Em toda eleição as desconfianças dos partidos e candidatos se repetem sobre os números dos institutos

Se você assistiu ao vídeo do político Ciro Gomes no topo dessa página deve estar dizendo: essa gravação é antiga. E é mesmo, mas na verdade continua sendo bem atual para o desespero dos institutos de pesquisa.

Todo ano eleitoral é a mesma coisa. O candidato que está mal nas pesquisas não aceita os resultados. E quanto mais se julga injustiçado, mais tem a certeza de que tudo não passa de manipulação.

Na verdade seria mais cômodo dizer que toda essa ladainha tem uma carinha de choro de perdedor. O problema é que os institutos, vira e mexe, cometem falhas grotescas ao apontar "tendências" nas eleições.

Os casos de erros absurdos são vários nesse tipo de literatura e, mesmo assim, as pesquisas não só sobreviveram como se tornaram muito mais frequentes. Nesse ponto chegamos a duas questões que são chaves para se compreender esse jogo.

A primeira está ligada aos candidatos e a segunda ao eleitor.

Mesmo que os políticos não acreditem na veracidade dos levantamentos, eles sabem que os números influenciam muito. Quantas vezes você já ouviu alguém falar que não ia votar em fulano porque sabia que ele não iria vencer? Talvez até mesmo você tenha pensado dessa forma.

Quem segue por essa linha de raciocínio acaba optando pelo chamado "voto útil". Segundo a pesquisa CNI/Ibope, divulgada na quarta-feira, dia 26, 28% dos entrevistados responderam que têm "probabilidade" de deixar de votar em seu candidato preferido para evitar que outro que ele não gosta vença a eleição. É muita gente. Se fizermos uma projeção com base no número de eleitores do primeiro turno da eleição de 2014, mais de 116 milhões de pessoas, podemos ter no próximo domingo algo em torno de 30 milhões de eleitores praticando o voto útil.

A segunda dúvida está ligada ao fato de empresas, organizações, bolsa de valores e veículos de comunicação ainda contratarem os institutos mesmo diante de tamanha desconfiança. E eles pagam caro por esse serviço.

Vamos lá. O ser humano é movido em grande parte pela curiosidade. Estamos sempre querendo saber muito mais do que apenas o que nos cerca. Nossa ansiedade também nos instiga a antecipar situações e, se precisar, buscar proteção. Temos muito medo de sermos surpreendidos negativamente. As pesquisas de opinião funcionam bem nesse cenário.

Mesmo que a gente desconfie dos resultados, aparentemente não dê muita atenção aos números, ainda assim estamos sempre espiando o que os institutos contam e, de um modo geral, eles conseguem desenhar um mapa muito próximo da realidade.

Em defesa dessas empresas, seus executivos lembram que eles lidam com "tendência", não com números absolutos, já que entre a execução da pesquisa e o momento de votar o eleitor pode mudar sua decisão ou, até mesmo, sair do bolo dos indecisos e comparecer às urnas com outra disposição.

Entendeu porque as pesquisas acabam se tornando muito mais importante do que apenas relatar a vontade do eleitor em um período da campanha?

O certo é que nos últimos anos os institutos andaram errando muito e ficaram em xeque.

Nas eleições de 2014, por exemplo, o primeiro turno teve um resultado com percentuais muito fora do que previam as pesquisas. Na última hora se esperava que Dilma Rousseff alcançasse 44% dos votos válidos; o tucano Aécio Neves, ficaria em torno de 24% e Marina Silva, do PSB, com 22%. Mas quando as urnas foram abertas, a petista não passou de 41,5% e Marina 21,32%. Se levarmos em consideração a margem de erro, normalmente de 2%, o resultado já apresentava uma variação um pouco maior. Só que a votação de Aécio acabou por arruinar a pesquisa. Ele obteve 33,5% dos votos. Isso representou ao político mineiro uma votação 7,5% acima das pesquisas. Aécio arrebatou 8 milhões, 691 mil, 757 eleitores a mais do que previam os institutos.

É bom lembrar que quando se erra feio desse jeito a consequência é a perda de credibilidade.

Domingo os institutos vão passar por outra prova. Até aqui todos estão cravando que vamos ter segundo turno e que os dois candidatos que seguirão na disputa estão definidos: Jair Bolsonaro, do PSL, e Fernando Haddad, do PT.

Para os que não acreditam, façam suas apostas porque a roleta vai rodar. Mas lembre-se que esse não é jogo de azar. E boa sorte

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Olá, deixe seu comentário para Ibope, Datafolha... os institutos de pesquisa sob suspeita

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Fabiano Ribeiro

Fabiano Ribeiro

Oi Ídolo..
Eu ainda sou daqueles que acredito em pesquisa. Ibope e Datafolha são institutos que existem há anos, e que não vivem somente de pesquisa política. Se não tivessem credibilidade, já teriam sido eliminadas do mercado. Em 2014, se não me engano, a Boca de Urna teve um índice de erro dentro da margem.
Este ano temos 2 agravantes: 1) existe um eleitorado pró Bolsonaro que não admite. Esconde, com vergonha pelo que Bolso já disse no seu passado recente. Mas na hora do íntimo da urna, vai mostrar seu lado Bolso (racista, homofóbico, machista) e apertar 1 e 7 com raiva. Um segundo fator e não menos importante: pelo que li são 4 milhões de eleitores que não eram obrigados e não fizeram o cadastramento biométrico. "Chutando", digo que esse eleitor deve ser aquele mais simples, sem instrução, e que, as pesquisas mostram, votam PT.
Os dois fatores que citei beneficiam Bolsonaro, que, ontem, ultrapassou os 30% pela primeira vez no Ibope.
Vamos ver. Serão 6 dias tensos, apesar de achar que o primeiro turno já está decidido.
★★★★★DIA 02.10.18 15h40RESPONDER
Guilherme Mendes
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Boa noite! Obrigado pela visita ao site e por ter deixado a sua opinião. Grande abraço 

★★★★★DIA 03.10.18 01h38RESPONDER
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