A história macabra aconteceu em Toronto, no Canadá. Bruce McArthur escolhia as vítimas através de aplicativos. Quase todas moravam em um bairro de homossexuais da cidade
Jardineiro matou gays durante oito anos e escondeu os corpos em vasos de flores

Durante quase uma década as mortes em série aterrorizaram a comunidade LGBT de uma das maiores cidades canadenses. O serial killer se transformou em um grande mistério, afinal ninguém desconfiava quem era o assassino e o motivo das escolhas. O desfecho aconteceu há um ano, quando McArthur se preparava para executar a nona vítima. A polícia invadiu o apartamento em que ele morava a tempo de evitar mais um homicídio. No dia 4 de fevereiro, Bruce vai ser julgado por todos os crimes.

Quem conheceu Bruce McArthur há muitos anos jamais poderia suspeitar de seu terrível perfil, uma personalidade voltada para morbidade e crueldades.

Thomas Donald Bruce McArthur nasceu no dia 8 de outubro de 1951, em Lindsay, Ontário, e vivia em uma fazenda em Argyle.

McArthur foi criado pelos próprios pais e com uma irmã. Um colega de escola conta que o menino tinha dificuldade em se relacionar com as outras pessoas da sala.

Os pais seguiram religiões diferentes e McArthur sempre foi mais próximo da mãe.

Isso teria levado o pai, um homem severo, a sentir falta de masculinidade no filho e ainda acreditar que o garoto tinha tendências a homossexualidade.

Por morar em um meio rural, as resistências ao jeito do menino eram ainda maiores.

McArthur acabou transferido de escola, onde conheceu e começou a namorar Janice Campbell. Ambos formaram em 1970. Os dois se casaram quando Bruce tinha 23 anos.

McArthur foi trabalhar em uma loja de departamento em 1973, como assistente de um comprador.

A poucos quarteirões da loja começava se formar uma "aldeia gay" de homens e mulheres.

Seis anos depois o casal se mudou para Ormond Drive, em Oshawa, e tiveram dois filhos: Melanie e Todd.

McArthur começou a ter relações sexuais com homens no início dos anos 90. A esposa descobriu, mas ele ainda permaneceram morando juntos. O casamento só acabou em 1997, quando Bruce se mudou para Toronto, já que não havia comunidade gay em Oshawa.

Em Toronto passou a frequentar bares que ficam em uma vila gay. Acabou se juntando a um parceiro com quem teve um relacionamento de quatro anos.

Ao se separar passou a trabalhar como paisagista.

No dia 31 de outubro de 2001, McArthur foi convidado para ir até o apartamento de um homem onde teve uma briga. Com um cano de ferro Bruce desferiu vários golpes na vítima que perdeu a consciência.

McArthur se entregou a polícia depois do ataque, mas disse que não se lembrava porque tinha feito isso. Julgado pelas agressões recebeu uma sentença condicional de 729 dias.

O advogado argumentou junto à Corte que o comportamento inexplicável de McArthur pode ter sido devido à combinação de bebidas alcoólicas com remédios que Bruce ingeria para aumentar o prazer sexual.

A justiça decidiu que a prisão deveria ser domiciliar, com toque de recolher às dez da noite por seis meses, e três anos de liberdade vigiada.

Mas 2002, McArthur se inscreveu em vários sites e aplicativos de fetiche gay. No perfil dele constava interesse por homens submissos.

Bruce já havia se tornado parte da comunidade de gays e frequentava regularmente bares com homossexuais.

Na região onde morava, nos bairros Church e Wellesley, McArthur passou a ser conhecido com um adepto a sexo violento e temperamento explosivo.

Para se sustentar, McArthur se tornou um paisagista autônomo. Seus ajudantes eram um homem branco mais velho, que parecia envolvido com ele, e um diarista de descendência do Sudeste Asiático ou do Oriente Médio.

As clientes de McArthur eram quase sempre idosas ricas que o achavam encantador. Nos finais de ano costumava trabalhar ainda como Papai Noel.

 

O fim da linha

 

As atitudes estranhas McArthur levaram o paisagista a ser vigiado de perto pela policia. Ele já era o principal suspeito pela morte de dois homens.

