicativos.

Entre as mais conhecidas estão Rappi, Loggi, Uber Eats e iFood. A propaganda de entrega rápida tem um forte apelo para os que estão famintos. Quem faz o freguês esperar menos tempo leva vantagem sobre as demais.

Para convencer pessoas a se arriscarem em cima de motos levando rango, as empresas fazem anúncios atrativos para fisgar esses corajosos. Normalmente, o primeiro contato acontece através de mensagens disparadas por SMS.

Um dos "prêmios" oferecidos pela Uber Eats em outubro era o seguinte: "Ganhe 570 reais completando 44 entregas ou ganhe 80 reais completando 26 entregas". Já a Rappi pagava R$ 50 para quem conseguisse em duas horas realizar cinco entregas. "Garanta o presente da garotada hoje", tentava convencer no texto.

Essa é a armadilha que os motoboys caíram nela. Mas os "prêmios" são considerados ilegais pelo Ministério Público do Trabalho que entrou com ações contra algumas empresas. Segundo o MPT a bonificação estimula a direção imprudente, o que é proibido pela lei federal 12.436/2011.

Boa parte da própria categoria também rechaça essa prática. O presidente do Sindicato dos Mensageiros Motociclistas de São Paulo lembra que o perfil dos entregadores pode agravar o quadro. "O principal problema é que essas empresas trazem gente muito nova, sem experiência, sem cursos. E, com esses estímulos, esse pessoal é colocado para correr", falou Gilberto de Almeida dos Santos, do Sindimotosp.

 

Motoqueiros na contramão

 

Se a cada ano cresce o número de veículos e motos circulando pelas cidades seria natural imaginar que os acidentes também aumentassem. Mas não é o que mostram os levantamentos na maior cidade brasileira. Comparando 2017 com 2018, teve até a redução em uma ocorrência. E poderia ser bem melhor se não fossem os sinistros com quem anda em duas rodas.

Os registros com óbitos em batidas de automóveis e veículos de carga e transporte diminuíram. Em compensação houve um crescimento de 18% nas mortes de motoqueiros. Foram 360, média de quase uma por dia. É o índice mais alto registrado nos últimos três anos. Os dados são do Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito de São Paulo (Infosiga).

Observando o cenário nacional os números também são bem preocupantes. De janeiro a outubro de 2018, pelo controle do DPVAT, foram pagas 268.550 indenizações. Enquanto os acidentes com automóveis, ônibus e caminhões somaram 63.076, as motocicletas e ciclomotores apresentaram 295.474 ocorrências.

De acordo com o levantamento, 16.173 vieram a óbito e 148.674 receberam o seguro por invalidez permanente. Outros 37.750 entraram na lista por danos variados. Os jovens aparecem entre os mais afetados. As vítimas com idades que variam dos 18 aos 34 anos foram responsáveis por 49% dos acidentes fatais e 52% dos registros com sequelas permanentes.

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Diogo Silva

Diogo Silva

Muito engraçado a opinião geral. A culpa é sempre do morto. Pois sou motociclista, ando de forma correta e todos os dias passo por situações de extremo risco por conta de carros que dirigem em alta velocidade, fazem conversões proibidas, jogam o carro para cima de voce para mudar de faixa sabendo que se sua moto nao desviar o morto sera voce, não usam sinalização e ainda te ofendem pela janela por voce estar ocupando "espaço de carro". sem contar onibus e caminhoes que nao dão a minima para sua vida. Todo mundo no brasil esquece o codigo de transito onde os veiculos grandes sao responsaveis pelos pequenos e todos pelos pedestres. Nao é o que vemos. vemos uma selva de cada um por si, estou atrasado e vou te cortar e fazer essa conversao proibida pq nao tem nenhum PM vendo. Motorista, antes de apontar o dedo para uma classe, olhe a sua primeiro. Ah, vamos lembrar de algo tambem: muita gente quer que o motoboy atravesse a cidade em 20 minutos quando esta com sua pizza no bau. So incomodam quando estao levando a pizza dos outros. o problema brasileiro é cultural. seria bom se cada um tomasse para si um pouquinho da responsabilidade. a verdade é que em BH ninguem dirige bem. nem motociclista e nem motorista.
★★★★★DIA 23.02.19 23h02RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Diogo, boa noite! Acho que é consenso em todos que deixaram seus comentários que o maior problema é a conscientização. Você tá certo quando diz que existem também motoristas que transgridem as leis de trânsito e não respeitam a motoqueiros, pedestres e a outros condutores de veículos. Por isso citei no texto o exemplo da Itália e o respeito mútuo que existe entre motoristas e motoqueiros. Na minha família também tem motoqueiros. Obrigado por ter visitado o site e deixado o seu comentário. Abraço e bom domingo. 

