As autoridades de Bangladesh ainda tentam entender o que levou o sequestrador a um plano tão ousado
Homem sequestrou um Boeing 737 com uma arma de brinquedo e acabou morto

Está difícil compreender a coragem de Mahmud Polash Ahmed, de apenas 24 anos, para ameaçar a tripulação do avião com uma arma de imitação. Ele não carregava também nenhum explosivo. A polícia entrou na aeronave e abateu o sequestrador. Só depois é que a segurança percebeu que o homem portava um brinquedo. Em 2017, um piloto da mesma companhia aérea do incidente de domingo acabou detido. Na época, o comandante foi acusado de conspirar com radicais islâmicos.

O voo do sequestro inimaginável saiu de Daca, capital de Bangladesh, com destino à Dubai, nos Emirados Árabes, às 16h35 do domingo. O avião da companhia Biman Bangladesh Airlines estava no ar há 40 minutos, ainda sobrevoando o país de origem, quando a tripulação comunicou ao comandante que um dos passageiros apresentava "comportamento suspeito". Pouco depois Ahmed tentou invadir a cabine dos pilotos, mas não conseguiu porque o sistema de travamento da porta não permitiu. A intenção dele seria de escolher uma nova rota, segundo contam as autoridades.

Em seguida, o sequestrador ameaçou um dos tripulantes com a arma que carregava a bordo. Diante do risco o comandante decidiu aterrizar. O aeroporto escolhido foi o internacional Shah Amanat, na cidade portuária de Chittagong, que fica ao sul do país.

A bordo da aeronave estavam 142 passageiros e mais seis pessoas que compunham a equipe de tripulantes. O "pirata do ar", como é apelidado na Ásia quem faz ameaças dentro de aviões, alegava que carregava também explosivos.

Às 17h40 o avião fez um pouso de emergência. A aeronave logo foi cercada por integrantes de tropas especiais. Durante as negociações com autoridades policiais, o suspeito tornou-se agressivo e relutante às propostas que foram sugeridas. O sequestrador insistia em falar com a primeira-ministra Sheikh Hasina.

Instruídos pela tripulação e com o apoio de militares, os passageiros conseguiram deixar o avião pelas janelas de emergência junto as asas. Apenas um tripulante foi mantido como refém. Na frente da aeronave a polícia prosseguia tentando convencer o sequestrador a se entregar.

O aeroporto também precisou ser evacuado por causa da ameaça de explosão, apesar de o comissário de polícia Kusum Dewan ter explicado que a unidade de eliminação de explosivos, ao chegar ao local, suspeitou que Ahmed tinha "material parecido com uma bomba falsa".

Em um momento de descuido o sequestrador acabou atingido por tiro. De acordo com o major general S M Motiur Rahman, do exército de Bangladesh, as forças de segurança teriam feito vários esforços para que Ahmed se rendesse. "Mas ele se recusou e, então, atiramos nele", disse.

"A operação de um comando militar conseguiu derrotar o sequestrador e a situação está sob o controle do Exército", comemorou o porta-voz das Forças Armadas de Bangladesh, coronel Abdullah Ibne Zayed, em declaração à Agência Efe.

Mahmud ainda chegou a ser socorrido e levado às pressas para o Hospital de Chittagong. Mas o "pirata do ar" morreu no caminho. O corpo foi levado para o necrotério da Faculdade de Medicina.

"Ele parecia estar mentalmente desequilibrado. Ouvimos dizer que ele tinha um problema pessoal com a esposa e exigiu falar com a primeira-ministra. Mas ainda estamos investigando. Não podemos chegar a uma conclusão agora", afirmou o comissário Dewan.

 

Homem sequestrou um Boeing 737 com uma arma de brinquedo e acabou morto

 

Versão contestada

 

Desde que a notícia da morte de Ahmed se espalhou as forças policiais passaram a ser questionadas se não teriam se precipitado em abater o sequestrador. Dewan admitiu que "a pistola que estava com o suspeito era de brinquedo e ele não tinha nenhuma bomba presa ao corpo".

