Jamal nasceu na Arábia e era ligado a monarquia, mas depois que começou a escrever contra o governo se tornou um inimigo
Conheça a louca história do jornalista morto na Turquia

Desaparecido desde o dia 2 de outubro, Jamal Khashoggi é um jornalista que transitou entre os extremos da relação com a monarquia árabe. Seu avô era médico do rei Abdulaziz Al Saud, que fundou o reino. Por isso, Khashoggi viveu anos próximo a elite e aos príncipes sauditas, mas acabou se tornando um crítico do regime. Seus artigos duros combatendo a falta de liberdade na Arábia Saudita teriam custado a vida de Jamal.

O currículo do jornalista é bem relevante. Jamal Ahmad Khashoggi foi gerente geral e editor-chefe do canal de notícias Al-Arab. Exerceu também a função de editor do jornal saudita Al Watan.

Na década de 90, percorreu vários países como correspondente internacional. Esteve no Afeganistão, Argélia, Sudão e países do Oriente Médio. Entrevistou muita gente conhecida. Mais de uma vez fez reportagens com Osama bin Laden, conversando pessoalmente com o terrorista. Recentemente, trabalhava como comentarista político e aparecia em canais árabes e internacionais.

 

Conheça a louca história do jornalista morto na Turquia Osama bin Laden

 

A família de Jamal é muito conhecida na Arábia. Além de seu avô, médico do rei, fazem parte do clã dos Khashoggi o traficante de armas Adnan Khashoggi e a escritora Samira Khashoggi, mãe do bilionário egípcio Dodi al Fayed, que era namorado da princesa Diana.

 

Conheça a louca história do jornalista morto na Turquia Dodi al Fayed e Diana, Princesa de Gales

 

Graças à esse sobrenome, Jamal virou ainda conselheiro do ex-chefe dos serviços secretos, príncipe Turki al-Faisal, quando o nobre foi embaixador em Londres. É dessa função que vem às rugas com as autoridades do país. Jamal Kashoggi se tornou um crítico da família real e do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman. Os artigos do jornalista combatiam a falta de liberdade no mundo árabe, as muitas restrições aos direitos das mulheres e das relações com alguns países.

 

Conheça a louca história do jornalista morto na Turquia Príncipe Mohammed bin Salman

 

Com receio de retaliações no ano passado o jornalista refugiou-se nos Estados Unidos depois que o príncipe começou a combater dissidentes sauditas. Foi nessa época que Jamal passou a ser ainda mais ácido em suas publicações no jornal americano The Wasghinton Post.

Mas, então, por que diabos ele foi se enfiar no consulado saudita, em Istambul, se já era carta marcada?

É que Khashoggi resolveu se casar com a jornalista turca Hatice Cengiz e precisava de um documento comprovando que ele havia se divorciado da ex-mulher.

 

Conheça a louca história do jornalista morto na Turquia Jamal Khashoggi e Hatice Cengiz

 

Jamal já tinha feito uma visita ao consulado saudita no dia 28 de setembro, mas foi orientado a voltar outro dia. Com alguns amigos ele chegou a comentar que foi tratado "muito cordialmente" na primeira visita, acreditando que não enfrentaria qualquer problema.

Khashoggi marcou o retorno para o dia 2 de outubro. O horário determinado para ele ser atendido seria às 13h30. Quinze minutos antes Jamal passou pela porta de entrada do consulado e nunca mais foi visto.

A jornalista Hatice Cengiz ficou do lado de fora aguardando o noivo por horas. Cansada de esperar e aflita acabou indo embora e voltou no dia seguinte em busca de informações sobre o paradeiro do noivo. Não conseguiu nada, mas de posse de dois telefones celulares de Khashoggi entrou em contato com um assessor do presidente turco. Segundo o jornal New York Times, Khashoggi é amigo pessoal de Recep Tayyip Erdogan.

Mas nem com o empenho de Erdogan, nem com as possíveis pressões que o presidente americano Donald Trump alega ter feito, os sauditas explicaram o que aconteceu dentro do consulado.

 

Conheça a louca história do jornalista morto na Turquia Donald Trump e Recep Tayyip Erdogan

 

As imagens de uma câmera de segurança mostrando o exato momento em que Jamal entrou no consulado já rodaram o mundo e, mesmo assim, os árabes simplesmente alegam que desconhecem o paradeiro de Khashoggi.

A polícia turca afirma que não existe nenhum registro da saída do jornalista do prédio, enquanto a Arábia Saudita insiste que Jamal deixou o consulado, sem, contudo, apresentar provas para essa justificativa esfarrapada.

Segundo a Reuters, fontes garantiram a agência de notícias que a polícia investiga a entrada de 15 agentes sauditas na Turquia em dois voos no dia 2. Os homens saíram do país poucas horas depois e seriam ligados a Agência de Inteligência Presidencial da Arábia Saudita.

Se não bastasse o episódio nebuloso e intrigante do consulado, as agências de notícia agora trazem a informação que um dos suspeitos de ter participado do assassinato e esquartejamento do corpo do jornalista também teria morrido em um acidente de carro. Trata-se de um homem conhecido como Mishan Saad Albostani. Ele seria um dos suspeitos de envolvimento na barbaridade.

 

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(Consulado da Arábia Saudita em Istambul)

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