★★★★★DIA 24.02.19 00h00RESPONDER
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Carlos Alberto de Moura

Carlos Alberto de Moura

Observo que motociclistas e garupas andam com roupas inadequadas para o caso de quedas. Acho que proteção para joelhos e cotovelos, além de roupas de couro auxiliariam em muito a proteção. Capacetes têm que ser fiscalizados quanto à validade e normas do INMETRO. Os guardas motociclistas andam protegidos. Porque não se exige que os demais usem esses EPI's? E chega de andar no corredor e ultrapassar pela direita, principalmente nas conversões.
★★★★★DIA 23.02.19 21h12RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Carlos, muito bom. Penso que dois pontos são prioritários para melhorar consideravelmente esse quadro: conscientização e leis mais rigorosas. Participe sempre do blog com seus comentários. Grande abraço. 

★★★★★DIA 23.02.19 22h39RESPONDER
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Hans Schroeder

Hans Schroeder

Em uma pesquisa rápida aqui sobre o assunto.
Os EUA tem 2,8 carros percapta o Brasil tem 0,8 motos.
Mortes ano passado nos EUA por motos fora 4990 ou 13,6 por dia.
Com mais do dobro de veículos na rua menos da metade das fatalidades.
Morei 6 anos nos EUA e nunca vi um motociclista passar em corredor.
Uma vez apenas um motoqueiro fugindo da polícia provavelmente por não ter habilitação.
★★★★★DIA 23.02.19 13h52RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Obrigado, Hans! Suas informações nos ajudam a aumentar o debate sobre o tema. Já tive a sorte de visitar os Estados Unidos e reparei bem no comportamento dos motoqueiros de lá. Que sirva de reflexão para todos que precisam ou gostam de andar de motos. Grande abraço. 

★★★★★DIA 23.02.19 14h51RESPONDER
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Hans Schroeder

Hans Schroeder

Infelizmente no Brasil a atitude de motoqueiros levam a consolidação dessa estatística. Ao contrário dos "motociclistas" que são responsáveis e pilotam do forma ordeira.
★★★★★DIA 23.02.19 13h42RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Hans, temos que pensar exatamente como você escreveu. Esse comportamento de risco não é de todos. Mas quem se submete a andar nessas condições ou faz por opção deve saber que os números são um bom alerta. 

★★★★★DIA 23.02.19 14h53RESPONDER
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Olavo F

Olavo F

Uma palavra resume tudo:
MUITO IMPRUDENTES!
★★★★★DIA 23.02.19 12h46RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Olavo, bom! Essa palavra define com precisão a maioria das ocorrências. É claro que nas estatísticas devem ter também os motoqueiros que estavam certos e se tornaram vítimas por erros de terceiros. Não é uma regra, mas uma situação que precisa servir de reflexão para quem anda de moto. 

★★★★★DIA 23.02.19 14h56RESPONDER
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Malom Freitas

Malom Freitas

Toda generalidade é burra
Já foi dito
★★★★★DIA 26.02.19 22h14RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Boa noite! Com certeza, Malom. O mais importante é que o respeito esteja presente sempre. Grande abraço.

★★★★★DIA 26.02.19 23h14RESPONDER
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Fábio Soares

Fábio Soares

Trânsito, como quase tudo na vida, é educação. E essas motos de 125cc podem ser adquiridas por prestações muito baixas, o que as torna acessíveis à camada da população que compõe a base da pirâmide sócio-econômica e, consequentemente, não tem acesso à educação. Alguém se lembra de ter visto acidentes com motos grandes ? Se lembram de ter visto acidentes com Triunfh, BMW ou Harley Davison ? Eis o motivo para a extrema falta de educação e posturas inconsequentes dos motoqueiros que fazem entregas.
★★★★★DIA 23.02.19 12h44RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Fábio, bom dia! Não podemos esquecer da situação econômica do país e o desemprego de quase 13 milhões de brasileiros. Esse quadro é muito sério e tem levado uma parte considerável da nossa sociedade a se ver obrigada a se sujeitar a condições preocupantes. Obrigado por ter participado do blog. Abraço e bom final de semana. 

★★★★★DIA 23.02.19 14h48RESPONDER
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