Era a primeira tentativa do país de chegar ao satélite natural da terra. Prejuízo ultrapassa a US$ 140 milhões

As imagens do desfecho da frustrada tentativa dos indianos chegarem à lua merecem ser mostradas infinitas vezes para quem tem a missão de comandar equipes. O projeto foi arrojado e caro, muito caro. Eles gastaram em torno de R$ 560 milhões.

A intenção era levar a sonda Vikram até a região do polo sul da Lua, que até hoje não foi explorado.

Quando estava a 2,1 km da superfície a Vikram perdeu o contato com a base indiana. Durante alguns minutos os cientistas ainda aguardaram, na esperança que fosse uma interrupção passageira, mas não era.

 

Índia fracassa em pouso na lua e primeiro-ministro dá exemplo de como deve agir um líder

 

A frustração foi do tamanho do mundo. A Índia era o quarto país a tentar descer na Lua com um equipamento de pesquisa. Até hoje apenas Estados Unidos, Rússia e China tiveram êxito.

Na ISRO, agência espacial indiana em Bangalore, quem estava presente era o primeiro-ministro Narendra Modi, que aguardava a tentativa de pouso. Diante da decepção de todos os envolvidos na missão, o comandante do país teve um gesto digno dos grandes comandantes.

Ao invés de deixar a sala falando sofre o desapontamento da Índia, Modi foi consolar os profissionais da agência. Nas primeiras declarações, o primeiro-ministro disse que "há altos e baixos na vida" e que continua "torcendo pelo melhor". Para a maior figura do estado indiano, o que os integrantes da agência "fizeram não é um pequeno avanço".

"Altos e baixos acontecem na vida. Seu trabalho duro nos ensinou muito, e toda a nação tem orgulho de vocês. Se a comunicação (com a sonda) retornar, vamos torcer pelo melhor. Nossa jornada continuará. Sejam fortes. Eu estou com vocês", concluiu Modi.

 

Índia fracassa em pouso na lua e primeiro-ministro dá exemplo de como deve agir um líder

 

Depois, em uma rede social, sem apontar responsáveis pelo fracasso, o primeiro-ministro falou com a nação. "A Índia está orgulhosa de seus cientistas! Eles deram seu melhor e sempre trouxeram orgulho para o país. Esses são os momentos para sermos corajosos, e corajosos seremos. O diretor da ISRO deu updates da situação da Chandrayaan-2. Nós continuamos esperançosos e vamos continuar trabalhando duro em nosso programa espacial", escreveu Modi.

 

A missão especial

 

O lançamento da missão Chandrayaan-2 ocorreu no sul da Índia no dia 22 de julho. O Vikram era a peça que deveria ter pousado no solo lunar no sábado, à 1h55 da manhã, horário de Nova Délhi (17h25, da sexta-feira, em Brasília).

Em seguida, o jipe Pragyan iria explorar crateras em busca de pistas sobre a origem, a evolução da Lua e sua composição mineral. O rover também buscaria evidências de quanta água a região polar contém.

 

Índia fracassa em pouso na lua e primeiro-ministro dá exemplo de como deve agir um líder

 

A análise do gelo presente no local poderia contribuir para calcular a incidência de terremotos. As informações serviriam para saber se os materiais encontrados poderiam ser usados também na produção de combustíveis de veículos espaciais.

Essa fase da operação deveria ter acontecido entre 20h30 e 21h30.

O último contato com a base aconteceu cerca de 20 minutos depois de iniciado o procedimento de pouso suave, que visa reduzir a velocidade do módulo para garantir uma chegada segura.

Por que o módulo perdeu o contato quando fazia a descida ainda não se sabe. Após vários minutos de expectativa, o presidente da Organização de Pesquisa Espacial Indiana (ISRO), Kailasavadivoo Sivan, anunciou que a comunicação havia desaparecido.

"A descida do lander Vikram estava em andamento conforme o planejado, e foi observado um desempenho normal até uma altitude de 2,1 quilômetros", disse Sivan.

"Posteriormente, a comunicação da sonda com a estação terrestre foi perdida. Os dados estão sendo analisados", continuou, cercado por cientistas e observadores na sala de controle.

O ISRO já tinha admitido que a manobra do pouso no ponto escolhido era complexa. Sivan havia dito que seriam "15 minutos de terror".

"É como se de repente alguém viesse e desse a você um bebê recém-nascido em suas mãos. Você será capaz de segurar sem o apoio adequado?", disse ao canal de notícias NDTV. "O bebê se moverá dessa ou daquela maneira, mas devemos segurá-lo", disse Sivan.

Para Mathieu Weiss, representante do país na agência espacial francesa CNES, a análise do polo sul é vital para determinar se os humanos poderiam um dia passar longos períodos na Lua.

O módulo de pouso foi batizado em homenagem a Vikram A. Sarabhai, pai do programa espacial da Índia.

A descoberta de condições para pessoas sobreviverem na Lua pode significar que o satélite tem chance de ser usado como uma parada no caminho rumo a Marte. O quarto planeta do sistema solar é o próximo objetivo de governos e interesses privados, como a SpaceX de Elon Musk.

 

"Baixo" custo e outros fracassos

 

O dinheiro que os indianos jogaram fora em solo lunar sem conseguir realizar nenhuma experiência, apesar de representar uma fortuna, está longe de ser o maior gasto com experiências espaciais similares.

A missão Chandrayaan-2, que custou US$ 140 milhões, ficou muito aquém da grana que os americanos, por exemplo, gastaram com as missões Apollo, cerca de US$ 100 bilhões.

Agora a Índia espera dar prosseguimento a missão Gaganyaan, a primeira espacial tripulada organizada pelo país asiático. Na sexta-feira a força aérea anunciou que o primeiro nível de seleção de possíveis astronautas tinha sido concluído.

A Índia tem pretensões de conseguir acordos comerciais lucrativos de satélites e órbitas no mercado competitivo.

Em abril, a tentativa de Israel de pousar na lua falhou no último minuto, quando sua nave sofreu uma falha no motor e, aparentemente, colidiu com a superfície lunar.

 

O primeiro-mistro

 

O primeiro-ministro Narendra Modi venceu as últimas eleições do país no dia 23 de maio com ampla maioria. Com 68 anos, ele se tornou o primeiro premier a se reeleger em 50 anos. O Partido da Índia (BJP), conquistou 303 dos 542 assentos da Câmara Baixa do Parlamento (para formar maioria é necessário assegurar 272 cadeiras).

 

 

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Marcia Mendes

Marcia Mendes

Na vida passamos por picos e vales. O verdadeiro líder é aquele capaz de conduzir seus liderados pelos vales. Parabéns primeiro-ministro!
★★★★★DIA 08.09.19 14h31RESPONDER
N/A
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