O Governo Temer se perde no tempo e se atrapalha com decisões que deveriam ter sido tomadas no início do ano
Nem com horário de verão Temer e ministros se entendem

No século passado, morou em Juiz de Fora um fazendeiro que era muito rico, mas que tinha fama de ser um homem bem simples e com pouca instrução escolar.

Lenda ou não, um episódio envolvendo o "seu" Neca Venâncio ficou famoso na cidade. As pessoas daquela época contam que o nosso personagem aprendeu com dificuldade a "desenhar" o próprio nome para poder assinar documentos.

Certa feita, o "seu" Neca estava apoiado, preenchendo um cheque, quando alguém chegou e deu um tapinha em suas costas. Inconformado, o fazendeiro se virou e disse bravo: pô, eu tô assinando, mas agora não sei se estava no Neca ou no Venâncio.

A historinha retrata bem as trapalhadas do governo federal na definição sobre o polêmico horário de verão, adorado por alguns e abominado por um outro tanto de pessoas.

No início do mês, acatando um pedido do Ministério da Educação (MEC), o Palácio do Planalto anunciou a decisão de adiar o início do horário de verão para o dia 18 de novembro.

A reivindicação fazia todo sentido. A data antes escolhida, 4 de novembro, coincide com o dia da primeira prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

O MEC tem receio que os candidatos esqueçam de adiantar os relógios em uma hora e percam a prova.

Só que a medida sugerida ao presidente, e aceita por Michel Temer, nunca foi publicado no “Diário Oficial da União”.

Nessa segunda-feira, de forma confusa, o Governo voltou atrás e avisou que depois de avaliar bem o pedido do MEC entendeu que não seria viável atender a solicitação.

“Conforme decreto assinado pelo presidente Michel Temer, o horário de verão começará no dia 4/11. Não haverá adiamento”, informou a assessoria da Presidência.

Eita! Que baita pisada na bola.

Os tropeços em atos simples acabam dando margem para as especulações. Uma delas é a de que a mudança de horário de verão, de 4 para 18 de novembro, teria sido muito criticada pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), que representa as maiores companhias áreas do Brasil.

Segundo a associação, os passageiros que compraram passagens com antecedência poderiam ter problemas com a troca de horário.

Seja lá qual for o real motivo, o governo (presidente e seus ministérios) deu mais uma mostra de como se enrola com detalhes pequenos.

É bom lembrar que em dezembro de 2017, o presidente Michel Temer já tinha assinado um decreto diminuindo o período de duração do horário de verão, que antes começava no mês de outubro, passando para novembro.

De lá para cá, nossas autoridades tiveram várias meses para ajustar seus compromissos. Mas deixaram o tempo correr e agora querem acertar seus relógios olhando só para seus umbigos.

Por enquanto o governo garante que a data final do horário de verão está mantida para o dia 17 de fevereiro de 2019.

Resta saber se até o dia 31 de dezembro alguém vai dar um tapinha no ombro do presidente Temer antes que ele termine de assinar seus últimos decretos.

 

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Nize Maria Torres Falci

Nize Maria Torres Falci

Tenho vontade de chorar por conta desse horário de verão!!
★★★★★DIA 27.10.18 16h29RESPONDER
Guilherme Mendes
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