Mas antes dessa constatação as equipes de segurança deram outras versões ao atender à imprensa. "O sequestrador, de nacionalidade bengali, estava ferido, portava uma arma e tinha uma bomba atada ao seu corpo", chegou a afirmar em entrevista coletiva o presidente da Autoridade de Aviação Civil de Bangladesh, M. Naim Hassan.

Um processo de investigação mais detalhada é que vai buscar as respostas para as dúvidas que ficaram no ar. Os responsáveis pelo caso dizem que é prematuro apontar conclusões.

O que já se sabe é Mahmud Polash Ahmed morava em uma vila perto da capital e tinha uma passagem pela polícia. Em 2012, ele chegou a ser preso em um caso de sequestro, disseram autoridades na segunda-feira.

Mufti Mahmud Khan, diretor do Batalhão de Ação Rápida de Bangladesh, confirmou que o suspeito estava listado em seu banco de dados como "Md. Polash Ahmed, preso em 2012". Khan se recusou a fornecer detalhes sobre o caso de sequestro.

Os pais do "pirata do ar" confirmaram que o filho sofria de problemas mentais. Segundo um dos chefes de polícia de Narayanganj, nos arredores de Daca, os moradores da vila onde Ahmed morava afirmaram que o sequestrador tinha "má reputação".

O ministro da aviação civil de Bangladesh, Mahbub Ali, disse aos repórteres que Ahmed havia reservado um assento no voo de Daca para Chittagong, e que o vídeo de vigilância do aeroporto mostrou que ele passou pela segurança com outros passageiros.

"Não havia sinal de que ele tivesse alguma coisa quando embarcou no voo de domingo", disse Ali.

O avião da Biman, adquirido pela companhia aérea Biman Bangladesh Airlines no final de 2015, foi levado para uma zona afastada do aeroporto onde passará por perícia.

 

Homem sequestrou um Boeing 737 com uma arma de brinquedo e acabou morto

 

Bangladesh, um país assustado

 

Não foi a primeira e nem a segunda vez que o país asiático se vê às voltas com atos de terrorismo e sequestros aéreo. Em 2017, a polícia já tinha detido um piloto da mesma companhia Biman, acusado de conspirar com vários radicais islâmicos para sequestrar e derrubar um avião.

Com uma população de 162 milhões de pessoas e de maioria muçulmana, Bangladesh sofreu ainda outros ataques terroristas nos últimos anos. O mais famoso deles aconteceu em 2016, no café Holey Artisan Bakery, onde se reuniam diplomatas.

Relatos da época contam que sete homens invadiram o restaurante, às 21h20, aos gritos de "Allahu Akbar" ("Alá é grande").

Depois de 12 horas de cerco ao bando, a polícia invadiu o estabelecimento. O saldo chegou a 22 mortos, sendo 17 estrangeiros. Segundo o diretor da operação militar, general Nayeem Ashfaq Chowdhury, os reféns foram "executados" em sua maioria com armas afiadas, provavelmente facões. O ataque foi reivindicado pelo grupo jihadista Estado Islâmico. Seis terroristas também foram mortos e o sétimo acabou preso.

Entre os extremistas a maioria era de jovens de classe alta de Daca, que estudavam na Scholastica School, uma escola conhecida por receber a elite do país. Outros teriam frequentado a Universidade Monash, na Malásia, e pelo menos um a faculdade particular North South, também na capital.

A reação do governo com uma estratégia de repressão foi rápida. Centenas de supostos militantes acabaram presos ou mortos em ataques por todo o país.

Acredita-se que o Batalhão de Ação Rápida tenha tido êxito ao reduzir os ataques dos militantes, mas grupos internacionais de direitos humanos culpam a força anticrime de elite pelos desaparecimentos e assassinatos extrajudiciais de dezenas de pessoas supostamente envolvidas com grupos.

 

 

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Marcia Mendes

Marcia Mendes

Um insano, mas quantos recursos foram aplicados nesta operação
★★★★★DIA 27.02.19 03h01RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Boa noite! São as loucuras do ser humano. Grande abraço. 

★★★★★DIA 28.02.19 23h07RESPONDER
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