No dia 18 de janeiro de 2018, os policiais suspeitaram de uma movimentação no apartamento de Bruce. Ao ver um homem entrando no imóvel de McArthur eles imaginaram que aquela pessoa estava correndo risco de vida.

Ao invadir o apartamento, graças a um mandado de busca, os policiais localizaram um jovem amarrado a uma cama.

Durante a revista ao imóvel, as autoridades encontraram fotografias de duas supostas vítimas que estavam desaparecidas há anos, Andrew Kinsman e Selim Esen. Estava começando a ser desfeito o mistério sobre quem era o serial killer.

O computador de McArthur tinha ainda fotos horripilantes de outras vítimas. As imagens eram guardadas como troféus.

Bruce McArthur, de 67 anos, acabou preso. O jardineiro de Toronto passou a ser acusado de matar oito homens desaparecidos entre 2010 e 2017. Sem titubear ele confessou ter cometido todos os crimes.

 

Jardineiro matou gays durante oito anos e escondeu os corpos em vasos de flores

 

O resto dos corpos

 

Após matar cada um de seus ex-amantes, Bruce McArthur cortava os corpos em pedaços e depois enterrava nos jardins, em canteiros e nos vasos de plantas das casas em que trabalhava como paisagista.

O desfecho da descoberta colocou fim a maior investigação já feita pelo Serviço de Polícia de Toronto (TPS). Para desvendar as mortes foi criado um Projeto Houston, uma força-tarefa que ligava os desaparecimentos de homens de origem do sul da Ásia ou do Oriente Médio a Church e Wellesley, a aldeia gay de Toronto .

Em 11 de abril de 2018, McArthur sofreu oito acusações de assassinato em primeiro grau nas mortes de homens desaparecidos, a maioria ligada aos bairros gays.

Ele agora responde a processos que implicam uma sentença de prisão perpétua - a pena máxima aplicada em casos de assassinato no país.

Como McArthur é acusado de homicídio qualificado, isso significa que ele só poderá reivindicar liberdade condicional após passar ao menos 25 anos preso, ou seja, aos 91anos de idade.

A audiência para definir sua pena está marcada para o dia 4 de fevereiro. Amigos e parentes das vítimas testemunharão sobre como os assassinatos afetaram suas vidas.

O promotor Michael Cantlon afirma que McArthur, além de fotografar suas vítimas,  mantinha algumas de suas joias como lembranças.

Os investigadores dizem que alguns dos mortos sofreram agressão sexual ou foram mantidos "confinados contra sua vontade".

Em 29 de janeiro de 2019, McArthur se declarou culpado de todas as oito acusações no Supremo Tribunal de Ontário.

Uma fonte da polícia disse ao National Post que McArthur cobria seus rastros usando pseudônimos online, utilizando telefones públicos ao invés de celulares e evitando áreas com câmeras de vigilância.

A fonte sugeriu que McArthur tinha como alvo homens vulneráveis, que não possuíam um endereço fixo ou que não contaram à suas famílias que eram gays.

Bruce foi detido no Centro de Detenção do Sul de Toronto. O Torstar News Service informou em 19 de março que McArthur estava sendo mantido "em segregação e sob constante vigilância suicida".

O processo com as acusações a McArthur tem mais de 10.000 páginas, devido à complexidade do caso.

 

* na sexta-feira, dia 8 de fevereiro, Bruce McArthur foi condenado a prisão perpétua sem a possibilidade de solicitar liberdade condicional em 25 anos. Só quando tiver 91 anos de idade é que McArthur poderá solicitar a liberdade condicional, segundo o juiz encarregado do caso, John McMahon.
 

 

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Marcia Mendes

Marcia Mendes

Um louco...
★★★★★DIA 31.01.19 00h57RESPONDER
N/A
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Um pessoa com um sério problema de psicopatia. É difícil entender como seres humanos agem como o atirador de Campinas. São pessoas completamente doente, que muitas vezes a sociedade não percebe, e elas estão por aí, no nosso meio. Abraço 

★★★★★DIA 31.01.19 12h52RESPONDER
Marcia Mendes
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